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Banco digital é seguro? Especialista explica quando você deve se preocupar

A liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central nesta quarta-feira (21) trouxe medo para clientes de bancos digitais. O aumento nas buscas por alternativas e, ao mesmo tempo, o temor de que esses serviços “sumam do dia para a noite” mostram como episódios pontuais ainda geram dúvidas sobre a fragilidade dessas instituições. Para entender se esse medo faz sentido do ponto de vista técnico e como o consumidor pode interpretar sinais reais de risco, o TechTudo conversou com Marcello Marin, contador, administrador e mestre em Governança Corporativa. Confira.

Com medo de banco digital? Especialista explica quando você deve se preocupar — Foto: Mariana Saguias/TechTudo Com medo de banco digital? Especialista explica quando você deve se preocupar — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Bancos digitais são mais frágeis que os tradicionais?

A ideia de que bancos digitais seriam mais frágeis costuma surgir quando uma instituição enfrenta dificuldades e o episódio ganha grande repercussão. No entanto, do ponto de vista técnico, o modelo de operação não é o fator determinante para medir riscos. O que realmente diferencia uma instituição sólida de uma vulnerável está na forma como ela administra capital, controla riscos e mantém sua governança. Marcello Marin destaca que a fragilidade não está ligada ao fato de o banco ser digital ou tradicional, mas à qualidade da gestão.

"Fragilidade não tem a ver com ser digital ou físico, mas com gestão, capital, controle de risco e governança. Existem bancos digitais muito bem estruturados e bancos tradicionais mal geridos. O modelo digital reduz custos, mas exige disciplina financeira. Quando isso falha, o problema aparece.”
 Fernando Braga Segundo especialista, fragilidade tem a ver com gestão e não com formato digital ou tradicional — Foto: Fernando Braga

O que realmente define a solidez de um banco hoje

Quando se fala em solidez financeira, o modelo de operação tende a pesar menos do que muita gente imagina. Segundo Marin, o que sustenta uma instituição ao longo do tempo está ligado ao "capital suficiente, boa gestão de risco, liquidez, diversificação de receitas e governança séria", afirma.

"Banco sólido não é o que cresce rápido, é o que cresce com controle. Além disso, transparência e aderência às regras do Banco Central pesam muito", completa.

Nesse cenário, a governança corporativa é um fator determinante, já que processos claros, transparência e respeito às regras do Banco Central do Brasil ajudam a separar instituições sustentáveis daquelas que apenas crescem em número de clientes.

 Divulgação/Pexels Para especialista, governança administrativa é o que garante solidez à instituição — Foto: Divulgação/Pexels

Como o Banco Central do Brasil atua para evitar crises maiores

Embora a atuação do Banco Central passe despercebida pelo público, ele é um dos principais pilares de estabilidade do sistema financeiro. "O Banco Central funciona como um guardião do sistema. Ele fiscaliza, exige capital mínimo e acompanha indicadores de risco", explica.

Marin ainda pontua que o BC pode intervir antes de dificuldades pontuais se transformem em uma crise mais ampla, evitando efeitos em cadeia que afetariam clientes e o mercado como um todo: "quando necessário, [o BC] intervém antes que o problema vire um efeito dominó. Nem sempre o público vê, mas muita crise é evitada antes de chegar ao cliente", explica.

 Arte/TechTudo BC atua silenciosamente para conter crises antes delas chegarem ao público — Foto: Arte/TechTudo

O que o cliente deve checar antes de entrar em pânico

Em momentos de incerteza, a reação imediata de sacar dinheiro ou encerrar contas nem sempre é a melhor escolha. Na avaliação de Marin, o cliente deve confirmar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central e se os valores depositados estão dentro do limite de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). "Primeiro, se o banco é autorizado e supervisionado pelo Banco Central. Segundo, se os valores estão dentro do limite garantido pelo FGC", afirma.

O especialista também ressalta a importância de não tomar decisões baseadas em boatos ou informações que circulam nas redes sociais, já que o pânico tende a ampliar prejuízos — como o risco de cair em golpes — e não resolve problemas estruturais. "Terceiro, evitar decisões por boatos ou redes sociais. Pânico costuma causar mais prejuízo do que o problema em si.", conclui Marin.

 Mariana Saguias/TechTudo Especialista alerta para que consumidores não acreditem em boatos de redes sociais — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Sinais que realmente merecem atenção em um banco digital

Nem toda notícia negativa indica um risco iminente, mas alguns comportamentos das instituições financeiras merecem atenção especial. Segundo Marin, é importante ficar de olho em mudanças repentinas e falhas recorrentes na comunicação com os clientes, que podem indicar dificuldades operacionais ou de gestão. A transparência, nesse cenário, é um dos principais indicadores de saúde institucional.

“Mudanças bruscas nas regras, restrições frequentes de saque, atrasos incomuns, comunicação confusa e falta de transparência. Banco saudável explica, comunica e antecipa. Quando o silêncio aparece, aí sim vale ligar o alerta.”, explica Marin.

O especialista reforça que o foco do consumidor não deve estar no rótulo “digital” ou “tradicional”, mas na forma como a instituição administra seus recursos e estrutura sua governança.

“Devemos entender que o problema não é o banco digital, o problema é uma instituição que trabalha de forma indevida com o capital, pode ser digital ou não, precisa ter boa governança e ter uma boa gestão, independente de ser digital ou físico.”, conclui.
 Reprodução/Shutterstock Veja sinais que merecem atenção em um banco digital — Foto: Reprodução/Shutterstock

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