O Irã disse estar se preparando para o “pior cenário”, inclusive uma “guerra total”, diante do envio de um porta-aviões dos Estados Unidos ao Oriente Médio. As declarações foram feitas por uma autoridade da alta cúpula do governo iraniano nesta sexta-feira (23).
Segundo a autoridade, que falou sob condição de anonimato à agência Reuters, o reforço militar dos EUA elevou o nível de alerta no país.
“Esperamos que não tenha como objetivo um confronto real, mas as Forças Armadas estão preparadas para o pior cenário. Por isso, tudo está em alerta máximo no Irã”, disse.
Na quinta-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o envio de uma “grande força” ao Oriente Médio para monitorar o Irã “bem de perto”.
“Temos muitos navios indo naquela direção, só por precaução. Temos uma grande flotilha seguindo para lá. Vamos ver o que acontece”, disse. “Prefiro que nada aconteça, mas estamos observando o país muito de perto.”
Trump se referia ao deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln e de navios de escolta, que deixaram o Mar do Sul da China na semana passada com destino ao Oriente Médio. A movimentação foi noticiada pela imprensa americana com base em relatos de autoridades.
As novas ameaças ocorrem dias após o presidente norte-americano ter reduzido o tom contra o Irã. Nas últimas semanas, Trump sugeriu que poderia intervir no país devido à repressão do regime iraniano a uma onda de protestos.
Em 13 de janeiro, Trump afirmou que adotaria “medidas duras” caso o regime executasse manifestantes por enforcamento. No dia seguinte, disse que Teerã havia cancelado todas as execuções e sinalizou que, diante desse cenário, não atacaria o país.
Nos bastidores, porém, a imprensa americana informou que o presidente recuou após pressão da alta cúpula da Casa Branca e de países do Oriente Médio. Segundo o jornal The New York Times, Israel também pediu que Trump adiasse uma ofensiva.
O governo iraniano já afirmou que atacará alvos americanos no Oriente Médio caso seja bombardeado. Diante das ameaças, os EUA e países aliados pediram que cidadãos deixassem o território iraniano. Bases americanas na região também foram parcialmente esvaziadas.
Uma mulher iraniana caminha por uma rua em Teerã , Irã, em 19 de janeiro de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

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