A ala majoritária do PL do Rio de Janeiro defende a retirada da pré-candidatura de Cláudio Castro (PL) ao Senado já nas próximas semanas após ele ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (15). Para esse grupo, aliado a parte do centrão, há possibilidade de contaminação nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e de Douglas Ruas (PL) ao governo fluminense.
Outra parte do PL defende calma e diz que o ex-governador do Rio não pode ser abandonado abruptamente. Esses correligionários avaliam ser preciso esperar e ressaltam que Castro, além de recall, tem uma série de prefeitos sob seu guarda-chuva. Uma eventual troca de candidatura, dizem, só poderia ocorrer por vontade dele e em momento menos conturbado.
As investigações da PF apontam que Castro usou a máquina do estado para facilitar crimes atribuídos ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit. As denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo.
No PL, o grupo mais insatisfeito considera que Castro é tóxico eleitoralmente e avalia que a operação da PF enterra uma candidatura já cambaleante. Uma parte de aliados do centrão fluminense compartilha dessa opinião. A ideia é de lideranças do partido no estado é conversar com Flávio Bolsonaro já na próxima semana, para que uma decisão seja tomada logo.
Eles lembram que o ex-governador foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) à inelegibilidade. Ele escapou da cassação ao renunciar ao cargo um dia antes do julgamento, mas a novela não acabou, e a inelegibilidade segue questionada na corte.
Dessa forma, essa ala do PL entende Castro como uma figura que pode atrapalhar a pré-candidatura de Douglas Ruas ao Governo do Rio. A avaliação é que naturalmente será feita uma associação entre os dois, com o deputado estadual sendo visto como um sucessor direto do ex-governador.
O temor é também de uma contaminação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. O filho do ex-presidente é do Rio de Janeiro e fez carreira política no estado. Ou seja, os escândalos envolvendo o aliado explodem justamente na base eleitoral primária do senador.
Essa ala do PL avalia que o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro, tem tido sucesso em associar Ruas como sucessor do ex-governador. O temor é que, uma vez mantida a pré-candidatura de Castro, novos escândalos possam se desdobrar durante a campanha.
Um aliado exemplifica que será impossível desfazer a associação porque Castro, Ruas e Flávio concorrerão, inclusive, com o mesmo número. Será o "222" para senador diretamente associado ao "22" que será usado por Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas nas urnas.
Esse grupo pretende conversar com Flávio nos próximos dias para que o pré-candidato à Presidência converse com Castro sobre a possibilidade de desistência. Enquanto isso, outra ala do PL vai aconselhar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a não tomar decisões agora.
O grupo mais próximo a Castro lembra que ele ainda detém força na base de prefeitos e que uma saída logo após a operação da PF passaria a mensagem de que o ex-governador, e talvez o partido, tenha culpa. Essa ala defende que, por questões também de lealdade política, somente o ex-governador poderia retirar sua pré-candidatura ao Senado.
Na banca de apostas para uma eventual substituição de Castro está o deputado federal Carlos Jordy (PL). O parlamentar fluminense já manifestou, anteriormente, desejo de concorrer ao Senado. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) também é lembrado. Ambos foram alvos de operação da PF em dezembro.
A OPERAÇÃO
O governo Castro é acusado de tomar decisões que facilitaram supostas operações fraudulentas do grupo Refit e de dificultar investigações e processos contra empresas de Magro. Entre as facilidades, aprovou uma lei que parcelou R$ 9,5 bilhões em dívidas com desconto de 95% das penalidades e juros.
As denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo. Um fiscal de rendas é acusado de ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas nos últimos anos.
Em nota, a defesa de Castro diz que foi surpreendida com a operação, que o ex-governador "está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura" e que todos os procedimentos de sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais da legislação vigente, inclusive os relacionados à política de incentivos fiscais do estado.

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1 hora atrás
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