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Caiu no golpe do nude? Veja 8 orientações de uma advogada em casos de sextorsão

O golpe do nude, também conhecido como sextorsão, acontece quando criminosos usam ameaças de divulgação de imagens íntimas para extorquir dinheiro ou outras vantagens das pessoas. Esse tipo de crime pode ocorrer mesmo sem o uso de fotos reais e costuma explorar o medo da exposição para pressionar a vítima a agir rapidamente. Em situações assim, decisões impulsivas - como pagar o chantagista ou apagar conversas - tendem a piorar o problema.

Para orientar quem enfrenta esse tipo de ameaça, o TechTudo ouviu a advogada especialista em direito criminal, Amanda Silva Santos, que explica quais atitudes devem ser tomadas para preservar provas, denunciar corretamente o crime, proteger contas e buscar apoio jurídico. Confira, a seguir, 8 orientações essenciais para vítimas de sextorsão.

 Reprodução/Shutterstock Capturas de tela, áudios e outros materiais devem ser encarados como provas; é importante mantê-los a salvo — Foto: Reprodução/Shutterstock

Orientações jurídicas em caso de golpe do nude

Nesta guia, você confere orientações jurídicas para saber como se proteger em casos de golpes com imagens íntimas. Veja, abaixo, o índice da matéria:

  • Não pague, mesmo com chantagem
  • Não apague as provas
  • Denuncie de maneira correta
  • Proteja sua privacidade e contas
  • Bloqueie o criminoso
  • Contrate um advogado
  • Denuncie à plataforma em que o crime ocorreu
  • Caso já tenha mandado dinheiro, o que fazer?
  • O que é o golpe do nude ou sextorsão?
  • É possível ser vítima mesmo sem ter enviado fotos explícitas?

Não pague, mesmo com chantagem

Ao perceber que está sendo alvo de um golpe do nude, a principal orientação é não ceder às exigências do chantagista. O pedido de dinheiro costuma vir acompanhado de ameaças, justamente para provocar medo e forçar uma decisão rápida. No entanto, o pagamento não encerra o problema e, em muitos casos, abre espaço para novas cobranças ou abordagens de outros criminosos.

A advogada Amanda Silva Santos reforça que ceder à chantagem não é uma solução: "O pagamento não garante que o conteúdo não será divulgado e, na prática, costuma estimular novas exigências, agravando ainda mais a situação da vítima", afirma.

Mesmo diante do impacto emocional da situação, é fundamental não excluir perfis nas redes sociais ou conversas. As provas são essenciais para qualquer tentativa de responsabilização criminal e para futuras medidas legais. Mensagens, imagens, vídeos, nomes de usuários e números de telefone ajudam a demonstrar como o crime ocorreu.

Segundo Amanda, o ideal é preservar todo o material envolvido no contato com o criminoso.

"Devem ser coletadas e preservadas a íntegra das conversas, os registros de perfis e/ou números de telefone utilizados pelos criminosos, bem como os comprovantes de eventuais transferências solicitadas ou realizadas, além de qualquer mensagem contendo ameaça de divulgação de imagens íntimas", declara.

A advogada ainda afirma que, para reforçar a validade jurídica, recomenda-se a lavratura de ata notarial em cartório.

Denuncie de maneira correta

A sextorsão é crime e pode ser denunciada mesmo que a vítima não saiba quem está por trás do perfil ou número utilizado. O registro do boletim de ocorrência é um passo importante para iniciar a investigação e acionar os meios legais disponíveis. De acordo com a advogada, a identificação do autor não é um obstáculo inicial.

"A identificação do autor não é requisito para o registro da ocorrência. As autoridades policiais possuem meios técnicos e legais para a identificação e localização do criminoso, incluindo a solicitação de dados às plataformas e operadoras", explica.

