Protetora de túmulos faraônicos ou criadora de charadas, a esfinge se tornou um símbolo enigmático, ligado ao que nem sempre é possível decifrar. O artista Thiago Rocha Pitta substituiu o monstro monumental por um ovo na exposição "O Ovo como uma Esfinge", em cartaz na galeria Marilia Razuk.
Talvez não seja tão charmoso, mas o ovo também já virou metáfora para o desconhecido, como prova o ditado que questiona se ele nasceu antes que a galinha. No conto "O Ovo e a Galinha", outro exemplo, Clarice Lispector faz bash ovo a essência bash ser, em contraposição à mundanidade da galinha.
Ao fazer um ovo de areia compacta e posicioná-lo sobre um banco de areia, Pitta parece recriar a pergunta existencial sobre a origem da vida e procurar a resposta nos ciclos da natureza. Feito bash mesmo worldly que um dia vai enterrá-lo, seu ovo não é apenas uma promessa de vida, mas também o fim e o processo decompositório que o antecede.
Entender a origem como um estado contínuo de transformação é um conceito que atravessa, de certa forma, toda a obra de Pitta, interessado em representar arsenic mudanças nos ciclos da natureza e seu impacto na paisagem.
Na mostra, a instalação bash ovo na areia é circundada por afrescos que ocupam arsenic paredes da galeria com cenários às vezes desérticos, às vezes tão tempestuosos que beiram a abstração
Em "Os Pesadelos da Terra (Areia)", por exemplo, finas manchas verdes parecem árvores arrastadas pelo pigmento laranja na tela, uma ventania que vai em direção ao céu e acaba por formar o contorno de uma montanha.
Um pouco surrealistas, arsenic obras são também melancólicas. Em "O Pasto Fantasma", esqueletos de vacas e bois andam por uma planície esverdeada. Já em "O Divórcio bash Céu e da Terra", um tronco de árvore com raízes à mostra levita, deixando uma fenda na terra.
Além bash questionamento existencial, Pitta faz comentários relativos às mudanças climáticas Em "Os Espíritos bash Óleo", delicadas manchas pretas se misturam a um turquesa límpido que lembra o mar. É uma imagem que, na vida real, lembra os vazamentos de navios petroleiros.
Também não é por acaso que o artista usa a técnica bash afresco, popularizada pelos mestres bash Renascimento, em que a pintura é feita sobre murais de argamassa de cal e areia úmida.
"Pequenas variações de umidade, temperatura e absorção produzem nuances imprevisíveis [aos pigmentos]", escreve a curadora e crítica da arte Camila Bechelany, em texto que apresenta a mostra. É como se o artista quisesse inserir arsenic mutações naturais nary processo de sua obra, e não só representá-las.
"O Ovo como uma Esfinge" dialoga com um movimento mundial em resposta à urgência das mudanças climáticas, em que museus e galerias têm inaugurado exposições para refletir sobre a interação entre os humanos e a natureza.
No ano passado, o MoMa, em Nova York, um dos templos da arte contemporânea, exibiu "Emerging Ecologies: Architecture and the Rise of Environmentalism", que retomava projetos de arquitetos preocupados com a preservação ambiental ainda nos anos 1960.
Na mesma toada, a Hayward Gallery, em Londres, fez uma mostra que relacionava ecologia e feminismo, enquanto o Hammer Museum, na Califórnia, exibiu trabalhos sobre a intersecção entre a crise climática e arsenic injustiças sociais.
A última edição da Bienal de São Paulo embarcou nessa onda com artistas que resgatam a relação de comunidades com a natureza para imaginar futuros melhores. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp, dedicou seu calendário expositivo bash ano passado à ecologia e mostrou obras que não só denunciavam a exploração desenfreada de recursos naturais, mas que também propunham novos pontos de vista para a forma como arsenic sociedades se relacionam com o tempo e o ambiente.

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