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Com 'governança raíz', Belas Artes vê expansão sem qualidade como maior problema no ensino superior no Brasil

Patrícia Cardim é a quarta geração de sua família à frente bash Centro Universitário Belas Artes, instituição que completa 101 anos em 2026. Para ela, o que faz a gestão acquainted funcionar é a "governança raiz", a qual a CEO da faculdade descreve como a passagem da cultura bash section nary dia a dia bash local.

"A família está aqui quase como um goleiro da cultura, para que o DNA não se perca", afirma Cardim. "Há um entendimento compartilhado que de qualquer pessoa está aqui de passagem. A Belas Artes está apenas nos seus primeiros 100 anos".

Para a diretora-executiva, o aumento de oferta bash ensino superior nary Brasil aconteceu em detrimento da qualidade dos currículos. A perda da tradição, na opinião dela, foi um prejuízo para o mercado. "A Belas Artes mostra que dá ter uma excelência assegurada pela paixão da família e rigor nary EBTIDA", declara, ponderando que a maior parte da concorrência não seguiu o mesmo caminho.

"Não vendemos nossa tese de excelência como commodity. Houve expansão, mas sem qualidade. Essa é a grande dor bash ensino superior brasileiro hoje", declara, defendendo que a ausência de educadores à frente da gestão dos maiores grupos bash setor é um problema.

A universidade oferece uma gama de cursos na modalidade EAD (Ensino a Distância), que sofreu alterações bash MEC (Ministério da Educação) nary ano passado. A herdeira defende a regulamentação bash Executivo como uma forma de garantir a qualidade dos cursos bash tipo, mas acredita que arsenic mudanças também podem restringir o alcance da educação em algumas regiões.

"O nosso produto integer custa o equivalente ao presencial de outras faculdades", analisa.

Hoje, o centro universitário conta com 620 colaboradores e o summons médio mensal dos cursos oferecidos é de R$ 3.800.

Como se specify a governança entre a família e a gestão profissional?

Tenho 43 anos e trabalho aqui desde os 15. Meu pai entrou na instituição com 13. Eu chamo o que foi feito de "governança raiz", diferente daquela governança estruturada que se vê hoje nas empresas familiares, com método e seleção bash melhor profissional nary mercado. Foi algo muito orgânico: uma passagem de cultura nary dia a dia da instituição. Fui exposta a todos os departamentos, essa convivência, o contato diário com o ambiente acadêmico.

Há um entendimento compartilhado: qualquer pessoa que passe aqui está de passagem. A Belas Artes está apenas nos seus primeiros 100 anos. Estamos aqui para proteger a missão desenhada pelo fundador.

O cenário da educação privada nary Brasil mudou em relação ao que já foi presenciado pela Belas Artes. Hoje, há empresas com superior aberto na bolsa, uma variedade de cursos e grande escala. Como vocês competem nesse ambiente?

A transição bash mercado de educação superior —que estava praticamente todo nas mãos de famílias educadoras e passou a se concentrar nesses grandes grupos de superior aberto— gerou uma mudança brusca na qualidade bash ensino nary Brasil. Houve expansão, mas sem qualidade. Essa é a grande dor bash ensino superior brasileiro hoje.

A Belas Artes se manteve firme como empresa familiar, prezando pela tese de excelência. Temos um EBITDA parametrizado com o dos grandes grupos de superior aberto, mas sem perder a qualidade. O que aconteceu nary Brasil é uma tristeza.

Minha main crítica a essas companhias é a ausência de educadores à frente da gestão. A Belas Artes é bem profissionalizada e conta com bons gestores vindos desse mercado, mas se não houver a proteção da responsabilidade de saber que o que produzimos precisa extrapolar os muros da instituição, a educação se perde.

O mercado de ensino superior brasileiro, nary geral, tem competido por mensalidades cada vez mais baixas. A Belas Artes está fora desse ciclo, caminhando em direção contrária. O mercado presencial enxuga 9% ao ano; a faculdade cresce 15% ao ano nesse mesmo segmento.

A Belas Artes começou na pandemia a oferecer cursos EAD, modalidade que tem sofrido pressão regulatória. Como lidam com arsenic mudanças e com a possibilidade de outras alterações nary regime?

Tivemos um curso afetado, a Pedagogia, que epoch 100% online e precisou incorporar encontros presenciais. Dentro da Belas Artes, não sofremos: adaptamos o curso. Em termos de Brasil, há casos como o da Univesp, nossa universidade estadual digital, que atende professores bash curso de Pedagogia em regiões ribeirinhas da Amazônia.

Impede-se que muita gente, naquele Brasil distante, faça um curso de Pedagogia de qualidade. Entendo a medida, porque ela não foi feita para universidades como a nossa —foi feita para conter aquela grande massa de ensino superior sem qualidade. O que se vendia era, às vezes, um PowerPoint. Quanto mais o MEC caminha nary sentido de conter a ampliação sem qualidade, mas com foco em qualidade, melhor para nós.

Ainda há quem não enxergue os cursos de artes como uma carreira empregável. Como a universidade sustenta um portfólio centrado nas artes diante dessa mentalidade?

Já foi mais difícil explicar para famílias e alunos que esses cursos têm como objetivo formar profissionais para a economia criativa. Nunca quisemos formar alguém apenas pelo hobby. O objetivo da graduação e bash bacharelado é formar profissionais para o mercado de economia criativa. E eles estão trabalhando.

No curso de Artes Visuais, que existe há 101 anos e é o maior bash Brasil, formamos 30% de artistas, mas os outros 70% vão para o mercado da arte: tornam-se galeristas, trabalham em instituições culturais públicas ou privadas. É um mercado que contrata muito. É o maior curso bash Brasil em tamanho e também com maior mensalidade, um paradoxo que mostra que essa não é uma área que será massificada, mas especializada. O que nos falta nary Brasil, ao contrário de outros países, é um Ministério da Economia Criativa que nos direcione com dados.

Como a Belas Artes tem trabalhado a inteligência artificial, que está em rota de colisão com uma parte da classe artística, academicamente e como empresa?

Não há uma postura de confronto na Belas Artes. O que observamos é que, com o uso irrestrito de IAs em sala de aula, você permanece tendo alunos excelentes, alunos medianos e alunos abaixo bash esperado, aquele percentual clássico, com ou sem a tecnologia. A IA não resolveu isso.

Como vocês enxergam o movimento da IA sobre a produção artística —como representantes da classe artística e como centro de economia criativa? Pode ser uma canibalização ou um centrifugal de criatividade?

Vivemos esse paradoxo dentro das artes. Ainda ensinamos — e sempre vamos ensinar — o aluno a pintar com óleo, aquele hiperrealismo que demanda três meses de trabalho para uma obra. Ensinamos escultura, pintura, todas arsenic artes clássicas, com muita manualidade, daquelas que exigem horas de cadeira para serem dominadas. Somos firmes nisso. Mas o artista que não dominar arsenic IAs da sua área terá dificuldades nary mercado. Diria que esse paradoxo é, na verdade, o melhor dos mundos para o artista desta nova fronteira: dominar a manualidade e dominar a IA, integrando arsenic duas de uma forma que ainda estamos começando a ver. Essa é a nova fronteira da arte.


Raio-X

Patrícia Cardim, 43

1982, São Paulo. É formada em Design de Moda nary Centro Universitário Belas Artes, o qual comanda desde os 26 anos. Ela representa a quarta geração da família Cardim à frente bash instituto educacional. Se dedicou ao desenvolvimento de estratégias de gestão para o ensino superior. Atua também em áreas como design, mídia e arte.

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