Proteja sua privacidade e contas

Após a ameaça, é recomendável revisar as configurações de privacidade nas redes sociais e reforçar a segurança das contas digitais. Trocar senhas, ativar a autenticação em dois fatores e limitar quem pode enviar mensagens ou visualizar perfis ajuda a reduzir novas tentativas de contato ou vazamentos de informações pessoais. Essas medidas não substituem a denúncia, mas funcionam como uma camada adicional de proteção enquanto o caso é tratado.

Assim que as provas forem reunidas, o contato com o chantagista deve ser interrompido. Continuar respondendo às mensagens tende a aumentar a pressão psicológica e pode levar a novas ameaças. O bloqueio deve ser feito em todas as plataformas utilizadas pelo criminoso, como redes sociais, aplicativos de mensagens e e-mail. A orientação é clara: não negociar, não discutir e não tentar “ganhar tempo”.

 Divulgação/Freepik Qualquer tipo de contato com o chantagista deve ser interrompido; o mais indicado é bloqueá-lo nas redes sociais — Foto: Divulgação/Freepik

Embora não seja obrigatório para registrar a ocorrência, o acompanhamento jurídico pode ajudar a vítima a entender seus direitos e a conduzir o caso de forma mais segura. Um advogado especializado fornece orientação sobre medidas legais, preservação de provas e eventuais pedidos judiciais. Para Amanda Silva Santos, o suporte profissional é importante:

"É recomendável a contratação de advogado para o devido assessoramento jurídico e para as demais tratativas necessárias ao acompanhamento da demanda", aponta.

Denuncie à plataforma em que o crime ocorreu

Quando o golpe acontece por meio de redes sociais ou aplicativos, é importante comunicar a própria plataforma. A advogada destaca esse passo como parte do enfrentamento ao crime:

"Caso o crime tenha ocorrido por intermédio de redes sociais, é necessário denunciar a prática à plataforma ou rede social utilizada, a fim de que seja realizada a eventual remoção do material íntimo, o bloqueio do perfil utilizado e a preservação dos dados cadastrais do usuário".
 Mariana Saguias/TechTudo Advogada criminalista indica entrar em contato com a plataforma onde o crime ocorreu — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Caso já tenha mandado dinheiro, o que fazer?

Se a vítima já realizou algum pagamento ao chantagista, a primeira medida é interromper imediatamente qualquer nova transferência, mesmo que as ameaças continuem. O envio de dinheiro não impede a divulgação do material e costuma incentivar novas exigências, prolongando o ciclo de extorsão.

Também é importante guardar todos os comprovantes de pagamento, como recibos, extratos bancários, transferências via Pix ou registros de cartões, pois essas informações ajudam a demonstrar a prática criminosa no boletim de ocorrência.

Além disso, a vítima deve registrar a denúncia o quanto antes e informar à instituição financeira sobre a transação, já que, em alguns casos, é possível tentar bloquear valores ou ao menos registrar formalmente o golpe. O apoio jurídico também pode ser fundamental para orientar os próximos passos e evitar novos prejuízos.

O que é o golpe do nude ou sextorsão?

O golpe do nude, também chamado de sextorsão, ocorre quando alguém ameaça divulgar imagens íntimas reais ou falsas para exigir dinheiro, favores ou outras vantagens. Em muitos casos, o criminoso se passa por um interesse amoroso para induzir a vítima a enviar fotos. Em outros, utiliza montagens, deepfakes ou imagens geradas por inteligência artificial para simular um conteúdo que nunca existiu. Por outro lado, a prática sempre existiu, mas tem se tornado cada vez mais frequente e se aproveita da exposição nas redes sociais.

É possível ser vítima mesmo sem ter enviado fotos explícitas?

Sim. A vítima pode ser alvo de sextorsão mesmo sem nunca ter enviado imagens íntimas. Golpistas podem usar fotos manipuladas, imagens falsas ou simplesmente blefar, alegando ter acesso remoto ao seu dispositivo. O medo da exposição pública é explorado como ferramenta de pressão. Nesses casos, as orientações seguem as mesmas: não pagar, preservar provas, denunciar e buscar apoio jurídico e emocional.

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