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Banalizar o terror ameaça a economia brasileira

Vale dizer, a porta-voz de Marco Rubio, Amanda Roberson, já negou a história do senador Bolsonaro e explicou que as motivações da decisão envolvem o combate ao terrorismo e que as empresas e setores da economia brasileira não ligados a essas atividades serão preservados. Também afastou a hipótese de ações militares no Brasil. Mas a verdade é que a classificação das organizações criminosas, PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), como terroristas, não colabora para combater o crime organizado no Brasil. Sim, é isso que essas siglas representam: expoentes do nefasto crime organizado.

Em parte, o país é culpado pela negligência em elaborar e executar políticas de segurança pública e combate ao crime à altura dessas organizações que tanto mal fazem ao Brasil. Suas entranhas e suas teias, na sociedade e na economia, já deveriam ter despertado a ação coordenada das autoridades dos três poderes nas três esferas federativas. Esse diagnóstico, contudo, não justifica qualquer intervenção estrangeira, até porque não se trata de terrorismo, conceito bastante bem fundamentado na nossa Constituição e em legislação que a regulamenta.

O terrorismo é, segundo a lei, a prática violenta relacionada à xenofobia, à discriminação ou ao preconceito. O PCC e o CV são organizações criminosas enraizadas em setores da política, da economia, das finanças, dos partidos e dos governos com vistas a maximizar lucros na exploração de negócios ilícitos, notadamente o tráfico de drogas. Contra isso é que temos de lutar, mobilizando todas as estruturas institucionais competentes, forças políticas e lideranças capacitadas. A voluntariosa posição tomada pelos EUA é indesejada também por isto: confunde, pois soa ao cidadão comum como se correta fosse. Na prática, atrapalhará o combate decisivo às referidas organizações criminosas, além de ameaçar a estabilidade macroeconômica do nosso país.

O fato é que não se controla a dinâmica dos mercados e dos fluxos de capitais. Essa agressão ao Brasil deve ser encarada como um risco adicional, portanto. Os fluxos de investimentos para o Brasil podem arrefecer, implicando taxa de câmbio mais pressionada, camadas extras de inflação e juros turbinados. A fragilização das contas externas, neste momento, legaria ao país complicações muito sérias para possíveis estratégias de crescimento econômico e reorganização das contas públicas a partir de 2027.

Segundo o Banco Central, os investimentos estrangeiros diretos se aproximam de US$ 80 bilhões no total acumulado em 12 meses até abril de 2026. Em percentual do PIB, são 3,3%. Esse volume robusto de fluxos de boa qualidade supera o déficit em conta corrente, de cerca de US$ 64 bilhões ou 2,7% do PIB. Essa situação de equilíbrio complementa-se por um robusto estoque de reservas internacionais, de quase US$ 370 bilhões. Com inflação controlada, crescimento mediano e desemprego baixo, o Brasil é o país emergente mais bem posicionado no presente. Suas fragilidades são conhecidas: juros estratosféricos e dívida pública elevada e crescente.

A decisão de Rubio pode turvar a situação econômica brasileira a ponto de pôr em risco a oportunidade de um ciclo de desenvolvimento mais intenso no curto e no médio prazos. Além da superação dos desafios mencionados, teríamos de lidar com um quadro de desconfiança, aversão ao risco, piora dos capitais entrantes, deterioração do balanço de pagamentos e, assim, enfrentaríamos todas as consequências negativas desse processo.

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