
(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt. O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts. Nesta semana, os assuntos são: Terras raras do Brasil; App ranqueia homens; 'Novo RG' explicado; Morango do amor vence o algoritmo)
Os interesses dos Estados Unidos nas terras raras no Brasil ficaram mais do que explícitos após o tarifaço anunciado por Donald Trump. Em solo brasileiro está a segunda maior reserva mundial desses minerais, que só perde para a China, responsável por 90% da mineração.
Durante Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes explicou, colunista do UOL, como a disputa entre EUA e China joga no colo do Brasil o futuro de três indústrias cruciais: inteligência artificial, criação de chips e transição energética.
O uso das terras raras é sensível também por sua relação choca com uma das principais preocupações para os EUA, que é a indústria bélica, também motivo de desavença do país de Trump com a China.
São minerais super estratégicos. Pensando nessas indústrias que vão mover a economia do futuro, os EUA acabam ficando de olho porque a China chegou forte. Além de ter a maior reserva do mundo é também líder no processamento e refinamento
-Diogo Cortiz, colunista do UOL
Movimentações nacionais
Por ter sido arrastado para o embate, o Brasil corre para traçar uma estratégia própria. Por não ter um domínio completo da tecnologia, parte do material extraído no país é exportado para a China, onde o refinamento é concluído.
Uma iniciativa para começar a tratar localmente desses processos é o projeto MagBrás, lançado em julho de 2024 e focado na produção brasileira de ímãs permanentes de terras raras. O projeto pretende abarcar toda a cadeia produtiva, indo da extração à aplicação industrial e reciclagem quando os produtos chegarem ao fim de vida útil.
As nossas terras raras ainda são ainda pouco exploradas, é por isso que o Ministério das Minas e Energias já está prometendo uma política pública ainda para esse ano para lidar com minerais críticos e estratégicos e para fazer com que a riqueza vinda dessa exploração fique no Brasil
Helton Simões Gomes, colunista do UOL
Temos que pensar numa estratégia de país inclusive com a questão da sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Na China, em muitos pontos de mineração, as comunidades locais sofreram com isso. Hoje o país tem algumas políticas mais inclusivas e responsáveis. O Brasil tem uma riqueza e deve saber como explorar
Diogo Cortiz
Mas o que são as terras raras?
Em conversa com Deu Tilt, André Nunis, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), explicou que as terras raras são 17 elementos usados em óptica e eletrônica, em especial na fabricação de ímãs super potentes.
Eles são super importantes para aplicação em carros elétricos, turbinas eólicas, também usados em motores elétricos, aviões, aviões militares, mísseis e sistemas de guias de mísseis, por isso que ele é um material estratégico
André Nunis, pesquisador do IPT
Nunis apontou que, apesar de possuir uma grande reserva desses minerais, o Brasil não avança na mineração porque a tecnologia necessária está concentrada na China.
Hoje o Brasil já detém o domínio de tecnologias de exploração em escala laboratorial ou piloto. Precisamos de tempo até comercializar esses materiais
André Nunis
Uma das maiores jazidas de terras raras do Brasil foi descoberta em Poços de Caldas (MG). Desde que foi descoberta, a Agência Nacional de Mineração vem recebendo centenas de pedidos de liberação de pesquisas no local, incluindo vindas de empresas estrangeiras.
Além de Minas, existem reservas de terras raras em Goiás, Tocantins, Bahia e interior do Amazonas.
Terras raras como arma política
A China sabe que ser a principal produtora de terras raras do mundo é um trunfo tem suas mãos. Em uma recente disputa com o Japão em 2010, a China - que queria reaver a posse da ilha Diaoyutai (conhecida como Tiaoyutai pelos taiwaneses e Senkaku pelos japoneses) - restringiu a importação de terras raras para o país por sete semanas. Isso paralisou a indústria japonesa, forçando-os a recuar posteriormente.
Cortiz recorda que, há algumas décadas os EUA dominavam uma parte da produção de terras raras, mas hoje são responsáveis por algo como 15% da produção, o que coloca o país em certa desvantagem em relação aos chineses.
Agora os EUA estão estrangulados. Dependem disso principalmente quando estamos falando de reindustrialização, não para fazer chave de fenda e parafuso, mas para fazer as tecnologias que vão ser a economia do futuro e aí a China tem essa carta na manga
Diogo Cortiz, pesquisador

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8 meses atrás
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