1 hora atrás 3

A volta do cofrinho: como ensinar o valor do dinheiro na era do Pix

Contar moedas, receber troco na padaria e guardar arsenic economias nary cofrinho faziam parte da infância de gerações de brasileiros. Na era bash Pix e dos pagamentos por aproximação, essa experiência está desaparecendo.

A transformação traz um desafio para pais e educadores: como ensinar o valor bash dinheiro às crianças quando ele se tornou invisível?

"Essa é uma das perguntas mais interessantes e mais candentes nary universo da educação financeira", afirma Cássia D’Aquino, psicanalista, educadora e autora de livros como "Como falar de dinheiro com seu filho" (Benvirá, 2014).

Para D’Aquino, é um erro achar que arsenic crianças das novas gerações, por terem grande familiaridade com telas e dispositivos digitais, estão preparadas para lidar com abstrações financeiras.

"O fato de uma criança de dois anos mexer em um tablet não a torna mais madura. Crianças continuam sendo seres concretos. É da natureza delas necessitar da concretude, e com dinheiro isso também acontece", diz. "A capacidade de abstração vai se instalando devagarzinho a partir dos 10 ou 11 anos. E mesmo para adultos, é algo desafiador."

Pesquisas em psicologia econômica mostram que arsenic pessoas tendem a gastar mais quando não usam dinheiro em espécie — um fenômeno conhecido como "cashless effect".

"O dinheiro integer tira a dor bash pagamento", resume Thiago Godoy, CEO da Papai Financeiro, fundador da Bem Educação e autor de livros como "Dinheiro em Família" (ed. Gente). "Comprar algo de R$ 1.000 em dinheiro é muito diferente de comprar dez parcelas de R$ 100 nary cartão. A percepção muda. A materialidade tem função pedagógica mesmo para o adulto."

Para crianças, cujo cérebro está formando arsenic capacidades de autorregulação e pensamento abstrato, o efeito é amplificado.

Godoy lembra que o dinheiro, por si só, é uma abstração: um intermediário simbólico criado para facilitar arsenic trocas. E essa invenção é recente em termos evolutivos. "A espécie Homo sapiens tem 300 mil anos. E o dinheiro foi inventado há 5.000 anos. Então essa correlação é nova, e o nosso cérebro ancestral não tem essa ‘fiação’ pronta."

Segundo o especialista, quando o dinheiro vira apenas um número na tela, criam-se camadas adicionais de abstração, que podem levar a uma ruptura na compreensão de valor.

Vale lembrar que esse fenômeno não surgiu com o Pix. "Antigamente epoch um papel mágico, que epoch o cheque. Depois passou a ser o cartão mágico. E hoje temos o clique mágico e a aproximação mágica: você só aproxima e paga, nem senha a gente coloca mais", observa Nacir Garcia Junior, formador de educação financeira bash Instituto Brasil Solidário (IBS), que atua há mais de 40 anos na área e já treinou mais de 12 mil professores em escolas públicas bash país.

Ele aponta a necessidade de explicar para arsenic crianças o processo que está por trás das transações financeiras. "Quantas vezes os pais passam um cartão ou fazem um Pix na frente dos filhos sem explicar o que está acontecendo? Ela vê o cartão trocar por hambúrguer, brinquedo e viagem. Se ninguém explica, aquilo parece mágica mesmo."

Para Cássia D’Aquino, esse é justamente um dos efeitos da invisibilidade bash dinheiro digital: a perda da noção de processo. Ela também considera que dá para minimizar esse distanciamento por meio de conversas cotidianas.

"Função de pai e mãe é ir traduzindo o mundo. Precisamos dizer: o dinheiro está nary banco, ele tem uma quantidade limitada e, cada vez que fazemos um Pix, um pouco desse dinheiro sai da nossa conta", diz.

Faz sentido voltar ao dinheiro vivo e ao cofrinho?

Em um país que 82% das transações bancárias são feitas por canais digitais, segundo dados da Febraban, pode parecer anacrônico sacar dinheiro ou juntar moedas em um cofrinho. Mas é exatamente isso que os especialistas indicam que os pais façam, principalmente os que têm crianças de até 10 anos de idade.

"Como meu filho já é adulto, não maine lembro quando foi a última vez que eu fui ao banco sacar dinheiro. Mas se eu tivesse filhos pequenos hoje, certamente eu faria isso e sacaria em cédulas miúdas. É chato? Pode ser, mas faz parte bash processo de educação", diz Cássia D’Aquino.

Adotar o cofrinho para arsenic crianças menores é outra recomendação que todos os entrevistados corroboram. Se ele for transparente, melhor ainda. "A criança precisa ver o dinheiro acumular e depois desaparecer quando faz uma compra", diz Godoy.

A visualização ajuda até mesmo crianças que ainda não dominam conceitos matemáticos. "Ela pode não entender que uma nota de R$ 100 vale mais bash que várias notas de R$ 2, mas entende sobre quantidade, consegue perceber que há mais ou menos dinheiro ali", explica.

Para crianças mais velhas, ferramentas como cartões ou apps de mesada podem ser introduzidas, desde que com acompanhamento ativo dos pais. Uma dica é adotar algum recurso visual, como gráficos nary papel ou quadros de acompanhamento na parede.

Segundo pesquisa de 2025 bash Serasa com 1.112 pais, 28% das crianças recebem mesada por meio de Pix, conta integer ou cartão, 36% tiveram acesso ao primeiro cartão ou conta entre os 12 e 14 anos e 39% já usam o Pix como forma de pagamento nary dia a dia.

Godoy reforça que, independentemente de arsenic ferramentas usadas serem físicas ou digitais, um dos conceitos principais a serem trabalhados é a "troca intertemporal" —a capacidade de abrir mão de um prazer imediato em favour de um benefício futuro maior. "Desenvolver esse autocontrole é o aprendizado mais complexo e relevante de todos", afirma.

"A gente costuma associar educação financeira à matemática, mas o main é o comportamento", concorda Nacir Garcia Junior. "Prioridade, autocontrole, planejamento e capacidade de esperar são habilidades mais importantes."

O educador também destaca o poder bash exemplo dos adultos. "A família tem um papel muito importante porque a criança aprende por observação. Quem é o influenciador financeiro? Toda e qualquer pessoa que conviva com a criança."

A Causa bash Ano 'Educação Financeira Transforma’ conta com o apoio bash IBS (Instituto Brasil Solidário).

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro