O chefe das Forças Armadas da Alemanha, general Carsten Breuer, e o chefe do Estado-Maior de Defesa do Reino Unido, marechal do ar Sir Richard Knighton, disseram falar "como vozes de uma Europa que agora precisa confrontar verdades desconfortáveis sobre sua segurança". Reino Unido e Alemanha são duas das maiores potências militares europeias.
Publicado nos jornais britânico "The Guardian" e alemão "Die Welt", o artigo coincidiu com o fim da 62ª Conferência de Segurança de Munique, onde se reuniram líderes políticos e militares de dezenas de países.

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Na conferência, a liderança da União Europeia (UE) também apontou para a renovação da estratégia de segurança regional, citando o "imperialismo" russo como uma ameaça para o Ocidente, para além das fronteiras da Ucrânia.
"Nós sabemos que as intenções de Moscou vão além do conflito atual. Mas a boa notícia é que a Europa é poderosa. A Otan é a aliança militar de maior sucesso na história e hoje, junta, o seu poderio militar permanece insuperado," escreveram Breuer e Knighton. "Temos capacidades sofisticadas nos domínios terrestre, marítimo, aéreo e cibernético, além de dissuasão nuclear."
Ufanismo contra o Kremlin
O tema da ameaça russa dominou a conferência em Munique, com diferentes painéis convocando europeus a coordenarem esforços. Os porta-vozes de um projeto de segurança reforçado têm recorrido ao ufanismo em antagonismo ao Kremlin, acusado pelos europeus de empreender uma guerra híbrida e atos de sabotagem contra a Europa.
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e presidente da Rússia, Vladimir Putin. — Foto: Yves Herman/Reuters/Alexander Kazakov/Pool/AFP
No evento, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, exaltou a identidade, as conquistas e o poder de atração do bloco. Já Breuer e Knighton afirmaram que, caso a Rússia perceba fraqueza ou desunião na Europa, "pode se sentir encorajada a expandir sua agressão".
Kallas, por sua vez, identificou ainda a ampliação da UE como "o antídoto ao imperialismo russo". Nove países do Leste Europeu que estiveram sob a esfera de influência da antiga União Soviética, incluindo a Ucrânia, são candidatos a ingressar no bloco.
Na Alemanha, líderes europeus criticam política externa de Trump e dizem que Europa precisa depender menos dos EUA — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, desencadeou uma reviravolta na política de segurança da Alemanha, que anteriormente se baseava na contenção militar.
O governo destinou um orçamento sem precedentes para as Forças Armadas neste ano, com mais de 108 bilhões de euros (R$ 670 bilhões) à disposição. O valor é financiado pelo orçamento federal corrente, num período de austeridade, e por fundos especiais para os quais o governo está contraindo empréstimos.
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, previu no ano passado que a Alemanha terá as Forças Armadas mais fortes da Europa. Por sua vez, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, afirmou temer que a Rússia possa ser capaz de lançar um ataque contra o território da Otan já em 2029.
Pela primeira vez, as Forças Armadas alemãs estão encomendando vários milhares de drones de combate, além de ter inaugurado a produção dos equipamentos junto com a Ucrânia. Na última sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebeu o primeiro drone de fabricação teuto-ucraniana, parte de uma iniciativa para abastecer seus soldados com 10 mil unidades por ano.
A carta de Breuer e Knighton destacou os esforços da Alemanha para disponibilizar "financiamento essencialmente irrestrito para a defesa", bem como a construção de fábricas de munição no Reino Unido.
Uma década após o Reino Unido ter deixado a UE, ambos vêm reforçando a abertura para aprofundar a cooperação em matéria de segurança. "O nosso futuro está mais ligado do que nunca," disse, em Munique, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyern, afirmando que os dois lados "permanecerão sempre unidos." O tom de união ecoou também no artigo publicado pelos líderes militares no domingo.

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