
Crédito, Getty Images
- Author, Redação*
18 fevereiro 2026, 13:11 -03
Atualizado Há 18 minutos
Tempo de leitura: 4 min
O mais recente episódio envolvendo Vinicius Junior reacendeu o debate sobre racismo no futebol europeu e levou a Uefa a agir rapidamente.
A entidade anunciou às 13h desta quarta-feira a abertura de uma investigação oficial após o atacante brasileiro relatar ter sido alvo de ofensa de cunho racista durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, em Lisboa, pelo playoff da Liga dos Campeões 2025/2026.
Segundo comunicado da Uefa, um inspetor de Ética e Disciplina foi designado para apurar as alegações de comportamento discriminatório ocorridas na partida de 17 de fevereiro. Novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.
O jogo chegou a ser interrompido por 10 minutos após Vinicius comunicar o incidente ao árbitro François Letexier.
Jogadores das duas equipes deixaram o campo, e o protocolo antirracismo foi acionado.
O gesto de braços cruzados utilizado pelo árbitro faz parte do protocolo introduzido pela Fifa em 2024 para sinalizar denúncias de racismo em campo.
O brasileiro havia acabado de marcar o gol da vitória quando ocorreu a discussão com o meio-campista argentino Gianluca Prestianni, que nega ter proferido insultos racistas.
Após a paralisação, a partida foi retomada e terminou com vitória do Real Madrid por 1 a 0.
Durante os acréscimos, um objeto lançado da arquibancada atingiu o braço do jogador.
Em uma publicação nas redes sociais, Vinicius afirmou que "racistas são, acima de tudo, covardes" e criticou a forma como o protocolo foi conduzido. "Nada do que aconteceu hoje é novo na minha vida", escreveu o jogador, que acumula diversos episódios semelhantes ao longo da carreira.
Ele também afirmou ter recebido cartão amarelo pela comemoração do gol e disse não compreender a decisão.
Prestianni negou as acusações e declarou que o brasileiro interpretou mal o que teria ouvido.
"Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas a Vini Jr., que lamentavelmente interpretou mal o que achou ter ouvido", disse o jogador. Ele também afirmou ter recebido ameaças após o episódio.
Em publicação nas redes sociais, o Benfica defendeu o atleta e afirmou que, pela distância, os jogadores do Real Madrid não poderiam ter ouvido o que alegam ter sido dito.

Crédito, Getty Images
Caso a investigação da Uefa conclua que houve abuso racial, Prestianni poderá receber uma suspensão mínima de 10 partidas em competições europeias.
A punição obrigatória foi introduzida em 2013, quando Gianni Infantino era secretário-geral da entidade, e já foi aplicada em casos anteriores, como o do zagueiro Ondrej Kudela, banido por dez jogos após ofensas racistas contra Glen Kamara em 2021.
Regulamentos da Uefa determinam esse mínimo disciplinar, embora sanções adicionais possam ser impostas dependendo da gravidade do caso.
Reações e controvérsias
O episódio gerou repercussão. Companheiros de equipe e ex-jogadores condenaram o suposto ataque, enquanto o técnico do Benfica, José Mourinho, foi criticado por comentários interpretados como relativização do caso ao insinuar que a comemoração de Vinicius teria provocado a torcida.
O lateral Trent Alexander-Arnold classificou o episódio como "uma vergonha para o futebol", e o ex-meia Clarence Seedorf afirmou que nunca se deve justificar abuso racial. Thierry Henry, que também sofreu racismo durante a carreira, disse compreender a sensação de solidão vivida por jogadores nessas situações.
Henry afirmou que, em episódios desse tipo, muitas vezes se trata da palavra de um jogador contra a de outro, o que pode gerar sensação de isolamento para quem denuncia a agressão.
Segundo o protocolo antirracismo adotado pela Uefa desde 2009, os árbitros podem interromper ou até encerrar partidas em casos de discriminação.
O procedimento prevê três etapas: interromper o jogo e fazer um anúncio no estádio, suspender a partida por cinco a dez minutos com retirada dos jogadores de campo e, em caso de persistência, abandonar o jogo após avaliação de segurança.
O episódio em Lisboa não é um caso isolado. Desde que se tornou protagonista no futebol europeu, Vinicius Junior tem denunciado repetidamente episódios de racismo — dentro e fora de campo — e sua trajetória se tornou um retrato da persistência do problema no esporte.
Em setembro de 2022, torcedores do Atlético de Madrid entoaram cânticos racistas contra o brasileiro nos arredores do estádio antes de um clássico contra o Real Madrid. O clube condenou o comportamento, classificando-o como "inaceitável".
Em janeiro de 2023, um boneco com a camisa de Vinicius foi pendurado em uma ponte próxima ao centro de treinamento do Real Madrid — gesto amplamente interpretado como ameaça. Quatro homens foram multados em 60 mil euros e proibidos de frequentar estádios por dois anos.
Em maio de 2023, Vinicius sofreu abusos racistas de torcedores do Valencia durante uma partida de La Liga. O atacante interrompeu o jogo para alertar o árbitro e, mais tarde, foi expulso após uma confusão generalizada.
O Real Madrid denunciou o episódio à promotoria espanhola como crime de ódio, transformando o caso em um marco jurídico.
Em março de 2024, o clube voltou a apresentar queixa após o árbitro de uma partida contra o Osasuna não incluir em seu relatório alegações de insultos racistas vindos da torcida.
Dias depois, o próprio Vinicius afirmou sentir-se "cada vez com menos vontade de jogar futebol" diante da repetição dos ataques, evidenciando o impacto psicológico da discriminação contínua.
Em junho de 2024, após a condenação de torcedores do Valencia, o atacante declarou ser um "algoz de racistas", reforçando sua postura combativa.
Em novembro de 2024, o Real Madrid anunciou punição a um torcedor menor de idade que havia cometido abuso racial contra o jogador, incluindo multa e proibição de frequentar estádios por um ano.
Em maio de 2025, a Justiça espanhola proferiu uma decisão considerada histórica: cinco pessoas receberam penas suspensas de prisão por insultos racistas contra Vinicius durante uma partida contra o Real Valladolid, em 2022. Foi a primeira vez que condenações desse tipo ocorreram no país em contexto de futebol.
Em 17 de fevereiro de 2026, a partida entre Benfica e Real Madrid foi interrompida por 10 minutos após Vinicius relatar um ataque racista, levando à abertura de investigação pela Uefa e reacendendo o debate internacional sobre a eficácia dos protocolos antirracismo.
*Com informações da BBC News

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
2 horas atrás
3





:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)



:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)






Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro