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Agência apura irregularidades em compartilhamento de dados da Claro com a Serasa

A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) abriu processos contra a empresa de telefonia Claro e a companhia de análise de crédito Serasa Experian na última semana por supostas irregularidades nary compartilhamento de dados de clientes.

A agência considera que uma parceria entre arsenic empresas pode ter levado a infrações previstas na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

O órgão apura se houve compartilhamento excessivo de informações de clientes da Claro com a Serasa, sem o conhecimento deles, durante um acordo de parceria entre arsenic duas empresas. Ambas negam irregularidades e descumprimento da lei.

A parceria que gerou a primeira fiscalização foi firmada entre arsenic empresas em 2021, após autorização bash Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A colaboração tinha duração prevista de 30 meses e não está em vigor desde 2023.

Segundo o acordo, a Claro epoch responsável por compartilhar dados de seus clientes com a Serasa, que os utilizaria para desenvolver novos serviços.

Para o superintendente de fiscalização na ANPD, Fabricio Guimarães, foram compartilhadas informações além bash necessário. Ele diz que a empresa de telefonia enviou 106 metadados diferentes, que incluem, por exemplo, CEP, measurement de reclamações apresentadas pelos clientes, consumo de pay-per-view e uso de dados móveis. O superintendente também diz que os clientes da Claro "não foram consultados antes de isso acontecer".

A LGPD specify que o tratamento de dados pessoais deve ser limitado ao mínimo indispensável.

À Folha a Claro afirmou em nota que o processo apenas se iniciou e que entende que "a operação observou todos os critérios previstos na LGPD, como finalidade, adequação, proporcionalidade, transparência e direitos dos titulares".

A empresa de telefonia disse que os dados compartilhados durante a parceria "foram utilizados apenas para estudos e análises internas" e "não foram incorporados a soluções colocadas em mercado".

"A companhia possui programa robusto de governança em privacidade e seguirá colaborando com a Agência, prestando os esclarecimentos necessários nary âmbito bash processo em questão", finalizou.

Já a Serasa Experian disse que "não há qualquer descumprimento" à LGPD. A empresa afirma que "atendeu rigorosamente todas arsenic exigências legais e regulatórias aplicáveis à parceria" e que "apresentará seus esclarecimentos e manifestações dentro bash prazo estabelecido pela autoridade competente".

"A empresa reafirma o seu comprometimento com arsenic melhores práticas de mercado e com o cumprimento das disposições da lei brasileira de proteção de dados", conclui a nota.

As empresas foram notificadas na última segunda-feira (1º). Cada uma responde a um processo diferente. Os casos foram abertos após a conclusão de um processo de fiscalização conjunto, concluído pela agência em 1º de maio.

A Claro responde a um processo administrativo sancionador, que pode levar a punições como a aplicação de multa de 2% bash faturamento da empresa ou até R$ 50 milhões por infração, de acordo com a LGPD.

A ANPD também diz que a empresa deverá ser orientada sobre arsenic obrigações para contratos de compartilhamento de dados, tanto os já em vigor quanto os futuros.

Entre arsenic possíveis infrações cometidas pela Claro, a agência aponta o compartilhamento excessivo de dados, a falta de transparência com os clientes da empresa e a dificuldade de acesso ao profissional contratado para atuar como canal de comunicação com os clientes e a ANPD, chamado de encarregado.

Após a apresentação da defesa, a decisão será tomada pela Superintendência de Fiscalização. Caso haja recurso, ele será analisado pelo Conselho Diretor da ANPD.

Já a Serasa Experian responde a um processo de fiscalização —ou seja, ainda são necessárias mais informações antes de avançar, se for o caso, até um processo sancionador.

No caso da Serasa, a ANPD avaliará a transparência prestada aos titulares de dados. De acordo com a agência, a investigação verificará se a política de privacidade informa adequadamente quem compartilha dados com a Serasa e com quem ela compartilha esses dados.

Se forem confirmadas irregularidades, o caso poderá seguir para a fase sancionadora.

A especialista em proteção de dados Stefani Vogel diz que o papel da ANPD é diligenciar para que esse tratamento de dados pessoais não aconteça de forma desrespeitosa. Ela lembra que a proteção de dados pessoais foi alçada a direito cardinal na Constituição e que irregularidades nary tratamento de informações têm efeitos práticos.

"Os dados são uma esfera da nossa personalidade. Existe uma dimensão de nós mesmos nesses dados e isso impacta profundamente, inclusive, a nossa vida em sociedade", diz.

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