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Campeão com Neymar no Santos abre franquia que ensina jovens a empreender

O esporte aliado à educação é uma ferramenta poderosa. Essa combinação traz valores e princípios daquilo que eu vivi durante 20 anos como um atleta profissional. Acredito no legado de poder impactar outros jovens e adolescentes, trazendo esses valores para essa geração Germano Schweger, sócio-investidor da Escola Mira

Ao longo de sua carreira nos gramados, Germano defendeu a camisa de importantes times brasileiros, como Santos, Atlético-MG, Coritiba, Sport e Ceará. Ele também jogou no Cerezo Osaka, no Japão, entre 2007 e 2008. O meio-campista se aposentou dos gramados em 2019. Depois, foi diretor no Londrina e também teve empresa de agenciamento de atletas.

O que ensina a Escola Mira

A Escola Mira foi fundada pelo casal Ana, 29, e Marco Antonio Casagrande, 33, em 2023. Eles investiram R$ 950 mil no negócio. Em 2025, a empresa recebeu um aporte de R$ 1 milhão de investidores-anjos.

Qual o objetivo da escola? Segundo Casagrande, a escola visa desenvolver habilidades essenciais para a vida, como: comunicação e oratória, pensamento crítico, resolução de problemas, liderança de projetos, gestão de crise e de conflitos, inteligência emocional, tolerância à frustração, inovação, empreendedorismo e educação financeira. O foco são crianças e jovens de 7 a 17 anos de idade.

A grande alavanca do método é aproximar o aluno do mundo real. Isso acontece por meio da resolução de cases reais de empresas do ecossistema, onde os alunos precisam lidar com desafios concretos, prazos, tomada de decisão e trabalho em equipe, exatamente como acontece fora da escola Marco Antonio Casagrande, sócio-fundador da Escola Mira

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Metodologia é própria. Para os alunos de 7 a 10 anos, o aprendizado acontece fortemente por meio do lúdico e do brincar. Casagrande diz que jogos, dinâmicas, desafios colaborativos e simulações fazem parte do processo. "O brincar não é acessório, mas uma ferramenta pedagógica estratégica para desenvolver criatividade, comunicação, colaboração e resolução de problemas", declara.

Alunos de 11 a 14 anos começam a simular negócios, criando logos, propostas de valor e entendendo problemas de mercado. Já para os alunos de 15 a 17 anos, a prática envolve a resolução de problemas reais de empresas parceiras. A escola incentiva a participação dos alunos em trabalhos voluntários.

Educação financeira é ensinada de forma integrada ao empreendedorismo. Os alunos aprendem conceitos como formação de preço, custos, lucro, planejamento financeiro, gestão do lar e escolhas de consumo, sempre aplicados a situações do dia a dia. "Tudo é feito por meio de jogos, brincadeiras e desafios práticos, como simulações de viagens, lazer e projetos empreendedores", diz Casagrande.

Preço da mensalidade é de R$ 850. A escola tem cerca de 200 alunos, que fazem cursos extracurriculares, com turmas no período da manhã e da tarde.

"Nosso público-alvo são famílias em geral, com predominância de filhos de empresários", afirma. O processo seletivo é feito durante uma aula experimental, onde psicólogos observam os alunos nas dinâmicas, para avaliar se eles se encaixam na proposta da escola.

Quanto custa ter uma franquia?

Escola Mira tem duas unidades em operação. A de Londrina é própria, e a de Maringá, franqueada. A franquia de Curitiba (PR) está em fase de implantação; as aulas devem começar em maio. Para 2026, há previsão de abrir franquias em Cascavel (PR), Joinville (SC), Campinas (SP) e Barueri (SP).

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Franquia da marca custa a partir de R$ 240 mil. Nesse valor, estão inclusos taxa de franquia, taxa de implantação e equipamentos. O faturamento médio mensal é de R$ 150 mil (após dois anos de operação). O lucro médio mensal é de 25%.

Treinamento dos professores. Casagrande diz que a empresa dá todo o suporte na parte pedagógica, com metodologia, materiais, treinamento e acompanhamento contínuo. "Já os facilitadores [professores] passam por um processo específico de formação cultural e metodológica, focado muito mais em postura, condução e mentalidade do que em ensino tradicional. Eles são preparados para atuar como mediadores do aprendizado, dominando a metodologia, os pilares da escola e a forma correta de provocar reflexão, conduzir projetos e estimular o protagonismo dos alunos."

Em 2025, a empresa faturou R$ 2,2 milhões. O lucro foi de R$ 800 mil.

Inspiração veio do Vale do Silício

Em 2021, o casal realizou viagens ao Vale do Silício, na Califórnia, para estudar modelos de negócios de multinacionais, hubs de inovação e sistema educacional americano. Para Casagrande, as experiências que viveram nos EUA foram determinantes para a construção do método educacional da Escola Mira.

"Estivemos imersos em uma cultura muito prática e colaborativa, marcada pelas chamadas 'empresas de garagem', onde o mais importante não é a estrutura inicial, mas a capacidade de transformar uma boa ideia em algo real, testável e útil."

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As ideias são valorizadas pela sua execução e impacto, independentemente da idade, do título ou da origem de quem as propõe. Isso reforçou a nossa convicção de que crianças e jovens, quando estimulados corretamente, são plenamente capazes de criar soluções relevantes Marco Antonio Casagrande

Estudo do modelo educacional americano. Casagrande diz que, nas escolas e universidades americanas, existe um foco muito maior no indivíduo, no desenvolvimento de competências socioemocionais, autonomia, liderança e capacidade de trabalhar em equipe. "Essa visão ampliada de educação, que valoriza o ser humano de forma integral e não apenas o desempenho acadêmico, foi decisiva para a construção do nosso método. Entendemos que formar empreendedores vai muito além de ensinar conteúdos técnicos: trata-se de desenvolver caráter, responsabilidade social e a capacidade de gerar impacto positivo no mundo", declara.

Empresa tem "oceano azul" pela frente

Negócio é nichado, mas uma grande oportunidade. É o que diz Alexandre Garcia, consultor de negócios do Sebrae-SP. "Apesar de ser um negócio nichado, a Escola Mira é pioneira no segmento de educação financeira e empreendedorismo para crianças e adolescentes. A empresa tem um 'oceano azul' pela frente, provavelmente sem concorrentes, pois não existem no mercado escolas que tenham a mesma proposta que a dela. A marca já é um protótipo", declara.

Empreender por opção, e não por necessidade. Garcia diz que a proposta da escola é preparar a criança para um comportamento empreendedor, para, quando chegar a hora, ela empreender por opção, e não por necessidade. "No médio e longo prazo, esse aluno poderá ter o seu próprio negócio, e ele estará muito mais preparado do que a pessoa que empreende por necessidade", afirma.

Como vender isso para os pais? O consultor diz que a venda desse tipo de curso deve ser emocional. "Não é apenas vender cursos. A venda deve ser emocional, pois a escola deve convencer os pais dos benefícios para o futuro dos seus filhos, que terão capacidade de dominar os desafios do empreendedorismo e da educação financeira em sua vida profissional", declara.

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Mensalidade é alta, mas a escola pode reforçar sua função social. "A empresa está ensinando algo inédito. No entanto, ela poderia ampliar sua função social, ao ofertar um número maior de vagas para alunos que não podem pagar. Isso fará a marca ser reconhecida também por sua função social", declara.

Mão de obra é ponto de atenção. Para Garcia, o desafio da empresa é buscar mão de obra especializada e reter talentos. "Provavelmente, é uma mão de obra mais escassa no mercado, justamente pelo negócio nichado que a Escola Mira é", diz.

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