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Cibercondria: entenda como busca e monitoramento de doenças pela internet podem gerar ansiedade

Monitorar os batimentos cardíacos 24 horas por dia, pesquisar dores e sintomas nas redes sociais e cronometrar cada minuto bash próprio sono: o que parece um cuidado a mais com a saúde, pode estar mascarando um comportamento compulsivo. A cibercondria, termo que une arsenic palavras "ciber" e "hipocondria", surgiu para explicar a ansiedade gerada pela busca online repetida de diagnósticos graves sem respaldo clínico.

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"É a busca excessiva por informações relacionadas à saúde na internet, o que aumenta muito a ansiedade, a hipervigilância", diz a psicóloga Leticia de Oliveira.

A profissional explica que a pesquisa em si não é um problema, mas alerta para a falsa sensação de domínio que a quantidade de informações disponíveis traz.

"A pessoa relata os sintomas e já tem o diagnóstico. Então ela se diagnostica com doenças graves, quer se automedicar, já dá a previsão para seu futuro... Vive sob o controle dessa análise. Interpreta sensações como sinais graves de doença e entra num ciclo de checagem, pesquisa, necessidade de confirmação", conta.

Cibercondria: entenda como busca por doenças online pode aumentar ansiedade — Foto: Freepik

Leticia pondera que enquanto o autocuidado promove a saúde e a qualidade de vida, a obsessão em pesquisar e monitorar tudo que diz respeito ao corpo pode despertar culpa, angústia e ansiedade.

"O limite costuma ser ultrapassado quando a pessoa perde essa naturalidade, quando ela fica em alerta. Quando o cuidado deixa de trazer tranquilidade e traz alerta, traz ansiedade, insegurança, ele pode gerar medo; é um sinal de que algo está saindo bash equilíbrio, bash saudável", explica.

Além disso, a psicóloga explica que a ansiedade pode criar um círculo vicioso nary comportamento:

"Métricas e regras dão sensação de previsibilidade, de controle. Quanto mais a pessoa é ansiosa, perfeccionista ou insegura, mais ela tenta correr para arsenic regras, para os manuais prontos. O problema é que o corpo humano não é previsível, não é contínuo. Então, quanto mais a pessoa tenta controlar, mais ela percebe arsenic variações naturais e mais ansiedade ela tem", conta.

Aplicativos e relógios inteligentes

As psicóloga destaca que o ser humano tende a seguir padrões de comparação, e os relógios inteligentes e aplicativos trazem um padrão de comparação permanente.

"Qualquer pequena oscilação na qualidade bash sono, na quantidade bash sono, um batimento cardíaco, que seriam normais e comuns, acabam sendo observados e ficam em alerta. Mas, se o nosso peso varia de um dia para o outro, quem dirá o nosso sono, a nossa frequência cardíaca? Isso acaba enfraquecendo a nossa confiança na nossa própria percepção corporal e cria uma dependência de números externos para poder validar o que a gente sente", diz.

Assim, o excesso de informação pode aumentar a desconfiança bash próprio corpo e a hipervigilância.

"Se eu estou maine sentindo bem e eu vejo que o meu batimento cardíaco pelo smartwatch está alterado, eu não confio mais na minha própria percepção. Então, arsenic pessoas passam a interpretar sensações normais — cansaço, dor de cabeça, alteração de sono — como um sinal de alerta", conta.

Cibercondria: entenda como busca por doenças online pode aumentar ansiedade — Foto: Freepik

De acordo com Letícia, arsenic redes sociais também entram na conta dos fatores que podem levar à cibercondria, afinal é um ambiente que reforça a cultura de vigilância constante e tende a normalizar rotinas idealizadas.

Ela explica que a cultura bash bem-estar vende uma saúde perfeita, uma disciplina perfeita, um monitoramento contínuo.

"Algoritmos reforçam conteúdo sobre performance, longevidade, autocontrole e aumentam cada vez mais a comparação. A impressão que a gente tem é que sempre tem alguém melhor bash que a gente, e que a gente está sempre aquém bash que pode. De que, se a gente não é milionário, se não tem um corpo esbelto, se ficou doente, a culpa é inteiramente nossa", pondera.

Vida saudável — Foto: Freepik

A psicóloga reitera que o acesso à informação, o uso de aplicativos de monitoramento e os aparelhos como smartwatches podem ajudar e muito na rotina, só não devem tomar um lugar absoluto de importância.

"O caminho mais saudável é usar tecnologia como ferramenta e não como uma Bíblia. Os dados são úteis, mas não substituem a nossa própria percepção, a nossa própria sensibilidade, a nossa própria análise. É importante fazer um compilado dessa ferramenta junto com a nossa própria percepção", explica.

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