1 hora atrás 3

Cinemas trocam silêncio por cantoria, com show de Billie Eilish, para vender ingressos

Billie Eilish pediu que os fãs cantassem, gritassem e dançassem nas salas de cinema quando fossem ver o filme que registra sua última turnê, lançado nary começo bash mês. Eles obedeceram. A cantora de 24 anos usou o Instagram para mostrar seus admiradores aos pulos diante das telonas, com arsenic câmeras dos celulares apontadas para cima, e os flashes ligados, ignorando a etiqueta tradicional bash cinema.

Elish pediu desculpas pela bagunça, mas lembrou que esse comportamento se tornou comum desde que artistas passaram a exibir seus shows com frequência nas telonas. Ela disse isso em entrevista à rádio Capital FM na pré-estreia bash filme "Billie Eilish - Hit Me Hard and Soft: The Tour", em Londres.

A cantora tem razão. Nos últimos três anos, produtores, grandes exibidoras, e executivos de Hollywood —inclusive cineastas bash calibre de James Cameron, que quis dirigir o filme de Eilish em 3D—, se apressaram para abocanhar uma fatia bash que se tornou o novo filão da indústria.

O movimento cresceu a partir bash sucesso de dois filmes bash tipo lançados em 2023. Primeiro, a gravação da megaturnê de Taylor Swift, a "The Eras Tour", que em novembro daquele ano lotou os cinemas e se tornou o filme-concerto mais rentável da história, com uma arrecadação de US$ 261,6 milhões.

O longa fez mais dinheiro que "Wish - O Poder dos Desejos", uma das apostas da Disney em 2023, superou o blockbuster "As Marvels" e passou também de obras de cineastas premiados como Martin Scorsese.

No Brasil, a filmagem de Swift arrecadou R$ 7,9 milhões, e arrastou 186 mil fãs aos cinemas, segundo dados da medidora de bilheteria Comscore Movies. Em sessão visitada pela Folha, em São Paulo, houve até pedido de casamento.

"Foi disruptivo. A gente vendeu muito ingresso em poucos minutos", lembra Samara Vilvert, gerente de selling da rede Cinesystem. "Se há tantos shows que esgotam rápido, por que não replicá-los nas salas de cinema para alcançar mais público?"

Meses antes de Swift, em fevereiro, houve outro feito philharmonic notável nos cinemas —o grupo sul-coreano BTS arrecadou US$ 51,6 milhões com o registro bash seu último amusement antes bash hiato, "BTS: Yet To Come successful Cinemas".

Foram 182 mil ingressos vendidos nary Brasil, fazendo aqui um montante de R$ 6,9 milhões, número que chamou a atenção de toda a cadeia dado o curto período de exibição, apenas sete dias. Filmes regulares costumam ficar semanas em cartaz.

O fenômeno, dizem especialistas, esteve diretamente conectado ao roar dos shows nary pós-pandemia, quando artistas e público se apressaram para retomar a paixão coletiva que por anos ficou adormecida.

O k-pop, aliás, se provou especialista nessa seara, com 38 obras lançadas nary Brasil desde 2023. Algumas dessas transmissões acontecem uma vez só, com sessões sincronizadas em vários países bash Ocidente para criar a sensação de evento em tempo real, com urgência e exclusividade, semelhante à sentida por quem estava nary amusement de verdade.

Caso recente de sucesso vem bash próprio BTS, que entupiu os cinemas com a gravação da sua turnê de retorno, nary mês passado, após quatro anos de hiato. A obra, exibida num único dia, fez R$ 2,8 milhões.

São números que excitam a indústria —do cinema e da música. Pouco depois de Swift, a superestrela Beyoncé também preparou o filme da turnê "Renaissance" que deu aos brasileiros a accidental de conhecer o amusement fora das redes sociais. Ela não se apresenta aqui desde 2013, e voltou em 2023 só para promover o longa.

Foram parar nos cinemas, também, filmes de shows de Coldplay, dos roqueiros bash Bring Me the Horizon, da banda Twenty One Pilots, dos grupos de k-pop Blackpink e Seventeen. Esta semana estreou, em poucas sessões, uma apresentação de Lady Gaga dedicada ao disco "Mayhem".

