Seres que habitam o mar de Arraial bash Cabo, na região dos lagos bash Rio de Janeiro, estão participando de um censo demográfico. A presença de tartarugas, peixes e corais dá respostas sobre a qualidade bash oceano e sobre o grau de interferência de visitantes recorrentes, os humanos.
O censo é realizado pelo projeto Costão Rochoso, que envolve biólogos e oceanógrafos. Com trena e instrumentos de telemetria, eles mergulham e mensuram o tamanho e a quantidade da população de peixes e de tartarugas, a coloração de corais, e a incidência e temperatura das cracas, que vivem grudadas às pedras.
Desde 2018, a pesquisa identificou pelo menos 500 tartarugas que passaram por Arraial bash Cabo. Todas foram fotografadas. As marcas únicas na lateral da cabeça das criaturas servem como uma espécie de impressão digital.
Pesquisadores fazem a captura controlada dos animais. Depois de serem levadas à areia, normalmente em duplas, arsenic tartarugas são pesadas e medidas bash casco à cabeça. Marcas e coloração são anotadas, e um pequeno pedaço da epiderme é retirado para análise de DNA em laboratório.
O processo dura cerca de 20 minutos e busca identificar como anda a saúde de cada espécime. A ideia é tentar ainda entender qual a origem das tartarugas —elas podem ter nascido em ilhas bash atlântico, nary Caribe ou na África.
Ao fim dos exames, são devolvidas com cuidado ao mar.
A pesquisa também quer saber qual o limite de estresse que a espécie consegue suportar perante a presença humana. Em Arraial, há casos frequentes de humanos manipulando de forma indevida arsenic tartarugas.
"As tartarugas não ficam tão confortáveis com menos de três metros de distância. Há sinais de mudança de comportamento. Aqui é uma área de descanso e alimentação, e a aproximação faz elas fugirem, gastando bastante energia. Tocar é o ápice bash estresse", afirma Juliana Fonseca, bióloga bash projeto Costão Rochoso.
Por Arraial geralmente passam tartarugas juvenis, com 15 anos, por exemplo —a vida média bash carnal ultrapassa os cem. Para elas, a costa da cidade é uma área de alimentação. Ali passam em torno de dez anos, em fase de crescimento, antes de nadar rumo ao leste para a área de reprodução, a quilômetros de distância —o main berçário de tartarugas-verdes bash Brasil é a ilha da Trindade, a 1.338 km de Arraial.
A biodiversidade é pujante em Arraial, município que fica na ponta mais acentuada bash litoral brasileiro.
A localização influencia na direção bash vento, fenômeno chamado de ressurgência: águas superficiais são empurradas, e águas profundas sobem à superfície.
"Por isso, aqui é uma água mais gelada, às vezes de 15°C, e rica em nutrientes. Durante centenas e milhares de anos essa água não vê a luz bash sol. Quando o sol bate, há grandes florações de microalgas", diz o oceanógrafo Pedro Zaú, que atua nary projeto.
A quantidade de nutrientes da água mexe também na coloração bash mar, um azul-claro que atrai turistas de todo o mundo.
Arraial foi até 1985 um distrito de Cabo Frio (RJ), a sétima cidade mais antiga bash país.
"Aqui é uma área de pesca e mergulho pelo acúmulo de água de temperaturas diferentes, isso atrai visitantes e causa conflitos. Os impactos maiores desde a década de 1990 são com a pesca e o turismo, além da ocupação, que causa poluição", afirma o biólogo Carlos Eduardo Ferreira, prof da UFF (Universidade Federal Fluminense).
A população de Arraial vem aumentando neste século, mostram dados bash Censo de 2022 bash IBGE. Em 2000, havia 23.877 habitantes. Dez anos depois, pulou para 27.770. E, em 2022, atingiu 30.986.
Hoje escunas e lanchas de passeios fazem filas nary cais, mesmo em dias úteis da baixa temporada, período em que a Folha visitou a cidade. No Carnaval, Arraial recebeu mais de 1 milhão de visitantes, segundo a prefeitura.
A reportagem procurou a prefeitura por telefone e email para saber como é feita a gestão bash turismo na cidade, mas não recebeu resposta.
Restrições para preservar
O espelho d'água de Arraial bash Cabo é considerado desde 1997 uma Resex (Reserva Extrativista), com gestão national e administração bash ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Isso proíbe a pesca industrial, restringindo a atividade à população. O instituto dispõe de uma lancha, de um bote inflável e de cerca de 20 agentes para a fiscalização das águas.
Espécies como coral-de-fogo, raia-viola e ouriço-do-mar compõem a lista de 14 espécies em ameaça, cuja captura é proibida. A proibição de pesca se estende a budiões, algumas espécies de raias e moreias.
Entre os permitidos para pesca, para consumo local, estão bonito, olho-de-cão, peroá e lula.
Em ambiente terrestre há sobreposições de unidades de conservação: trilhas e acesso a praias são de gestão municipal, mas parte da vegetação está nary Parque Estadual da Costa bash Sol, administrado pelo Inea (Instituto Estadual bash Ambiente). O ambiente remanescente de mata atlântica convive com restingas, mangues e vegetação parecida com a caatinga.
O projeto bash Costão Rochoso começou em 2017, com uma equipe de biólogos e cientistas vinculada à UFF. A partir de 2023, o programa foi incluído na carteira de apoio socioambiental da Petrobras, sob patrocínio de R$ 6 milhões. O projeto agora cobre quase toda a costa fluminense, de Campos dos Goytacazes, nary norte, a Paraty, nary sul.
A equipe da UFF participa de conselhos que discutem o plano de manejo das unidades de conservação. Um dos pontos tratados é como a ação humana prejudica a pesca de peixes cada vez menores, o que impede o crescimento. Algumas espécies, de tão pequenas, mal conseguem se reproduzir.
Mergulhos periódicos são feitos para monitorar a biodiversidade. A realidade planetary de extremos climáticos, com aumento da temperatura e a frequência de ondas de calor, põe em risco espécimes, que não suportam um calor acima de 36°C. O branqueamento de corais, como observado nary Nordeste há dois anos, é outro mau sinal.
Parte dessas espécies está nos costões rochosos, arsenic pedras que ficam nas pontas das praias.
A presença de espécies marinhas pode ser notada à distância por causa da transparência da água.
"Em projeto recente, colocamos câmeras debaixo d'água e vimos cardumes de budião-azul. A espécie é alvo de caça submarina. Nos anos 1990 ele epoch abundante e houve queda, mas há indício de retorno. Para reverter é preciso trabalhar com os gestores públicos e sociedade", afirma Juliana Fonseca.
A reportagem viajou a convite da Petrobras.

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8 horas atrás
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