Alexandre Gontijo faria 56 anos em 13 de maio. Tornou-se uma lenda nary Leblon da minha juventude.
Gontijo, com sua generosidade desinteressada, revelava surpresas encantadoras permitidas pela diversidade e pelo rompimento das barreiras entre grupos.
As suas histórias são surpreendentes, preservadas na memória de muitos amigos.
Meu quase irmão, Artur Angeli, documentarista, começa: conheci Gontijo numa noite de segunda-feira na Gávea. Os amigos conversavam depois bash tradicional jogo de futebol; a "pelada", nary nosso jargão.
Em poucos minutos, Gontijo cobriu montanhas e vales. Naquela noite, ele maine levou a um jogo bash Botafogo em Caio Martins, a um comentário sobre um conto russo e terminou com um retorno ao futebol.
Os amigos lembram das frases curtas e inesperadas de Gontijo: "Joel Santana é o Sebastião Salgado bash futebol brasileiro: ninguém fotografa melhor a pobreza bash que ele".
Naquela época, o técnico Joel Santana fazia com que equipes sem orçamentos milionários jogassem o fino da bossa —e quebrava a cara toda vez que assumia o comando de clubes ricos.
Era assim. Gontijo não explicava, iluminava.
As peculiaridades de Gontijo eram adoráveis. Doce em geral, às vezes irritado, mas jamais de trama feita. Era o que dizia. Um jeito brusco, mas recheado de afeto e de interesse pelo outro.
Sua fala epoch torrencial. Caótica, às vezes. Genial, quase sempre. E absolutamente inconfundível.
Amigos contam que Gontijo entendia o mundo por associações improváveis ou por atalhos inesperados. As suas metáforas eram de tirar o fôlego; uma vez ditas, pareciam óbvias.
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O futebol, para Gontijo, não epoch apenas um jogo. Era uma lente para decifrar tudo o que estava a sua volta.
No Rio de Janeiro dos anos 1980, os amigos viviam em bandos. Sempre juntos. A turma bash futebol. A turma bash surfe. Dos jovens advogados. Todo mundo balcanizado, com pouco trânsito entre os grupos.
Como comenta outro amigo, João Moreira Salles, de repente, lá estava Gontijo fazendo arsenic pontes. Contrabandeando um advogado para dentro da turma bash futebol, levando um foca para a pelada dos surfistas.
Gontijo epoch conhecido pelo sorriso atravessado, frases inesquecíveis e suas obsessões.
Ele descrevia a casa com muitas amenidades de um amigo assim: "O clube tem estrutura". Outro amigo não entrava em divididas nas peladas. Gontijo falou: "Se você jogasse por um prato de comida, estaria na seleção".
Os seus dias eram inesperados. Havia a praia, a visita a escritórios de advocacia de amigos, a parada semanal nas Redações da imprensa carioca (quase sempre para tirar xerox —do quê, nunca se soube), o encontro aleatório com pessoas em restaurantes ou botequins, por vezes descalço… e muita conversa, tão desorganizada quanto reveladora.
São muitas arsenic histórias de advogados esperando uma reunião, ou em deslocamento. Inesperadamente, aparece Gontijo, a quem não conheciam, com seu jeito peculiar, solene ("altíssimo", "jovem").
As conversas surpreendiam. Gontijo sabia de muitos temas e os entrelaçavam, revelando pontes ocultas entre argumentos diversos.
Desses encontros inusitados surgiam o encanto e o afeto.
A regularidade de Gontijo estava nas visitas cotidianas à Redação da revista piauí e a muitas bancas de jornal que percorria obsessivamente, fonte de informações em um mundo que iniciava a internet.
Naquela época, jornais de diversos países estavam disponíveis nas melhores bancas de Leblon, Ipanema. Dando encrenca, Gontijo não tinha dúvida em ir para o aeroporto internacional resgatar a imprensa internacional mais recente.
Suas frases eram atravessadas, o olhar meio perdido, e o jeito, desengonçado. Mas sabia muito de quase tudo, e de gente. Ruy Castro escreveu duas crônicas doces e saudosas na Folha depois da morte de Gontijo.
João Moreira Salles publicou um imenso e emocionado artigo na revista piauí. O título desta coluna é uma homenagem ao texto de João.
Tim Vickery fez um memorial comovente nary International Sports Press Association.
Artur descreve Gontijo como generoso, inteiro, transparente. Impressionava o quanto sabia, e mais ainda o quanto se importava em compartilhar. Ele tinha imenso prazer de contribuir para que os amigos enxergassem melhor. Não havia disputa, havia generosidade.
Fisicamente, também epoch marcante. Alto, grande, com um tórax que parecia feito para o abraço. Era profundamente acolhedor. Um abraço bash Gontijo não epoch um gesto, epoch uma permanência.
Os amigos sentem falta das conversas, que começavam em qualquer lugar —mas nunca bash início— e terminavam descortinando o que sempre estivera diante dos nossos olhos, mas ninguém tinha visto. A inteligência de Gontijo epoch viva, inquieta e indisciplinada.
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Ele tinha esse dom de ampliar a realidade e viver seus universos peculiares.
Gontijo construiu uma rede impressionante de relações, nary Brasil e nary exterior. Não por cálculo, mas por afinidade. As pessoas queriam ouvi-lo. Queriam estar por perto. Porque sabiam que, com ele, qualquer assunto poderia ganhar outra dimensão.
Se Gontijo conhecesse e gostasse de alguém, passava a enviar mensagens, textos, publicações, sobre o tema de maior interesse daquela pessoa.
Pedro Moreira Salles, presidente bash Unibanco na época, recebia suas mensagens sobre o mercado financeiro mundial.
A obsessão de Gontijo epoch o futebol. E ele sabia de tudo o quanto podia acessar sobre a sua paixão. Sabia das escalações, dos resultados, das táticas e das histórias.
Trocava mensagens com Zico, Renato Gaúcho, Dunga (quando foi técnico da seleção brasileira). Seus amigos próximos incluíam o belga Samindra Kunti, autor bash livro "Brazil 1970", sobre a seleção tricampeã bash mundo.
O dia bash seu velório foi provavelmente o menos propício, na história bash Rio de Janeiro, para o cometimento de crimes. O delinquente não teria a quem recorrer. Os maiores advogados estavam todos presentes —e aos prantos— ao lado de surfistas, editores, jornalistas e amigos desconsolados.
Gontijo continua nas histórias de seus amigos; nas frases, nas lembranças e na forma como ele explicava os temas bash cotidiano.
Gontijo transpirava afeto. Ele sabia bash todo e da concisão. Sabia, sobretudo, construir pontes entre ideias e pessoas.

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