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Celebrado no Brasil, fim do tarifaço é recebido com cautela pelo mundo

Na Europa, os países membros se manifestaram por meio da União Europeia, que pediu "previsibilidade". "Empresas de ambos os lados do Atlântico dependem da estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais. Por isso, continuamos a defender tarifas baixas e a trabalhar para reduzi-las", disse em comunicado Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.

A decisão é "sinal positivo para o Estado de Direito", diz o presidente da comissão de comércio internacional do Parlamento Europeu. "Os juízes demonstraram que nem mesmo um presidente dos EUA opera em um vácuo legal", afirmou Bernd Lange, para quem "a era das tarifas ilimitadas e arbitrárias" pode em breve "estar chegando ao fim".

O Brasil, em todos os momentos se comportou diplomaticamente da maneira mais correta.

Acreditou no diálogo, na disputa pelos canais competentes tanto na OMC quanto no Judiciário americano, estabelecendo uma conversa direta para falar de temas relevantes.

O Brasil, do ponto de?

-- Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) February 20, 2026

O parlamento da União Europeia se reunirá na segunda-feira. A reunião emergencial vai tratar do acordo comercial que Trump assinou com o bloco no ano passado para minimizar o tarifaço. "Continuamos em contato próximo com o governo dos EUA enquanto buscamos esclarecimentos sobre as medidas que eles pretendem tomar em resposta a essa decisão", disse Olof Gill.

Cauteloso, o Reino Unido informou que avalia as implicações da sentença. "O governo está trabalhando com os EUA para entender como a revogação das tarifas de Donald Trump pela Suprema Corte afetará o Reino Unido, mas espera que nossa posição comercial privilegiada com os EUA continue", segundo comunicado divulgado pela Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro, Keir Starmer.

O Reino Unido foi o primeiro a fechar um acordo após o tarifaço de Trump. Os EUA cobram 10% sobre as exportações britânicas, contra 15% sobre as da UE.

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Também fora da UE, a Suíça foi cuidadosa em comunicado oficial. A nota fala em "tomar nota da decisão da Suprema Corte dos EUA" para "desenvolvimentos futuros e efeitos concretos". Já a presidente do Partido Verde, Lisa Mazzone, defendeu "interromper imediatamente as negociações para um acordo com Trump". "Quem infringe a lei não é um parceiro contratual confiável", concordou Jon Pult, conselheiro nacional do Partido Socialista.

A Coreia do Sul evitou celebrar. A Casa Azul (sede da presidência) informou em nota que analisará o conteúdo da decisão para responder de forma a garantir o "interesse nacional". Recentemente, Seul negociou uma redução de tarifas para 15% em troca de um compromisso de investir US$ 350 bilhões em solo americano.

China, Japão e Índia ainda não se manifestaram.

Trump quer revidar

O republicano classificou a decisão como "uma desgraça". Nos bastidores, ele afirmou já possuir um "Plano B", que é a possibilidade de recorrer à Seção 232 da Lei de Expansão Comercial —que trata de segurança nacional— para tentar manter sobretaxas em setores específicos, como aço e alumínio.

A decisão da Suprema Corte foi por 6 votos a 3. A sentença concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, para ignorar o Congresso e implementar taxas contra parceiros comerciais.

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O voto decisivo foi redigido pelo presidente da Corte, John Roberts. Ele foi acompanhado pelos três juízes liberais e pelos conservadores Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett. Os juízes dissentes foram Brett Kavanaugh, Samuel Alito e Clarence Thomas.

Países estrangeiros que nos exploram há anos estão em êxtase, comemorando nas ruas -- mas a comemoração não durará muito!
Donald Trump, em sua rede social Truth

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