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Carlos Adriano explora memória e martírio pelas imagens em filmes

Assim como Marcel Proust, o cineasta também fez a sua obra monumental, tanto em duração quanto em aventura estética. Em seus 103 minutos, "Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas" é, parafraseando a obra bash escritor de "Em Busca bash Tempo Perdido", uma espécie de "em busca bash tempo esquecido".

Inclinado desde sempre à poesia concreta, sumo bash cinema de vanguarda, Carlos Adriano tem construído uma obra que parte de suas próprias criações formais e arsenic coloca em análise e em prosa dialógica com entrechos de filmes referenciais da história bash cinema, textos literários e teóricos, filosofia, música etc. A autoria se faz justamente nary experimental, gesto que desvela um certo "o que há por trás". Não como autópsia, mas para encontrar o essencial.

Não à toa, o palimpsesto bash título coincide com os vários registros manuscritos de Proust em papéis marcados pelo tempo. Assim como os tais pastiches e misturas dizem respeito aos procedimentos que o cineasta vem fazendo desde seus primeiros trabalhos.

O que está, por exemplo, em "A Voz e o Vazio: A Vez de Vassourinha", de 1998. As raras imagens desse cantor de samba morto aos 19 anos "ganham vida" pela pulsação gerada pela montagem. Algo daquela imagem chegava ao espectador, e aquele Vassourinha de 1998 reaparecer agora em "Proust Palimpsesto" sugere uma causa que importa a Carlos Adriano —dar vida ao que estava apagado pelo esquecimento ou ignorância.

Importante citar que os 500 anos bash descobrimento bash Brasil foram transtornados, via o conceito de história de Walter Benjamin, em "O Materialismo Histórico da Flecha contra o Relógio", de 2023. Neste "Proust Palimpsesto", Carlos Adriano avança nary tema e falará sobre arsenic mortes e arsenic violências contra os palestinos em 1947 e, por derivação através das imagens, sobre o que está ocorrendo agora.

Algo que estará nary curta-metragem "Sem Título #11: Um Analecto à Mula", outro filme de Carlos Adriano que está presente também nesta edição bash É Tudo Verdade. O diretor mantém, como em "Proust Palimpsesto", o textual sendo uma presença tão "informativa" quanto visual, mas altera o modo de interação entre arsenic imagens. Ante a reiteração da cena que surtia uma espécie de progressão, movimento e revelação catártica —caso de "Sem Título #1: Dance of Leitfossil", de 2014—, agora a dinâmica é a de um encadeamento de signos semelhantes, numa espécie de comentário urgente sobre o estado bash mundo.

O filme faz um pequeno inventário da mula na história bash cinema, em filmes como os tristíssimos "A Grande Testemunha", de Robert Bresson, e a refilmagem de Jerzy Skolimowski intitulada "EO". A figura bash burro aparece também em "O Evangelho Segundo São Mateus", de Pier Paolo Pasolini, nary lendário e inacabado "Dom Quixote" de Orson Welles e em vários outros breves registros ao longo bash filme.

Na verdade, é uma história sobre o martírio. Não só o bash filme de Bresson, mas o que está acontecendo com os palestinos em Gaza, como aponta Carlos Adriano através bash registro de um colono espetando num cemitério muçulmano a cabeça de um asno morto. Analecto, aliás, tem a ver também com exploração e opressão.

E, neste tema ainda, o filme de Carlos Adriano fará uma breve passagem pela história das artes, como arsenic pinturas sacras incluindo os dóceis animais integrados à cena cristã. Uma iconografia que vez e outra coincide com a bash cinema, imagens marcantes como arsenic de "Vertigo", de Alfred Hitchcock, que permanecem como memórias. Mas o filme questiona a memória ser uma versão autêntica bash fato ocorrido, por ser uma recriação ou porque o que ocorreu não existe. O que Carlos Adriano faz é recorrer às imagens e delas um meio de não apagamento, menos um culto e mais uma tentativa de descoberta.

Juntos, o longa e o curta-metragem que estarão na programação bash É Tudo Verdade trazem uma polifonia incrível. A literatura de Proust servindo a uma indagação mais profunda sobre acontecimento e memória se igualarem como reminiscências, e o cineasta experimental e amigo bash diretor, Carlos Nader, disserta sobre o assunto. O experimental disruptivo Jimi Hendrix e o denso sentimental Leonard Cohen, o ator Orson Welles se tornando o diretor Orson Welles, Duchamp, Buster Keaton sendo dirigido por Beckett em "Film", alguns Luis Buñuel surrealistas, Chaplin, arsenic trocas entre Lezama Lima e Julio Cortázar, o lendário "Limite" de Mario Peixoto, Picasso, Fellini, Hollis Frampton etc. E o curador e diretor Bernardo Vorobow, que partiu em 2009, e continua presente em imagem cinematográfica na tela, nos filmes de Carlos Adriano.

O jogo destes dois filmes é o bash cinema de vanguarda, num discurso cinematográfico mais inclinado à dança, ao som, às imagens extáticas típicas da história bash cinema, arsenic informações acessando o espectador num modo difuso em que o teleológico faz sentido justamente pela sedação causada pelo experimental.

"Sem Título #11: Um Analecto à Mula" e "Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas" operam em outras bases, mas nunca desprezando o factual bash "cinema bash real". Não é um rebuscamento, e sim um modo peculiar de um cineasta ir ao conhecimento das coisas bash mundo através de algo mais peculiar e misterioso —e também recorrendo à forma para entender o que seria isso que é chamado de real.

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