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A polarização e a radicalização nas eleições gerais de 2026

A saber, a economia brasileira apresentou bom desempenho de 2023 até o presente. O crescimento econômico chegou a quase 7% no acumulado do primeiro biênio. No ano passado e neste, a desaceleração já é sentida nos diferentes setores produtivos, no consumo e no investimento, mas a economia ainda sustentará expansão ao redor de 2% ao ano.

A inflação, por sua vez, está sob controle, e os efeitos da alta do petróleo sobre os combustíveis estão sendo amenizados pelas subvenções e isenções, que até o momento estão sendo acompanhadas de providências compensatórias para seus efeitos fiscais. O desemprego, por sua vez, continua nas mínimas históricas. Os indicadores de pobreza e de desigualdade diminuíram, sensivelmente, e revelam uma melhora nas condições da população que mais depende do Estado.

Por outro lado, o governo apresenta dificuldades para defender suas realizações junto à população. Se Bolsonaro, em 2022, teve dificuldades de mostrar-se sensível à população, ao sofrimento das famílias, enfim, de mostrar a empatia necessária, Lula vê-se, agora, diante da dificuldade de expor suas realizações. Melhor dizendo, tem dificuldades de defender seu legado e enfrenta a visão geral da opinião pública de que seu terceiro mandato seria apenas mais do mesmo.

Lula e Bolsonaro são duas "marcas" que, juntas, abarcam a quase totalidade das preferências da população. A chamada polarização é própria da política, mas há algo além dela, como disse o ex-presidente Michel Temer em entrevista a mim no podcast Warren Política. Trata-se da radicalização, da ausência do diálogo de forças políticas que, mesmo vencendo as eleições, não têm conseguido reunir vencedores e perdedores à mesa para construir um futuro negociado, um projeto de nação.

Essa radicalização dificulta a tarefa do incumbente de apresentar suas realizações, como disse, e estabelece uma dimensão de análise a afetar a percepção dos eleitores. Todo e qualquer tema é automaticamente cotejado com o seu simétrico oposto, em uma lógica de negar os fatos, inclusive, extremamente preocupante para o jogo democrático.

Se a esquerda tem dificuldade de autocrítica, o bolsonarismo não tem pudor para negar a realidade e apresentar-se como a salvação da pátria, uma receita lá de 2018. A pesquisa Datafolha confirma que o país está dividido e radicalizado, mas mostra que as duas forças políticas predominantes são também bastante rejeitadas, o que é sintomático.

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