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A gente dorme e acorda com medo, diz parente de brasileiros mortos em ataque israelense no Líbano

O homem, identificado como Nader, deu entrevista ao jornalista Gabriel Chaim na Globonews. Nader é parente do menino de 11 anos e de uma mulher, ambos brasileiros, que foram mortos por um bombardeio de Israel no sul do Líbano.

A brasileira morta, identificada como Manal Jaafar, era mãe do menino Ali Ghassan Nader. O pai da família, o libanês Ghassan Nader, e uma etiopiana que era diarista da casa também foram mortos no ataque, segundo Chaim.

"Nós vivíamos no Brasil em paz, nunca aconteceu nada com a gente enquanto vivemos nessa terra boa, de família, de um povo que gosta de povo. Não é igual aqui, que todo dia a gente dorme com medo e acorda com medo. Hoje falo com um amigo que está vivo, e amanhã ele está morto pelos bombardeios de Israel, que bate no Líbano sem coração e com maldade para esse povo que vive no sul [do Líbano]", afirmou Nader.

Nader chamou o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah de "mentiroso".

Itamaraty confirma morte de 2 brasileiros no Líbano

Itamaraty confirma mortes de brasileiros após ataques israelenses no Líbano

Itamaraty confirma mortes de brasileiros após ataques israelenses no Líbano

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou na segunda-feira (27) que um menino brasileiro de 11 anos, sua mãe, também brasileira, e o pai, libanês, morreram após ataques israelenses no Líbano.

"O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel".

O Itamaraty informou ainda que o ataque israelense ao Líbano constitui mais um exemplo das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril.

Isso porque, conforme o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nesses ataques.

"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", afirmou o Itamaraty.

O Brasil vem defendendo ao longo das últimas semanas que as tropas israelenses devem deixar imediatamente o Líbano.

Segundo a nota divulgada nesta segunda, um dos filhos do casal — irmão da criança que morreu no ataque — foi levado para o hospital.

“A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio”, informou o Itamaraty.

Segundo o ministério, a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família dos brasileiros que morreram no ataque para prestar assistência.

Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26). — Foto: REUTERS/Shir Torem

A ofensiva ocorreu após a emissão de um alerta de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região.

Segundo o Exército israelense, os ataques foram motivados por “repetidas violações do cessar‑fogo por parte do Hezbollah”, grupo pró‑Irã que atua no sul do Líbano, de acordo com a RFI.

Pelos termos do acordo firmado em abril, Israel mantém o direito de continuar realizando operações militares contra o Hezbollah, mesmo durante o período de cessar‑fogo.

Prorrogação do cessar-fogo

A trégua entrou em vigor em 16 de abril e previa duração inicial de 10 dias. Com a renovação, o cessar-fogo deve durar pelo menos até o início da segunda quinzena de maio. Apesar disso, há dúvidas sobre a efetividade do acordo. Mesmo em vigor, Israel e o Hezbollah trocaram ataques nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o grupo extremista libanês lançou foguetes contra o norte de Israel, que foram interceptados.

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