
Crédito, Getty Images
- Author, Redação
- Role, BBC News Brasil
Há 9 minutos
Tempo de leitura: 4 min
A prisão do ex-chefe da inteligência brasileira Alexandre Ramagem por agentes do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (13/4), ganhou destaque na imprensa internacional e ocorre após meses de articulação entre a Polícia Federal e autoridades americanas.
Segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil, investigadores brasileiros buscaram explorar a situação migratória do ex-deputado para viabilizar sua detenção, diante da demora e da incerteza sobre o pedido formal de extradição.
Condenado a 16 anos de prisão por participação em uma tentativa de golpe após as eleições de 2022, Ramagem havia fugido do Brasil antes do trânsito em julgado e vinha sendo monitorado pelas autoridades.
Sua detenção em Orlando, na Flórida, é tratada por investigadores como resultado de cooperação internacional — ainda que oficialmente vinculada a questões migratórias.
A repercussão fora do Brasil destaca tanto o contexto político da condenação quanto às circunstâncias da prisão, com veículos estrangeiros dando ênfase a diferentes aspectos do caso.
Veículos estrangeiros destacaram que Ramagem, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia fugido do Brasil antes de ser condenado a 16 anos de prisão por participação em uma tentativa de golpe após as eleições de 2022.
O jornal britânico The Guardian enfatizou o caráter inusitado da prisão, destacando que Ramagem foi o único entre os condenados que não iniciou o cumprimento da pena por ter deixado o país antes da sentença.
A publicação também chamou atenção para o contexto político, citando que ele foi detido em meio ao endurecimento da política migratória do governo de Donald Trump.
A reportagem ainda detalha as acusações contra o ex-chefe da Abin, incluindo o uso de softwares de espionagem para monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos, além de mencionar que ele teria alegado, enquanto vivia nos EUA, ter apoio de integrantes do governo americano.
Já o The Washington Post deu destaque ao caráter internacional da operação, descrevendo a prisão como o desfecho de uma "caçada" que durou meses em dois continentes.
O jornal ressalta que Ramagem foi condenado à revelia pelo Supremo Tribunal Federal e detalha sua fuga — que incluiu a travessia da fronteira com a Guiana antes de embarcar para os Estados Unidos.
A publicação também contextualiza o caso dentro da crise política brasileira, citando que a tentativa de golpe incluía planos de assassinato de autoridades e culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, comparados ao episódio da invasão ao Capitólio nos EUA em 2021.
A rede Al Jazeera adotou um tom mais factual e baseado em agências, destacando que Ramagem foi detido por autoridades migratórias americanas após fugir do Brasil. O veículo ressalta que há um pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro e observa que não há confirmação independente sobre os motivos específicos da detenção.
A Reuters também seguiu uma linha direta e informativa, enfatizando que a prisão ocorreu após cooperação entre autoridades brasileiras e americanas, mas sem confirmação oficial de que a detenção esteja ligada diretamente ao pedido de extradição.
A agência destacou ainda que Ramagem sustenta sua inocência e que o motivo exato da prisão não foi detalhado pelas autoridades dos EUA.
Já a emissora alemã Deutsche Welle reforçou o contexto jurídico, destacando que o Brasil solicitou formalmente a extradição em dezembro e que a detenção foi resultado de cooperação internacional. Assim como outros veículos, apontou a ausência de detalhes por parte do ICE sobre as circunstâncias da prisão.
Apesar das diferenças de abordagem, há pontos comuns entre as coberturas: todos os veículos destacam a fuga de Ramagem antes da condenação, o papel dele na tentativa de golpe e o fato de a prisão ter ocorrido por questões migratórias — e não diretamente por ordem judicial ligada ao processo no Brasil.
Outro elemento recorrente é a incerteza sobre os próximos passos do caso, especialmente em relação a uma eventual extradição e ao impacto político da prisão para aliados de Bolsonaro dentro e fora do país.

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