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BTG mais perto da aquisição do Digimais, banco de Edir Macedo

Desde a liquidação do Master, o fundo já comprometeu R$ 49 bilhões de seu patrimônio com o pagamentos de garantias a investidores de CDBs do conglomerado Master propriamente dito e também do Will Bank e do Pleno, que eram ou foram ligados ao banco de Vorcaro.

Desde o ano passado, o Digimais tentou negociar sua venda para o Nubank e para Maurício Quadrado, então sócio do Master. No caso de Quadrado, o negócio seria feito por meio do BlueBank, o banco que ele pretendia controlar se o BC tivesse autorizado a cisão da instituição do conglomerado Master, juntamente com a sua saída da sociedade.

Com um modelo de negócios que guarda muita semelhança com aquele do banco Master — com captação de CDBs a valores muito acima do mercado, direitos creditórios no balanço, carteiras de crédito consignado de originação controversa — o Digimais passou a enfrentar os mesmos problemas que o banco de Daniel Vorcaro a partir de 2024, com a entrada em vigor de mudanças regulatórias promovidas pelo Banco Central entre o final de 2023 e 2024.

Duas regras em particular passaram a exigir dos controladores um aumento de capital para manter a instituição enquadrada nas regras do BC: a primeira foi sobre o cálculo de risco no reporte de precatórios e pré-precatórios (direitos creditórios ainda não transitados) no balanço; e a segunda foi sobre as restrições para o acesso às garantias do FGC, com aumento dos valores recolhidos e exigência de compra de títulos públicos quando a emissão ficar acima de dez vezes o patrimônio líquido.

ORIGEM: RENNER

O Digimais nasceu como o banco das Lojas Renner. Em 2013, o bispo Edir Macedo comprou 49% do negócio. Ele passou os anos seguintes buscando aprovação do Banco Central para assumir o controle, mas enfrentou uma série de questionamentos. Dentre eles, o fato de ser residente no exterior. Durante o governo Temer, Edir Macedo renovou as tratativas, e novamente foi vetado pela área técnica do BC.

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A autorização veio em 2020, no governo de Jair Bolsonaro e na gestão de Roberto Campos Neto no BC (2019-2024). Um processo semelhante pelo qual passou Daniel Vorcaro para obter o aval para a compra do banco Máxima. Após quase dois anos de negativas do BC, a autorização de Vorcaro veio em 2019, com a ascensão de Paulo Sergio Neves de Souza ao cargo de diretor de fiscalização — ele foi afastado após operação da PF sobre o banco Master, juntamente com outro servidor do BC, Bellini Santana, por suspeita de atuarem como consultores de Vorcaro, defendendo os interesses do Master dentro do BC.

Ainda sob a marca Renner, mas já com a igreja dando as cartas, o banco entrou no negócio de consignado com servidores da prefeitura do Rio na administração do prefeito Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo.

Além de crédito consignado, o Digimais se especializou em financiamento de veículos usados, financiando a venda de veículos doados por fiéis durante a campanha anual da Igreja Universal, a Fogueira Santa, quando os participantes entregam algum tipo de "sacrifício" no altar.

O banco ainda está envolvido em uma disputa judicial de mais de meio bilhão de reais com a corretora Yards, por conta dos ativos que o banco colocou no fundo EXP 1 e que perderam valor desde a derrocada do Master: uma carteira de consignados originada por Master, Reag e Fictor que deixou de performar com a liquidação dessas instituições.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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