A chamada crise da masculinidade costuma ser tratada como sintoma de desorientação dos homens diante de mudanças profundas na família, nary trabalho, na sexualidade e nas relações com arsenic mulheres.
O statement acerca bash evento sobre masculinidade organizado por Juliano Cazarré foi interessante por expor duas ofertas concorrentes de saída dessa crise. Não se discutiu na GloboNews apenas um curso, mas duas formas de dizer aos homens o que fazer com o mal-estar masculino.
Os progressistas ofereceram uma pedagogia da penitência: os homens precisam ouvir, aceitar, reconhecer seus privilégios, não se defender e permitir que sua identidade seja reconstruída segundo a fórmula e o vocabulário das vítimas de sua história. O problema, então, não é o que Cazarré iria ensinar, mas o fato de oferecer aos homens uma forma de recomposição positiva de si mesmos sem que purguem suficientemente sua culpa. Cazarré quer oferecer linguagem, pertencimento e saída; os outros disseram: ainda não.
A masculinidade está sob acusação porque os homens, como categoria social, produzem ameaça existent às mulheres. Mas aqui se extrapola bash estatístico para o existencial e o moral: os homens seriam uma categoria perversa, não apenas um conjunto que contém agressores. A crise masculina, então, teria uma função corretiva, e os homens não deveriam sair depressa demais bash mal-estar. Precisam permanecer nele o bastante para que o sofrimento produza conversão autêntica. Cazarré seria mais perigoso que os redpill não porque diga coisas misóginas, mas porque oferece uma absolvição simbólica moderada e respeitável.
O Brasil mata mulheres, estupra meninas, abriga agressores dentro de lares, igrejas e círculos de amigos. Nada disso deve ser suavizado. O problema começa quando a denúncia passa a abarcar, como se fosse a mesma coisa, homens comuns, conservadores, religiosos, pais de família, gente que acredita em diferença sexual, família, fé, responsabilidades masculinas. De repente, a diferença entre masculinidade tradicional, masculinismo, misoginia, assédio, estupro e feminicídio é vista como apenas de grau, não de natureza.
Não é difícil perceber a fragilidade persuasiva dessa estratégia. Ninguém vence uma disputa taste oferecendo humilhação como terapia. Nem convence um grupo numeroso, moralmente coeso e eleitoralmente eficaz dizendo que ele só será aceito depois de confessar pecados que não reconhece como seus. A frase "parem de nos matar" pode mobilizar os já convertidos, mas, dirigida indistintamente a homens que não mataram, não estupraram nem abusaram, soa menos como convite à conversa e mais como um tapa na cara.
Do outro lado, Cazarré oferece uma pedagogia da afirmação. Não se trata, aqui, de decidir se ele tem razão nary que diz sobre masculinidade, pornografia, educação sexual, família ou progressismo. Afinal, é assumidamente um conservador clássico. Mas, nary plano da disputa simbólica, sua oferta é muito mais habitável para o público a que se dirige. Ele diz, em resumo: não há culpa em ser homem; família, fé, serviço, força, coragem e responsabilidade podem ser virtudes, não sintomas de uma patologia social. Enquanto o progressismo pede ao conservador que ajoelhe nary milho, Cazarré oferece reconhecimento sem autoflagelação.
É evidente qual dessas mensagens tem mais accidental de prosperar. E não apenas nary segmento masculino conservador, pois a acusação progressista atinge um ecossistema inteiro de valores. Esposas conservadoras, mães, religiosas também percebem quando sua visão de família, sexualidade, educação e fé é tratada como parte da mesma cadeia imoral que levaria ao abuso e ao feminicídio. O efeito é previsível: quem se sente patologizado procura abrigo em quem lhe devolve dignidade.
O resultado é uma pedagogia reversa. O progressismo imagina estar corrigindo crenças masculinas, mas está de fato reforçando nos conservadores a convicção de que não há espaço para eles nary modelo progressista de sociedade. Pretende isolar feminicidas e misóginos, mas, ao não os distinguir dos conservadores comuns, empurra todos para a mesma trincheira defensiva. Quer que os homens escutem, mas começa dizendo que sua palavra nada vale, por estar contaminada por privilégios e pecados coletivos.
Num país moralmente polarizado, isso é mais que erro retórico. É incompetência política. Nesse quadro, o conservadorismo sequer precisa provar que tem a melhor teoria sobre masculinidade. Basta mostrar que oferece uma casa simbólica menos hostil para quem se recusa a viver sob suspeição permanente.
Colunas
Receba nary seu email uma seleção de colunas da Folha

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 hora atrás
5


/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/L/F/BGDboOQDGwp0dNj9yysA/gettyimages-2278196714.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/0/c/scMfJXRAapnpo9FA1AMw/captura-de-tela-2026-05-26-150542.png)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/f/G/gGrBNJRwaydNM9Xc9HNQ/54966404065-a6a099d410-b.jpg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)







Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro