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Bolsonaristas veem descaso de Tarcísio com segurança e tiro no pé ao expurgar aliados de Derrite

A exoneração de ao menos 14 pessoas ligadas ao ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite da pasta, anunciada nesta quarta-feira (4), é o ápice de um processo de meses de desgaste dele com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo pessoas que acompanham o tema, uma queixa constante do então secretário era a falta de investimentos do governo na área, o que iria contra um compromisso de campanha de Tarcísio de priorizar a segurança.

Entre as promessas que teriam sido descumpridas pelo governador estão plano de carreira para policiais civis e militares e reajustes salariais represados, demora na aprovação da nova Lei Orgânica da Polícia Civil e atrasos no programa Moradia Segura, de habitação para cerca de 50 mil policiais.

O orçamento de investimento da secretaria, que chegou a R$ 1,3 bilhão na gestão João Doria, caiu para R$ 250 milhões em 2024, sendo parcialmente recomposto apenas com emendas parlamentares. Um dos resultados foi o sucateamento de equipamentos como coletes à prova de balas.

O desgaste na relação contribuiu para que Derrite antecipasse sua saída da secretaria no final do ano passado. Ele reassumiu sua cadeira de deputado federal e deve ser candidato ao Senado pelo PP.

A aliados, Derrite disse ter sido surpreendido com as demissões. O gatilho, segundo o Painel apurou, teria sido uma reunião de coronéis da PM na semana passada, em que houve reclamações sobre a questão orçamentária. Relatos foram levados ao Palácio dos Bandeirantes, deflagrando a operação para tirar da pasta os remanescentes da gestão Derrite.

Por ter sido uma ordem vinda diretamente de Tarcísio, restou ao atual secretário de Segurança, Osvaldo Nico, apenas acatar.

Pessoas ligadas a Derrite dizem nos bastidores também que a decisão do governador foi um tiro no pé, por retirar de postos de comando da secretaria pessoas que cuidavam da estrutura de combate ao crime organizado, e que inevitavelmente haverá turbulência na área num momento sensível, às portas de uma campanha eleitoral.

Como mostrou o Painel, bolsonaristas têm reclamado nos bastidores do expurgo, dizendo que é mais um sintoma de que Tarcísio não tem afinidade com a direita. Derrite era, afinal, o principal aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro no secretariado.

Contribuiu também para a decisão a tensão do governador com o PP, partido que no ano passado reclamou do tratamento dado por Tarcísio a prefeitos e da queda no orçamento da área da segurança.

Apesar da insatisfação, pessoas próximas ao ex-secretário dizem que ele não pretende romper com Tarcísio e deve estar na chapa dele à reeleição, como candidato ao Senado. A aliança seria preservada dentro do objetivo maior de derrotar Lula e ajudar na eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente.

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