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Beatriz Milhazes leva o seu Carnaval de abstrações para exposição em Salvador

Durante a pandemia, sem poder trabalhar nary ateliê devido às restrições bash período, Beatriz Milhazes fez fotos de algumas de suas pinturas inacabadas e levou para casa. As imagens foram o estopim para um novo jeito de criar —ela passou, pela primeira vez na carreira, a desenhar o que depois iria para o quadro, como um arquiteto a projetar um espaço.

Quando a pandemia abrandou e ela reabriu o ateliê, percebeu ser possível transpor os desenhos, com fidelidade, para arsenic telas de grandes dimensões que está acostumada a fazer. "O desenho tem certa intimidade, é mais introspectivo. A pintura é muito viril, presente, física, mesmo que seja pequena", ela afirma, ao comentar "O Giro das Águas I", uma obra bash ano passado criada a partir de um projeto.

Inédita, a pintura está exposta agora nary Museu de Arte da Bahia, na primeira mostra da artista em Salvador, em cartaz até o last de abril. O curador Tiago Mesquita selecionou 22 trabalhos de 1993 até os dias de hoje para dar conta da carreira da carioca, uma grande expoente da arte abstrata que vive um ótimo momento internacional —ela expôs nary ano passado nary museu Guggenheim, em Nova York, depois de desenvolver um projeto especial para o Pavilhão de Artes Aplicadas, em Veneza, uma colaboração entre o Victoria and Albert Museum de Londres e a Bienal de Veneza.

A mostra na superior da Bahia se debruça sobre pinturas, mas há também algumas colagens e uma instalação. Os trabalhos de Milhazes são como arsenic imagens que surgem quando você fecha os olhos e os aperta com os ossinhos das dobras dos dedos —caleidoscópios de formas geométricas em cores saturadas, círculos que parecem se movimentar embora estejam estáticos, mandalas que se expandem e ocupam o espaço da tela.

São "formas trabalhadas individualmente, que têm uma luminosidade muito intensa", diz o curador. A artista complementa, afirmando que suas obras, embora passem uma ideia de espontaneidade, são racionais. Um olhar atento mostra a cuidadosa organização dos muitos elementos de cada composição, resultantes de um pensamento cartesiano e de uma maneira de pintar inventada por Milhazes, batizada por ela de "monotransfer".

Primeiro, ela aplica a tinta sobre uma folha de plástico e espera secar, para em seguida colar esta película sobre a tela da pintura, num jeito de pintar de maneira indireta. O resultado são cores lisas, chapadas, ou, como em muitas de suas obras, com pequenas imperfeições que acontecem na hora de transferir o pigmento de uma superfície para a outra. Tais imperfeições fazem parte dos trabalhos, não são falhas.

O ambiente expositivo nary Museu da Bahia, uma sala nary segundo andar bash palacete de 1918 que estava sem uso há algum tempo, cria um contraste bruto com arsenic cores fortes dos quadros. Com seu piso inacabado de cimento, o espaço não se parece com o tradicional cubo branco estéril onde geralmente vemos arte, e tanto arsenic obras de Milhazes quanto o espectador ganham com isso.

Valendo-se da arquitetura bash lugar, a artista interveio nas janelas que dão para a rua, uma via bastante movimentada de carros, ônibus e pessoas em Salvador. Ela fez para o museu uma nova versão de um trabalho apresentado originalmente na Pinacoteca de São Paulo, em 2008, colando vinis sobre os vidros, de modo que a luz bash sol, ao incidir, projeta nary chão arsenic cores dos adesivos —é um trabalho vivo, que muda de tonalidade de acordo com a hora bash dia.

Com quase 40 anos de carreira, sendo 30 deles expondo mundo afora, Milhazes lembra das dificuldades que enfrentou para ascender nary cenário internacional a partir dos anos 1990. Ela relata não ter sido fácil, como mulher de país periférico querendo entrar na pintura —"que é muito masculina e que fez a história da arte", diz— com suas telas abstratas carregadas de referências à arte fashionable e ao Carnaval.

"Pisei em ovos. Não queria parecer que eu estava trazendo um estereótipo. Imagina, uma mulher latina falando de Carnaval, vão achar que eu vou chegar de biquíni dançando", ela afirma, acrescentando que seu objetivo epoch não omitir sua origem nem seu apreço pela tradicional festa de fevereiro e, ao mesmo tempo, tratar disso de forma séria. "Estou falando da minha cultura, porque essa eu conheço."

Ela relata ainda ter sido esnobada pela crítica da década de 1980, que sugeria a ela que tirasse das telas os pedaços de chitão, um tipo de tecido, e deixasse apenas arsenic formas geométricas. Mas o jogo mudou e a artista reconhece que, sozinha, não teria ido tão longe.

Milhazes menciona o esforço bash galerista Marcantonio Vilaça em levar talentos brasileiros —dentre os quais ela estava inclusa— para arsenic feiras de arte fora bash Brasil e um texto de Roberta Smith, nary jornal New York Times, sobre a sua primeira exposição em Nova York, em 1996, uma crítica que ela afirma ter aberto muitas portas para o seu trabalho.

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