Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistem na anistia para os presos nos ataques golpistas às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023 e classificam os ato marcados pelo presidente Lula (PT) como "cortina de fumaça" para problemas do governo.
O Palácio do Planalto fará nesta quarta-feira (8) a apresentação de obras depredadas e agora restauradas, como o quadro "As Mulatas", do pintor Di Cavalcanti, seguida por uma cerimônia com autoridades. Por fim, haverá um abraço simbólico com a militância de esquerda na praça dos Três Poderes.
Dois anos depois dos ataques, bolsonaristas mantém discurso de que não houve tentativa de golpe e de que há prisões ou penas injustas. Deputados e senadores do PL, partido de Bolsonaro, dizem ainda acreditar que o projeto que propõe a anistia terá andamento neste ano, apesar de o tema ter estacionado no ano passado.
"O governo segue tentando fazer cortinas de fumaças sobre o desastre que tem sido essa administração", diz o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição na Câmara.
"Inflação alta, juros explodindo, dólar num patamar nunca antes visto, preço dos alimentos cada vez mais altos, e tudo o que esse governo sabe fazer é reviver diariamente o 8 de janeiro e alimentar essa narrativa de golpe, uma ditadura imaginária."
Jordy foi alvo de buscas da Polícia Federal em janeiro de 2024 no âmbito da Operação Lesa Pátria, destinada a identificar pessoas que planejaram, financiaram e incitaram os ataques do 8 de janeiro.
Já o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou Lula por fazer um paralelo entre eles e a ditadura de 1964. Queixou-se ainda de perseguição a adversários e disse que o petista fará circo na praça dos Três Poderes.
"O presidente que fala de democracia inabalada é o mesmo que defende democracia relativa da Venezuela. Dois dias depois do circo da praça dos Três Poderes, o Brasil estará representado oficialmente no estupro da democracia da Venezuela", disse Marinho, que foi ministro de Bolsonaro.
O senador se refere ao fato de que o governo brasileiro estará representado na posse do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela, com a embaixadora em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, apesar de não reconhecer oficialmente o resultado das eleições do ano passado no país vizinho.
Entre bolsonaristas, a avaliação geral é de que o clima já distensionou um pouco desde o relatório da PF que pediu o indiciamento de quase 40 bolsonaristas, dentre eles o próprio ex-presidente, por suposta tentativa de golpe em 2022. O mesmo ocorre com relação ao atentado com bombas em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), em novembro passado.
O grupo acredita que Hugo Motta (Republicanos-PB), provável presidente da Câmara a partir de fevereiro, seguirá o compromisso dito a dirigentes do PL de colocar para votar a proposta de anistia. A chance de aprovação do texto, no entanto, é vista como remota mesmo entre os mais otimistas.
Eles citam o peso do governo contra a medida, com a possibilidade de a base postergar a indicação de nomes para a comissão especial que deve ser criada para o tema. Além disso, há possibilidade de não haver votos no plenário.
"Não posso ser assertivo por uma situação que não depende de mim. O Parlamento, ao contrário do Executivo, é plural. Claro que se tem presidente da República numa sanha persecutória, estimulando aniquilação de campo político, isso fica mais difícil, mas temos argumentos racionalidade e necessidade de pacificar o país. Se presidente não tem estatura para isso, Congresso tem que ter", afirmou Marinho.
O fato de Hugo Motta ter sido convidado para o ato no Palácio do Planalto e não comparecer foi interpretado como um gesto positivo por deputados bolsonaristas. Ele costurou apoio para sucessão de Arthur Lira (PP-AL) desde o PT ao PL.
"É um democrata, cidadão de bem. Não tem por que participar, e tem compromisso conosco em colocar pra votar o PL da anistia", disse o deputado Bibo Nunes (PL-RS).
Deputados de oposição mais céticos, por sua vez, acreditam que a proposta tem poucas chances de prosperar e que Hugo Motta não comprará desgaste com o governo para isso.
Não há previsão de ato, a princípio, por parte da oposição para defender os presos. A avaliação é de que a data não é boa para eles, e Marinho chega a dizer que é preciso "esquecer, não lembrar" do episódio.
Ainda assim, a previsão é de que muitos se manifestem em redes sociais, sobretudo para criticar o ato do governo Lula, que neste ano deve ter um caráter mais político do que o do ano passado.

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1 ano atrás
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