2 horas atrás 2

Arábia Saudita pode ter enriquecimento de urânio em acordo proposto com EUA, alertam especialistas

Os presidentes americanos Donald Trump e Joe Biden tentaram fechar um acordo com o reino para compartilhar tecnologia nuclear dos EUA.

Especialistas em não proliferação alertam que a operação em solo saudita poderia abrir caminho para um eventual programa de armas, algo que o príncipe herdeiro do país já sugeriu que poderia buscar caso Teerã obtenha uma bomba atômica.

No ano passado, Arábia Saudita e o Paquistão — país que possui armas nucleares — assinaram um pacto de defesa mútua após um ataque de Israel ao Catar que teve como alvo integrantes do Hamas.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Na ocasião, o ministro da Defesa paquistanês afirmou que o programa nuclear de seu país “será disponibilizado” à Arábia Saudita se necessário, declaração vista como um recado a Israel, considerado há décadas o único Estado do Oriente Médio com arsenal nuclear.

“A cooperação nuclear pode ser um mecanismo positivo para reforçar normas de não proliferação e aumentar a transparência, mas o problema está nos detalhes”, escreveu Kelsey Davenport, diretora de política de não proliferação da Arms Control Association, sediada em Washington.

Segundo ela, os documentos levantam “preocupações de que o governo Trump não tenha considerado cuidadosamente os riscos de proliferação representados pelo acordo proposto com a Arábia Saudita nem o precedente que ele pode criar”.

A Arábia Saudita não respondeu imediatamente aos questionamentos feitos pela Associated Press.

Relatório do Congresso descreve possível acordo

O documento do Congresso, também analisado pela AP, indica que o governo Trump pretende fechar 20 acordos comerciais nucleares com países ao redor do mundo, incluindo a Arábia Saudita. O contrato com o reino pode valer bilhões de dólares.

O texto afirma que concluir o acordo “promoverá os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”, rompendo com políticas consideradas ineficazes e permitindo que a indústria americana recupere espaço diante de concorrentes estrangeiros. China, França, Rússia e Coreia do Sul estão entre os principais exportadores de tecnologia para usinas nucleares.

O rascunho prevê que EUA e Arábia Saudita firmem salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por fiscalizar o setor nuclear. Isso incluiria supervisão das áreas “mais sensíveis à proliferação”, como enriquecimento, fabricação de combustível e reprocessamento.

A AIEA não respondeu de imediato aos pedidos de comentário. A Arábia Saudita é membro da agência, que promove o uso pacífico da energia nuclear e inspeciona países para garantir que não mantenham programas secretos de armas atômicas.

Para Davenport, a proposta sugere que, uma vez firmado o acordo bilateral de salvaguardas, “a porta estará aberta” para que o reino adquira tecnologia ou capacidade de enriquecimento de urânio — possivelmente até dos próprios Estados Unidos.

O enriquecimento, por si só, não leva automaticamente à produção de uma arma nuclear. Um país também precisa dominar outras etapas técnicas, como o uso coordenado de explosivos de alta precisão. Ainda assim, o processo abre caminho para a militarização, motivo das preocupações ocidentais com o programa iraniano.

Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, firmaram com os EUA um acordo conhecido como “123” para construir a usina nuclear de Barakah com ajuda sul-coreana. O país, porém, renunciou ao enriquecimento de urânio — modelo considerado por especialistas como o “padrão-ouro” para nações que desejam energia nuclear sem riscos de proliferação.

Proposta surge em meio à tensão com o Irã

O avanço das negociações entre sauditas e americanos ocorre enquanto Trump ameaça ação militar contra o Irã caso não haja um acordo sobre o programa nuclear iraniano. A pressão militar vem após protestos nacionais no país, reprimidos com violência pelo governo, resultando em milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos, segundo relatos.

O Irã sustenta há anos que seu programa de enriquecimento tem fins pacíficos. No entanto, países ocidentais e a AIEA afirmam que Teerã manteve até 2003 um programa nuclear militar organizado. O país também já enriqueceu urânio a até 60% de pureza — nível tecnicamente próximo dos 90% necessários para uso bélico —, algo inédito sem a existência declarada de um programa de armas.

Diplomatas iranianos citam declarações do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, como uma fatwa — decreto religioso — que proibiria a construção de uma bomba atômica. Mesmo assim, autoridades iranianas têm mencionado com mais frequência a possibilidade de buscar o armamento à medida que aumentam as tensões com os Estados Unidos.

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, governante de fato do país, já declarou que, se o Irã obtiver a bomba, “nós teremos que conseguir uma também”.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro