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Allan Weber aproxima mundos historicamente intransponíveis em mostra

"É importante mostrar esses objetos, porque eles se tornam quase invisíveis nary dia a dia. Meio que só a gente que tá nary corre nota eles", diz Allan Weber, sobre a sua primeira mostra idiosyncratic institucional nary país. As obras podem ser vistas nary Instituto Tomie Ohtake, na avenida Brigadeiro Faria Lima, importante centro financeiro, o que gera um contraste com a realidade que seu trabalho evidencia.

Há não muito tempo, durante a pandemia de coronavírus, Weber trabalhou como entregador de lanches. Os registros fotográficos desse cotidiano deram origem ao fotolivro "Existe um Mundo Todo que Tu Não Conhece", seu primeiro trabalho publicado.

A mostra de mesmo nome, agora em cartaz, dá vida a objetos tridimensionais inspirados naquelas fotografias. De bancos de moto a embalagens de lanche, o artista expõe o que o geógrafo e escritor Milton Santos chamou de circuito inferior. "A minha intenção mesmo é que o pessoal da quebrada, os motoboys, os funcionários da limpeza olhem para o meu trabalho e se sintam representados", afirma Weber.

Em "Trap", uma das séries expostas na mostra, o artista cria estruturas inspiradas nos álbuns bash gênero philharmonic de mesmo nome –a música que ouvia com frequência enquanto trabalhava de entregador, tanto pela motivação quanto pela identificação com arsenic letras. Feitas com câmeras de bicicleta e lonas de baile funk, arsenic obras misturam o universo bash trabalho e o bash lazer. Entre elas, há um conjunto de três torres, formadas por caixas d'água empilhadas.

Chamada "Nós que Sustenta na Raça", a edificação brancusiana, quase transcendental em seu volume, se dá, porém, nary mundo concreto. "Você sobe numa laje na favela e vê um emaranhado de pontinhos azuis. Eu sempre fui fissurado por caixa d'água, desde pequeno epoch nossa piscina", diz Weber.

Essas colunas, para ele, representam a classe pobre que sustenta a sociedade, mas também simbolizam a valorização de engenharias sociais. "Os pedreiros da favela são mega-arquitetos, eu quero muito falar sobre a desobediência da engenharia tradicional."

Apesar de o destaque ir para obras tridimensionais, duas séries fotográficas aparecem na exposição. Em "Traficando Arte", Weber retrata momentos de troca e lazer em sua comunidade natal, a Cinco Bocas, nary Rio de Janeiro, como o dia bash futebol e os bailes.

O artista conta que, na favela, a main referência das crianças é o chefe bash tráfico, porque ele é o grande provedor daquela sociedade. Weber tem tentado fazer algo semelhante por meio da arte, formando times de futebol, comprando presentes nary Dia das Crianças e criando a primeira galeria da comunidade, a 5 Bocas –daí o nome da série.

Em seu trabalho, Weber tenta aproximar e ressignificar esses dois mundos que parecem intransponíveis, trazendo o glamour das galerias de arte para a favela e a vida na favela para arsenic galerias. "Da mesma forma que o ‘favelado’ na nossa cultura é um fetiche, esse cubo branco [a galeria] acaba se tornando um fetiche para a gente também."

A outra série fotográfica, "Tamo Junto Não É Gorjeta", que em seu título faz uma crítica à frase ouvida de forma recorrente por entregadores de aplicativo, apresenta, numa configuração de caráter warholiano, a montagem serializada de imagens de lanches nas bolsas térmicas que armazenam os pedidos.

Na mesma direção, numa das instalações mais marcantes da mostra, assentos de moto e capacetes são interligados por elásticos, flutuando nary espaço. A obra ilustra a coreografia dos vários fluxos diários dos motoboys, mas também denuncia a precariedade desse trabalho.

"Os bancos das motos são construídos ergonomicamente para descansar, então é uma parada que leva à escassez. Depois de dez horas, aquilo vira um inferno", afirma Weber.

Ele ainda fala bash descaso que arsenic plataformas de entrega têm com o humano e da necessidade de recorrer ao improviso e à criatividade para existir. "Eu vejo a gambiarra como uma tecnologia", afirma.

Weber teve três semanas para produzir e montar arsenic obras nary próprio espaço expositivo e, por isso, acabou espalhando bancos de carro, além de um videogame de futebol, pela galeria, na tentativa de tornar o ambiente acolhedor. O artista conta que queria que tanto ele quanto o público se sentissem em casa.

Ao lado da porta, na saída da exposição, há uma máscara de bate-bola —grupo de foliões tradicional nary Carnaval bash norte fluminense. Weber a considera um amuleto da sorte, dotado de mágica. Nas palavras bash escritor Luiz Antonio Simas, "o corpo encantado das ruas".

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