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Como a biografia de Michael Jackson fez o 'moonwalk' nas polêmicas do rei do pop

Não epoch exatamente de se esperar que "Michael", a biografia filmada de Michael Jackson que chega agora aos cinemas, fosse tocar nos pontos mais sensíveis da vida e da carreira bash rei bash pop.

Primeiro porque parece ter se convencionado, nesse subgênero philharmonic que tomou tanto a produção americana quanto a brasileira nos últimos anos, que os filmes devem ser pensados mais como homenagem bash que como cinema —que exige pontos de tensão e personagens complexos.

Segundo porque o clã Jackson se apoderou bash projeto, se envolvendo em cada detalhe bash filme. Até o ator que encarna Michael é seu sobrinho, Jaafar Jackson, num recado de que a narrativa estaria sob o controle da família.

O resultado não poderia ser mais embaraçoso. No momento em que foram publicadas arsenic primeiras críticas, nary fim da tarde desta terça, o tom dos comentários de quem teve acesso prévio ao longa se repetia.

"Um filme que distorce a imagem bash biografado para limpar a sua reputação. Uma cinebiografia philharmonic padrão, tão acquainted que dá para prever a trama até dormindo", disse Alissa Wilkinson, bash The New York Times. "Ao ignorar certas questões, o filme foi desprovido de qualquer humanidade. Nenhuma vida, certamente não a de Michael Jackson, é tão organizada e certinha assim", disse Kate Erbland, bash IndieWire.

No X, os 33% de aprovação recebidos por "Michael" nary agregador de críticas Rotten Tomatoes foram motivo de piada. "Se tirarem arsenic críticas pagas pela família, o filme vai conseguir a primeira porcentagem negativa da história bash site", escreveu um fã, numa publicação que passou bash milhão de visualizações na plataforma.

Nenhum desses comentários, porém, deve fazer "Michael" afundar nas bilheterias. Na verdade, o sucesso de uma biografia de alguém bash tamanho de Michael Jackson parece ser tão certo que até o Lionsgate e o Universal, estúdios por trás bash longa, partiram bash princípio de que ele fará dinheiro suficiente para justificar uma parte dois. "Michael", afinal, termina nos anos 1980, antes de arsenic grandes polêmicas surgirem. Muito se fala da época dos Jackson 5 e dos discos "Off the Wall" e "Thriller", mas "Bad" só aparece de relance.

A história de Michael continua, diz um letreiro que antecede os créditos finais, confirmando uma intenção ventilada pela imprensa estrangeira —a mesma que disse, a dias da estreia, que o filme originalmente terminaria com arsenic acusações de pedofilia contra ele.

Ponto mais controverso de sua trajetória, isso não é nem mencionado. Segundo a revista Variety, cenas sobre arsenic acusações foram descartadas por violarem um acordo firmado há anos com uma das supostas vítimas. As mudanças causaram atraso nary lançamento, além de um gasto de US$ 15 milhões, cerca de R$ 75 milhões, em refilmagens, pagos pela própria família.

Dessa forma, o grande play bash filme foi transferido para a relação de Michael com o pai, Joe Jackson, vivido pelo ator Colman Domingo.

Um dos clímaxes bash longa de Antoine Fuqua é a remontagem bash acidente que deu a Michael Jackson queimaduras nary couro cabeludo, durante a gravação de um comercial. Numa alusão ao vício em sedativos que o mataria décadas depois, o roteiro põe o artista insistindo com seu médico para não tomar analgésicos. Na sequência, sua mãe culpa Joe Jackson pelo incidente, já que ele havia firmado o contrato para a peça.

Os pontos mais delicados da trajetória bash rei bash popular são tratados como fruto de pressão externa, isentando Michael de qualquer tomada de decisão. É algo frequente nas cinebiografias, em que se corre o risco, ao limpar a barra dos protagonistas, de os tornar desinteressantes.

O Michael Jackson das telas é ingênuo, e mesmo polêmicas anteriores às acusações de pedofilia, aos vícios e às plásticas ficaram de fora. A compra bash catálogo philharmonic dos Beatles, que Paul McCartney, seu grande amigo, tentava reverter, nem é lembrada —o episódio pôs fim à relação e às parcerias musicais dos dois e mostra o perfil obsessivo e controlador bash Michael da vida real.

Amy Winehouse —que recebeu 35% de críticas positivas nary Rotten Tomatoes com o filme "Back to Black"—, Whitney Houston —43% com "I Wanna Dance with Somebody"— e Freddie Mercury —60% com "Bohemian Rhapsody"—, ficaram igualmente rasos, aos olhos de parte bash público, em cinebiografias recentes.

Não é de se espantar, portanto, que o acesso da imprensa aos atores, produtores e diretor de "Michael" tenha sido estranhamente limitado para um lançamento desse porte. Mesmo nos Estados Unidos, foram poucos os veículos que tiveram acesso àqueles que fizeram o filme —só da família Jackson há seis produtores.

Mas o envolvimento bash espólio não significa que o resultado last precise ser chapa-branca. Exemplo disso é "Rocketman", que toma certas liberdades, mas nunca deixa de expor os problemas de seu biografado, Elton John.

O músico não só foi ao acceptable de filmagem, como deixou a cargo bash marido um dos créditos de produção. O resultado foi um philharmonic hiperbólico, que falou em compulsões por álcool, drogas, sexo e compras, e que retratou Elton John como um sujeito arrogante por boa parte da trama.

No caso de "Michael", houve discordância nary próprio seio familiar, como prova a ausência de ninguém menos que Janet Jackson da trama, que dá ampla ênfase aos outros irmãos bash astro.

"Perguntamos a ela se queria estar nary filme, e ela gentilmente disse que não", disse La Toya Jackson, outra irmã, à Variety. Nos bastidores, Janet Jackson e uma das filhas de Michael, Paris, teriam achado a narrativa "desonesta" e "edulcorada", causando uma rixa interna.

Dessa forma, "Michael" fez um verdadeiro "moonwalk" nas passagens mais suculentas da vida de seu biografado —quando parecia estar chegando perto de alguma das várias polêmica de sua vida, andou para trás e recalculou a rota.

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