1 mês atrás 11

Armas de caça e suprimentos: Groenlândia publica orientações de 'sobrevivência' em caso de 'crise'

O documento, intitulado “Preparado para crises – seja autossuficiente por cinco dias”, inclui recomendações como estocar alimentos para cinco dias, três litros de água por pessoa por dia, papel higiênico, rádio a pilha, além de armas, munição e material de pesca.

“É uma apólice de seguro”, afirmou o ministro da Autossuficiência, Peter Borg, em entrevista coletiva na capital, Nuuk. “Não esperamos realmente precisar usá-la”, acrescentou.

Segundo o governo, a elaboração da brochura começou no ano passado, inicialmente voltada para cenários de cortes prolongados de energia.

A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, quase 90% deles Inuits, para quem caça e pesca são historicamente as principais formas de subsistência. “Preparar-se é melhor do que nada”, reforçou Borg.

  • Os Inuits são os povos indígenas do Ártico, habitantes tradicionais de regiões que hoje fazem parte do Canadá, do Alasca (EUA), da Groenlândia e de áreas do norte da Rússia.
  • Eles vivem há milhares de anos em ambientes extremamente frios e desenvolveram conhecimentos específicos para caçar, pescar e se deslocar na tundra e sobre o gelo, com técnicas adaptadas ao clima ártico.

O primeiro-ministro, Jens-Frederik Nielsen, avaliou na terça-feira que uma operação militar contra a ilha é “improvável”, mas disse que o território autônomo dinamarquês deve estar pronto para qualquer eventualidade.

O episódio ocorre em um contexto internacional tenso. Desde o retorno ao poder, Donald Trump afirma querer “adquirir” a Groenlândia, justificando a intenção como uma forma de conter avanços russos e chineses no Ártico.

Embora tenha afirmado em Davos que não usaria “força” para tomar a ilha, Trump defende “negociações imediatas” para obtê-la.

Contexto geopolítico atual

Bandeira da Groenlândia em Nuuk — Foto: Evgeniy Maloletka/AP

Pesquisas recentes indicam forte oposição da população local. Segundo levantamento de janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses rejeitam a anexação aos Estados Unidos, enquanto apenas 6% se dizem favoráveis.

Analistas internacionais avaliam que a iniciativa do governo local funciona como uma medida de precaução diante do aumento das pressões externas e da crescente importância geopolítica do Ártico.

Autoridades groenlandesas e especialistas afirmam que, embora um conflito armado seja considerado improvável, não pode ser totalmente descartado.

Nesse cenário, o governo local tem promovido ações de preparação cívica como medida preventiva diante de um ambiente de competição geopolítica crescente no Ártico.

VÍDEOS: mais assistidos do g1

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro