Brasileiras descobrem nova espécie de ser vivo em lugar surpreendente — e o que isso tem a ver com ETs

Há 6 minutos

Pesquisadoras brasileiras descobriram uma nova espécie de ser vivo em um dos ambientes mais extremos do planeta: a Antártida.

O organismo foi encontrado na Ilha Deception, no Polo Sul, um lugar onde, até pouco tempo atrás, cientistas consideravam improvável encontrar formas de vida.

A ilha tem formato de ferradura e é, na verdade, um vulcão ativo. Milhares de anos atrás, a parte central desse vulcão colapsou e ficou submersa no mar. O resultado foi a formação de um ambiente considerado incomum até mesmo para os padrões antárticos.

Apesar do frio extremo típico da região, algumas áreas podem atingir temperaturas próximas de 100 °C na água.

Foi nesse cenário que as pesquisadoras encontraram uma nova arquea — grupo de micro-organismos primitivos formados por uma única célula.

O organismo vive em fumarolas, estruturas que liberam gases quentes de origem vulcânica. Segundo Amanda Bendia, professora do Instituto Oceanográfico da USP apoiada pelo Instituto Serrapilheira, o ambiente reúne características bastante particulares.

“É realmente muito quente e tem muito gás sulfídrico. Então tem aquele cheiro de ovo podre. É um lugar bem peculiar”, explicou a pesquisadora.

A arquea encontrada pelas brasileiras não depende de luz para sobreviver. Ela obtém energia a partir de substâncias químicas presentes naquele ambiente.

O mais curioso para as pesquisadoras é a capacidade do micro-organismo de sobreviver em temperaturas extremamente elevadas, próximas dos 100 °C — calor suficiente para destruir a maior parte das formas de vida conhecidas.

Até agora, as cientistas só encontraram essa arquea nas fumarolas. Mesmo em locais muito próximos dessas formações, onde a temperatura cai rapidamente para 50 °C, 25 °C ou até 0 °C, não há qualquer vestígio do micro-organismo.

Para chegar à descoberta, as pesquisadoras coletaram amostras de solo na ilha e, depois, analisaram o material em laboratório usando técnicas avançadas de sequenciamento genético. O objetivo era identificar todos os organismos presentes naquela terra.

Em seguida, elas compararam as sequências genéticas encontradas com grandes bancos de dados que reúnem registros de seres vivos já identificados em ambientes semelhantes. Foi assim que confirmaram que a arquea era completamente desconhecida até então.

Segundo Amanda Bendia, o avanço tecnológico foi essencial para permitir a descoberta.

“São técnicas supertecnológicas de sequenciamento, de processamento de dados via informática. E a gente consegue ter o genoma do micro-organismo sem nunca ter visto a cara dele”, afirmou.

As pesquisadoras ainda tentam entender como esse organismo consegue chegar e sobreviver em um ambiente tão extremo, cercado pelo frio intenso da Antártida.

Uma das hipóteses é que esses micro-organismos consigam permanecer em estado inativo durante o deslocamento por correntes marinhas, pelo vento ou pela atmosfera, até encontrarem condições favoráveis para sobreviver.

Mas a descoberta da nova arquea vai muito além da Antártida e até mesmo do nosso planeta: ela pode ajudar a entender a vida extraterrestre.

Neste vídeo, o repórter André Biernath explica melhor sobre isso.