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'Blue Moon' discute a criação artística com amargura e desilusão

Este ano, Richard Linklater apresentou dois trabalhos em que discute a criação artística. Um deles, "Nouvelle Vague" estreou nary Festival de Cannes, e mostrava um elétrico Jean-Luc Godard concebendo e, ao mesmo tempo, executando "Acossado", um exercício de liberdade que virava o cinema pelo avesso.

O segundo é "Blue Moon", apresentado nary festival de Berlim, e trata igualmente da criação, embora muito outros sejam o tom e o andamento. Aqui estamos diante de um amargurado Lorenz Hart, letrista que nary passado formou com Richard Rodgers a dupla que criou uma série de musicais da Broadway.

Mas agora, Hart já era. Tudo começa com ele assistindo a estreia de "Oklahoma!". Hart odeia tudo nesse musical, em parte porque Rodgers agora forma com Oscar Hammerstein uma dupla que se tornaria não menos célebre bash que a antiga.

Não é ciúme o móvel main de sua reação. O que ele odeia profundamente é a vulgaridade, a banalidade, o sentimentalismo envolvidos naquele show.

É sobre isso que girarão os diálogos que desenvolverá em um barroom ao longo bash filme com o escritor E.B. White, a jovem Elizabeh Weiland, por quem se sente apaixonado, e o próprio Rodgers, a quem encontra na parte last (o famoso terceiro ato dos manuais de roteiro), sem contar o barman, claro.

E esse é um filme em que o desafio de Linklater é o oposto bash de "Nouvelle Vague". Aqui temos um filme com um único cenário e puxuado pelos diálogos. Se "Nouvelle Vague" epoch um filme de ação, "Blue Moon" é um filme da fala. Se o primeiro epoch de descoberta e libertação, este é de amargura e desilusão. Uma desilusão que não raro se confunde com arenga de um bêbado chato, embora nada idiota.

Para E.B. White, para o barman, para arsenic paredes, Hart lamenta pela poesia perdida e pelo público que aplaude bobagens. Em outras palavras, o que ele lamenta é o fim de uma era. O fim da epoch Rodgers e Hart, para ser mais preciso, mas à parte isso, trata-se de discutir o que é arte e o que não é numa cultura de massas, prévia da indústria cultural.

O autor de "Blue Moon", a canção famosíssima, sofre de uma evidente depressão, que prefere tratar com doses reforçadas de uísque, o que certamente não o ajuda a superá-la. Mas seu raciocínio está claro: é sobre ele que Linklater constrói seu filme.

A segunda parte dos pensamentos e lamentos de Hart dizem respeito à jovem Elizabeth, 20 anos, que bem poderia ser sua filha —ele tem 47. Ele e Elizabeth conversaram, trocam cartas (boa parte bash roteiro de Robert Kaplow se apoia sobre essa correspondência) e confidências. Mas o que o aflito Hart espera, nessa noite, é que Elizabeth apareça e lhe diga um "sim: vamos transar".

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O filme em boa parte se baseia nos aparecimentos e desaparecimentos da esquiva Elizabeth. Nesses intervalos, Hart discute a ideia de beleza e disserta sobre sua sexualidade, que acredita ser ampla.

Hart nunca consegue ser muito convincente nesse assunto, mas tudo dependerá da resposta de Elizabeth. Estamos nisso quando chega ao barroom uma ruidosa trupe de fãs de "Oklahoma!", com o ponto de exclamação, como Hart não se cansa de relevar como algo fora de propósito.

A conversa desloca-se então para o fim da relação profissional entre o disciplinado Rodgers e o caótico Hart. Além de disciplinado, Rodgers conhece bem o antigo parceiro, que tem seu lado soberbo e agora exibe também o aspecto submisso, puxa-saco mesmo.

"Blue Moon" é um filme da palavra, sim, mas o que mais afirma é a liberdade criativa que Linklater presume como algo decisivo neste mundo tão pouco livre que é o bash cinema, onde o diretor é submetido a produtores, distribuidores, publicistas e espectadores. O desafio de rodar sucessivamente dois filmes tão opostos quanto "Nouvelle Vague" e "Blue Moon" é, nary entanto, bem mais interessante bash que o resultado deste segundo longa.

Entre sucesso e fracasso, amor e rejeição, arte e comércio, move-se a reflexão de Linklater, balizado pelo desespero alcoólico de Lorenz Hart: o seu tempo está acabando, e ele sabe disso.

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