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Caso Master vira teste de força entre Supremo, PF e Banco Central

O nó institucional do Caso Master

A tensão se agravou quando Dias Toffoli retirou da Polícia Federal o controle direto sobre as provas apreendidas na Operação Compliance Zero. Fábio Serapião detalha a decisão incomum do ministro de nomear pessoalmente quatro peritos da PF — Luiz Nassif, Tiago Melo, Enelson Filho e Lorenzo Delmutti — para analisar o material. A medida foge da praxe e levantou suspeitas nos bastidores da investigação. A escolha de Delmutti, em especial, chamou atenção por sua proximidade com o delegado responsável por apurações contra Sergio Moro, reforçando a percepção de que o ministro busca controle absoluto sobre o fluxo de informações.

Segundo Letícia Casado, a condução do caso é vista como "atípica" inclusive dentro do próprio Supremo. A primeira incógnita é processual: não há, até agora, parlamentares com foro privilegiado que justifiquem a permanência do inquérito na Corte. Soma-se a isso a decisão inicial de lacrar o material e a hipótese de enviá-lo à PGR, o que gerou apreensão entre peritos quanto ao risco de ruptura da cadeia de custódia.

Daniela Lima destaca o recado institucional embutido nas decisões de Toffoli. Ao criticar o Banco Central pela demora em detectar a fraude e, ao mesmo tempo, retirar da PF a guarda dos novos achados, o ministro tenta "destronar" a polícia como fiel depositária das provas e reposicionar o STF como ator central da investigação.

Na avaliação de Leonardo Sakamoto, esse movimento cobra um preço alto para a imagem do tribunal. O ministro, escreve ele, parece mais incomodado com a "rede" — a PF que investiga — do que com o "mar" da fraude bilionária. O confronto público com a polícia, além de desnecessário, expõe o STF a desgaste num momento em que a Corte vinha de atuação decisiva na contenção de ameaças à democracia.

Sob a ótica criminal e política, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky observam, no podcast A Hora, que a defesa do Banco Master adotou uma estratégia agressiva e pouco usual, tentando travar investigações em múltiplas frentes — do TCU ao STF. Toledo alerta para um risco concreto: a interseção entre crimes financeiros sofisticados e organizações criminosas violentas, dada a ligação do banco com a gestora Reag.

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