Os presidentes americanos Donald Trump e Joe Biden tentaram fechar um acordo com o reino para compartilhar tecnologia nuclear dos EUA.
Especialistas em não proliferação alertam que a operação em solo saudita poderia abrir caminho para um eventual programa de armas, algo que o príncipe herdeiro do país já sugeriu que poderia buscar caso Teerã obtenha uma bomba atômica.
No ano passado, Arábia Saudita e o Paquistão — país que possui armas nucleares — assinaram um pacto de defesa mútua após um ataque de Israel ao Catar que teve como alvo integrantes do Hamas.

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Na ocasião, o ministro da Defesa paquistanês afirmou que o programa nuclear de seu país “será disponibilizado” à Arábia Saudita se necessário, declaração vista como um recado a Israel, considerado há décadas o único Estado do Oriente Médio com arsenal nuclear.
Segundo ela, os documentos levantam “preocupações de que o governo Trump não tenha considerado cuidadosamente os riscos de proliferação representados pelo acordo proposto com a Arábia Saudita nem o precedente que ele pode criar”.
A Arábia Saudita não respondeu imediatamente aos questionamentos feitos pela Associated Press.
Relatório do Congresso descreve possível acordo
O texto afirma que concluir o acordo “promoverá os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”, rompendo com políticas consideradas ineficazes e permitindo que a indústria americana recupere espaço diante de concorrentes estrangeiros. China, França, Rússia e Coreia do Sul estão entre os principais exportadores de tecnologia para usinas nucleares.
A AIEA não respondeu de imediato aos pedidos de comentário. A Arábia Saudita é membro da agência, que promove o uso pacífico da energia nuclear e inspeciona países para garantir que não mantenham programas secretos de armas atômicas.
O enriquecimento, por si só, não leva automaticamente à produção de uma arma nuclear. Um país também precisa dominar outras etapas técnicas, como o uso coordenado de explosivos de alta precisão. Ainda assim, o processo abre caminho para a militarização, motivo das preocupações ocidentais com o programa iraniano.
Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, firmaram com os EUA um acordo conhecido como “123” para construir a usina nuclear de Barakah com ajuda sul-coreana. O país, porém, renunciou ao enriquecimento de urânio — modelo considerado por especialistas como o “padrão-ouro” para nações que desejam energia nuclear sem riscos de proliferação.
Proposta surge em meio à tensão com o Irã
O avanço das negociações entre sauditas e americanos ocorre enquanto Trump ameaça ação militar contra o Irã caso não haja um acordo sobre o programa nuclear iraniano. A pressão militar vem após protestos nacionais no país, reprimidos com violência pelo governo, resultando em milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos, segundo relatos.
O Irã sustenta há anos que seu programa de enriquecimento tem fins pacíficos. No entanto, países ocidentais e a AIEA afirmam que Teerã manteve até 2003 um programa nuclear militar organizado. O país também já enriqueceu urânio a até 60% de pureza — nível tecnicamente próximo dos 90% necessários para uso bélico —, algo inédito sem a existência declarada de um programa de armas.
Diplomatas iranianos citam declarações do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, como uma fatwa — decreto religioso — que proibiria a construção de uma bomba atômica. Mesmo assim, autoridades iranianas têm mencionado com mais frequência a possibilidade de buscar o armamento à medida que aumentam as tensões com os Estados Unidos.
O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, governante de fato do país, já declarou que, se o Irã obtiver a bomba, “nós teremos que conseguir uma também”.

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2 horas atrás
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