A Confederação Nacional da Indústria (CNI) envia nesta terça-feira (14) aos 513 deputados federais e 81 senadores uma carta contra a redução da jornada de trabalho.
A pauta, em discussão no Congresso Nacional, é uma das prioridades da agenda legislativa do governo Lula para este ano.
"Uma eventual redução da escala de trabalho terá impacto direto na competitividade do país, nos empregos formais e na produtividade das empresas brasileiras", diz a carta, assinada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade entregará também um manifesto assinado por mais de 800 instituições da indústria, entre as quais as 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos, destacando que os custos com salários podem aumentar em até R$ 267 bilhões caso haja a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Atualmente, está tramitando na Câmara uma proposta de emenda constitucional que, além de reduzir a jornada, também acaba com a escala de trabalho 6x1. O governo, preocupado com a demora na aprovação, deve enviar um novo projeto de lei, em regime de urgência.
Segundo a carta, os prejuízos tendem a ser mais severos para as empresas de menor porte e haverá efeito inflacionário.
"Os preços para o consumidor tendem a ter alta média de 6,2% –as compras em supermercado, por exemplo, devem ficar 5,7% mais caras", afirma.
Entre os setores mais afetados estariam os de uso intensivo de mão de obra, como a indústria têxtil e de panificação.
"A indústria brasileira reconhece a importância do aperfeiçoamento das relações de trabalho, mas entende que mudanças dessa dimensão não devem ser feitas sem análise técnica consistente, transição adequada e vínculo com ganhos reais de produtividade. Sem isso, a tendência é de aumento de custos, pressão sobre preços, desestímulo a investimentos e ampliação da informalidade", diz o documento.
A CNI finaliza pedindo que o cuidado na discussão do tema seja ainda maior no ano eleitoral. "Temas de forte apelo social exigem responsabilidade, avaliação de impactos e visão de longo prazo, para evitar decisões precipitadas e efeitos negativos sobre a economia", afirma.

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