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Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo

Ainda assim, segundo o estudo, pelo menos metade dos entrevistados brasileiros não acham que as políticas de Trump sejam boas para o Brasil ou para o mundo. A maioria dos cidadãos nos onze países pesquisados enxergam com maus olhos a gestão do republicano.

A pesquisa foi realizada em novembro de 2025, antes da recente escalada nas operações contra imigrantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Os entrevistados vêm dos países do G7, isto é, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, bem como do Brasil, da Índia, da China e da África do Sul.

De acordo com a pesquisa, o Brasil é o terceiro país onde mais pessoas concordam que as políticas de Trump são boas para o mundo (34%), atrás apenas dos Estados Unidos (37%) e da Índia (36%).

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Discordam dessa afirmação no Brasil 50%, mesmo percentual dos americanos, acima apenas deChina (46%) e Índia (44%). Nos demais países, a reprovação ao presidente americano foi maior.

Percepções mistas em ano de desafios

Quando perguntados se acreditavam que as políticas de Trump eram boas para o próprio país, os brasileiros foram também os terceiros que mais concordaram com a afirmação (30%). Pouco mais da maioria (53%), entretanto, discordou.

No ano passado, a diplomacia brasileira enfrentou uma série de desafios para manter uma boa relação com os EUA, conforme destaca o relatório.

"Muitos dos que inicialmente receberam Trump com otimismo tiveram, desde então, experiências que os fizeram refletir. O Brasil e a Índia foram alvo de algumas das tarifas alfandegárias mais altas do mundo impostas pelos EUA. A África do Sul e o Brasil enfrentaram uma interferência maciça de Washington em suas políticas democráticas internas," afirma o texto.

Trump começou seu segundo mandato na Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, afirmando que não "precisava do Brasil". Seis meses depois, ele saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso em Brasília, e ordenou um tarifaço sem precedentes que abalou a parceria econômica de mais de dois séculos entre ambos os países.

A Casa Branca aplicou sanções ainda contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa com base na Lei Magnitsky, usada para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Elas seriam retiradas em dezembro do ano passado.

O jogo só começaria a virar na reta final do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Trump, num movimento que permitiu o progressivo alívio das tensões.

Na contramão do Brasil, os países que veem com maior preocupação os efeitos do governo Trump são Canadá, Alemanha e França. Entre os canadenses, chegou a 77% o índice daqueles que discordam que as políticas do vizinho sejam boas para o próprio Canadá.

As relações entre EUA e Canadá se deterioraram desde o início do segundo governo Trump. O republicano aposta em políticas econômicas protecionistas e já ameaçou diversas vezes anexar o vizinho como o 51º estado americano, instigando uma onda de patriotismo na população, apontam observadores.

O atual governo canadense, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, tem buscado estabilidade na relação e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência comercial com os vizinhos e fortalecer a parceria militar com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Já na Europa, analistas citados no relatório da Conferência de Segurança de Munique deste ano afirmam que a população se vê pressionada pelo fim de uma era na qual o continente podia se proteger sob o guarda-chuva de segurança dos Estados Unidos.

"A implacável agressão militar e híbrida de Moscou destruiu as ilusões de uma paz duradoura, enquanto a retirada gradual de Washington expôs as persistentes deficiências militares da Europa. O segundo mandato de Trump deixou claro que a defesa do continente e o apoio à Ucrânia são responsabilidade primordial da Europa", afirma Nicole Koenig, chefe de política da conferência.

O relatório alerta para a destruição da ordem internacional por "homens demolidores" que, a exemplo do atual inquilino da Casa Branca, preferem desmantelar instituições a reformá-las.

O documento cita como outros exemplos o presidente argentino, Javier Milei, o bilionário da tecnologia Elon Musk e "inúmeros políticos que apelaram abertamente à destruição de burocracias, tribunais ou acordos internacionais".

Estes "homens demolidores", prossegue o documento, prosperam graças à "decepção generalizada com o status quo e reivindicam um mandato para rupturas radicais, tanto a nível nacional como internacional". A análise alerta ainda que a ascensão dessas lideranças "pode ser uma das tendências mais transcendentais do século 21, levando as sociedades democráticas liberais até — ou além — de seu ponto de ruptura".

Na última Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente americano, JD Vance, antecipou o novo tom dos EUA para a Europa. Ele disse que a principal ameaça para o continente não vinha da Rússia nem da China, mas sim de uma suposta censura a que estariam sujeitos partidos de ultradireita, tal como a Alternativa para a Alemanha (AfD).

A próxima edição da conferência acontecerá no próximo fim de semana, de 13 a 15 de fevereiro, num momento de alta tensão entre os EUA e a Europa, após Trump elevar o tom das ameaças contra a Groenlândia neste ano.

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