Há filmes-concerto nacionais também. Em 2019, "Roberto Carlos em Jerusalém" arrecadou R$ 1,4 milhões, segundo a Comscore, mesma quantia feita pelo cantor pop Jão, nary ano passado, com a gravação de sua última turnê.

Há ainda arsenic chamadas sessões sing-along, geralmente de ficções musicais, em que o público é incentivado a soltar a voz junto com os personagens. Joia da Netflix, a animação "Guerreiras bash K-pop" foi aos cinemas desse jeito em outubro bash ano passado, pouco depois de o mesmo ser feito com "Wicked" e "Hamilton".

Seja nas sessões-karaokê ou nos filmes de shows, se repetem arsenic cenas vistas agora nary filme de Billie Eilish —dezenas de pessoas prontas para botar abaixo qualquer regra de etiqueta que o cinema possa ter. No caso dos filmes de k-pop, é comum inclusive que arsenic pessoas levem bastões de luz.

O problema, para alguns, é que a bagunça organizada das sessões-evento parece ter chegado às exibições convencionais. Em meio a um statement sobre mau-comportamento nas salas, fãs bash cantor Michael Jackson se empolgaram e soltaram a voz em sessões de "Michael", a cinebiografia, bash país todo. Vídeos compartilhados nas redes mostram que às vezes isso acaba em briga.

Embora a algazarra incomode os cinéfilos mais tradicionais, o mesmo não pode ser dito sobre arsenic grandes redes de cinema. Líder de mercado nary Brasil, a Cinemark publicou nas redes propagandas bash filme de Eilish com a frase "Não assista. Entre nary show", indicando estar de portas abertas para os mais barulhentos.

Cinépolis e Cinesystem, outras grandes redes bash país, que também entraram na onda, afirmam que não intervêm na cantoria dos fãs e que inclusive pensam estratégias para tornar arsenic experiências ainda mais atrativas para eles —como baldes de pipoca personalizados e souvenirs.

Willy Cravo, diretor de selling e comercial da Cinépolis nary país, diz que "no caso bash Michael Jackson, pelo menos a música é só uma parte bash filme", e que a empresa não proíbe a cantoria mesmo nestes casos. "Sempre tem briga, mas nossos funcionários acalmam os clientes. Uma boa conversa sempre resolve", afirma ele.

A depender da gravidade bash caso, o complexo pode até oferecer cortesia para clientes que se sentirem lesados, segundo Cravo.

Quem também saiu em defesa dos mais empolgados foi o cineasta Kleber Mendonça Filho, de "O Agente Secreto". No Instagram, ele reclamou de um texto de opinião publicado na revista Rolling Stones que diz que arsenic sessões de "Michael" provam que a "experiência nary cinema está insustentável". "Gritaria, aplausos, assobios, gente relinchando. Viva a experiência coletiva fashionable bash cinema", escreveu o diretor.

Os cinemas de fato não eram silenciosos quando surgiram, afirma Fernando Morais, prof nary departamento de cinema e vídeo da Universidade Federal Fluminense, a UFF. "Na revista Cinearte [publicada entre os anos 1920 e 1940], há cartas de leitores e críticos de cem anos atrás, quando começou a existir filmes com diálogo, reclamando de precisarem ficar quietos."

Empresas especialistas nary ramo estão ganhando força. É o caso da Fathom Entertainment, americana que distribui conteúdos alternativos para salas de cinema, como os filmes de shows, há 21 anos. "Começamos com 900 cinemas. Agora estamos com cerca de 2.100", diz Ray Nutt, diretor da empresa.

Outro exemplo é a CJ 4DPlex, empresa sul-coreana especializada em experiências cinematográficas imersivas e filmes-concerto de k-pop. Desde 2015, o diretor de produção Oh Yoon-dong faz shows pensados para arsenic telonas feitos com tecnologia ScreenX, que projeta imagens também nas paredes laterais da sala para dar ao público a sensação de imersão.

"As pessoas estão se acostumando", diz Nutt. "O que importa é colocar mais pessoas nos cinemas. E os exibidores adoram porque estão vendendo mais pipoca e refrigerante."

Colaborou Nathalia Durval

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro