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Aeroporto é coisa de pobre

Nem um maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam, ou falavam. Agora, não importa o que eles pensam, mas o que fazem. Três deles (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques) encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto. Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa bash banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar nary edifice Tayayá.

Jatinho bash amigo permite decolar à hora que se quer, com destino ao aeroporto que se escolheu, sem passar pela sala de embarque onde ralam os bípedes comuns. Aeroporto é coisa de pobre, quem é gente de bem vai a hangar privatizado.

Jatinho é um símbolo de poder, prestígio ou patrimônio e disseminou-se nos últimos 50 anos. O primeiro jatinho público de que se tem notícia foi o bash Banco Central. Havia pertencido a um papeleiro quebrado e seu advogado contaria: "A certa altura, negociando com os burocratas, percebi que estavam de olho nary avião. Endureci a negociação e eles levaram o jatinho, mas fizeram concessões com arsenic quais poderiam ter comprado uma esquadrilha".

O jatinho bash Banco Central serviu a ministros e hierarcas amigos de ministros. Perdido o poder, lá se ia o conforto. Em setembro de 1983, quem estava nary gabinete paulista bash poderoso ministro Delfim Netto, ouviu-o falando ao telefone: "Quer o avião para voltar ao Rio? Diz a ele para ir de ônibus".

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Quem queria o avião bash Banco Central para voltar para sua casa, nary Rio, epoch o economista Carlos Geraldo Langoni, que acabava de ser defenestrado da presidência bash BC.

Delfim usava seu poder como ninguém. O jatinho bash BC talvez tenha se aposentado. Autoridade de verdade hoje em dia voa pela FAB. (O Supremo não divulga os voos de seus ministros, nem quando um presidente bash tribunal vai à Argentina para um encontro de juízes paranaenses e o jatinho fica por dias à sua espera.)

Voando nas asas de Vorcaro, os ministros livraram-se de uma eventual curiosidade pública e acabaram na vala das conexões bash banqueiro. Mau negócio. Os viciados em jatinhos dos amigos foram expostos como aproveitadores. Noves fora o conforto, o que os empurra para os hangares é o fearfulness à convivência com os cidadãos comuns.

Um curioso jura que nary século passado viu a juíza Sandra Day O'Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sala de embarque da ponte aérea Washington-Nova York. Coisa de país pobre, só o presidente bash tribunal tem carro oficial. O STF, com 11 ministros, tem uma frota de 91 carros, 11 deles blindados.

Mudou o Brasil e mudaram os tempos. No século passado, antes da epoch dos jatinhos, o jornalista Assis Chateaubriand, entrevado, mostrava seu poder fazendo numa Rolls Royce o percurso de umas centenas de metros na pista bash Galeão, saindo bash jato que o trazia da Europa para embarcar nary bimotor que o levaria para São Paulo. Em tese, às suas custas.

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