Além disso, 20 canais mudaram de nome, mas alguns deles continuam produzindo conteúdo misógino mesmo sob a nova alcunha.
O NetLab também destaca que além de continuarem em atividade, esses espaços ganharam novos seguidores. A quantidade de pessoas inscritas nos 123 canais que restaram aumentou 18,5%, desde abril de 2024, com o incremento de mais de 3,6 milhões de novas assinaturas.
Os vídeos também rendem dinheiro para os criadores. Considerando a primeira amostra, coletada em 2024, cerca de 80% tinham alguma estratégia de monetização, seja as formas oferecidas pela plataforma, como anúncios e programa de membros, ou alternativas, como vendas de e-book ou transferências via pix.
Para a pesquisadora do Net Lab, Luciane Belín, isso mostra como a misoginia se tornou um nicho de negócio.
"Não é só a opinião deles, mas também é uma oportunidade de ganhar dinheiro, pautada na humilhação, inferiorização, na subjugação de mulheres," explicou.
Luciane explica que o grupo criou um protocolo para identificar diversos tipos de discurso misógino.
"Nós trabalhamos com um conceito de misoginia que não está só concentrado no ódio e na promoção da violência direta, mas também nos sentimento de desprezo e aversão, e na ideologia que parte do pressuposto de que as mulheres precisam ser subjugadas e inferiorizadas", complementa.
O relatório mostra que a popularização desses vídeos é um fenômeno recente.
Apesar do vídeo mais antigo ter sido postado em 2021, 88% deles foram publicados a partir de 2021, e pouco mais da metade (52%) entraram na plataforma entre janeiro de 2023 e abril de 2024.
Já de abril para cá, cerca de 25 mil novos vídeos foram postados.
Para definir quais canais disseminam conteúdo misógino, o estudo considerou apenas aquelas que continham pelo menos três vídeos com ao menos uma manifestação de ódio às mulheres.
O tema mais recorrente, no qual 42% dos vídeos foram enquadrados, foi "Desprezo às mulheres e estímulo à insurgência masculina."
Nessa categoria, foram incluídos vídeos "que conclamam os homens a não se deixarem dominar pelas mulheres", ao mesmo tempo em que estimulam que elas sejam tratadas com desprezo.
Os conteúdos também disseminam a ideia de que as iniciativas por igualdade de gênero são estratégias de dominação social contra os homens.
"A gente encontrou conteúdos muito explícitos. Quando a gente olha para as palavras, por exemplo, que são usadas para descrever as mulheres, a gente identifica termos como "burra" e "vagabunda" que são muito usados. Isso foi, de certa forma, até uma surpresa, porque a gente pensava que a plataforma derrubava esse tipo de conteúdo", diz Luciane.
Mas a pesquisadora explica que alguns influenciadores também utilizam estratégias para dissimular seu conteúdo, como o uso de abreviações e apelidos.
A palavra "mulher", por exemplo, é substituída por "colher", e mães solo, um dos grupos mais atacados são chamadas de "msol".
"Às vezes, a opinião não é expressada de forma verbal, mas quando você olha para as imagens que ilustram os vídeos, elas mostram a mulher ajoelhada aos pés do homem ou hipersexualizada com decotes imensos e etc, complementa.
Ela cobra mais responsabilização das plataformas: "A criminalização da misoginia seria um caminho que poderia contribuir para minimização desses discursos, mas além da questão da criminalização, a gente também precisa continuar discutindo qual é o papel das plataformas em relação à soberania do país mesmo. Se é crime fora da internet, precisa ser crime dentro da internet."
A Google, empresa responsável pela plataforma Youtube, foi procurada mas ainda não respondeu à reportagem.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

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