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Bancada Master é de direita, e ninguém governa sem ela

O afastamento de Dias Toffoli do caso Master foi tardio, mas bem-vindo. E, se o afastamento ampliar o foco do público para além do STF, pode ajudá-lo a entender o que foi a mutreta política erguida ao redor da mutreta financeira de Daniel Vorcaro.

Ela aconteceu, sobretudo, no Congresso, nos estados e municípios. E, a menos que o conteúdo do celular de Vorcaro nos mostre outra coisa, foi feita majoritariamente pela direita.

Os dois partidos que declararam apoio a Dias Toffoli após seu afastamento são de direita: Partido Progressista (PP) e União Brasil. O ex-presidente da Câmara Arthur Lira, é do PP. Lira indicou para o TCU o ministro (e ex-deputado do Republicanos) que atropelou o Bacen no caso Master. O presidente do Senado, David Alcolumbre, é do União Brasil do Amapá, estado que pôs grana no banco de Vorcaro.

O deputado Ciro Nogueira (PP-PI), que assina a nota de apoio a Toffoli, é o autor de uma emenda à PEC 65, de 2003, que teria aumentado o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

O deputado de direita Filipe Barros (PL-PR), que em reunião no Congresso em 30 de novembro de 2022 pediu um golpe por aplicação do "artigo 142", é autor do projeto de lei 4395, de 2024, que também aumentaria a cobertura do FGC no mesmo valor. As duas propostas foram, obviamente, tentativas de salvar o Banco Master aumentando a conta do prejuízo que seria paga pelo FGC.

Dos 18 entes federativos (estados ou municípios) que colocaram dinheiro de aposentados no Banco Master, 17 eram governados pela direita. Se quisermos equilibrar o placar colocando na conta a ala do PT na Bahia que tem um rolo com um sócio de Daniel Vorcaro, o placar fica em 17 a 2.

O governador do Distrito Federal que tentou salvar o Banco Master com dinheiro público do BRB é o direitista Ibaneis Rocha. Foi a sua polícia, sob comando do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro (atualmente preso), que deixou os golpistas de 8 de Janeiro destruírem a praça dos Três Poderes.

A imprensa também noticiou que esquerdistas como Guido Mantega fizeram lobby pelo Master, e que o escritório de advocacia do esquerdista Ricardo Lewandowski manteve um contrato com o Master enquanto ele era ministro da Justiça do esquerdista Lula. Mas até agora não se tem notícia de atuação do esquerdista Lula, ou do esquerdista Haddad, em favor do Master: Não há —até agora, pelo menos— uma fraude da RioPrev de esquerda, não há uma emenda Master de esquerda, não há uma operação BRB de esquerda.

Como bem disse Marina Amaral em artigo para a Agência Pública, "a bancada do Master é de direita".

Aí você pode perguntar: se é assim, por que a esquerda não está fazendo um fuzuê acusando a direita por seu papel central no escândalo?

É triste, mas é simples: porque a esquerda, como a direita e o centro, precisa de apoio da bancada Master para governar. Como veremos na campanha desse ano, todos também precisam dela para se eleger.

Isso também ajuda a explicar por que Flávio Bolsonaro, do outro lado do espectro ideológico, tem evitado falar do escândalo. Não é só porque os envolvidos têm a mesma ideologia que ele, não é só por gratidão a Toffoli por tê-lo livrado no caso Queiroz: é porque ninguém governa sem a bancada Master.

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