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Como era o prédio e como funciona a reunião que escolhe o novo líder supremo do Irã, atacados por Israel

Até a última atualização, às 14h30, não havia confirmação oficial sobre mortos ou feridos.

O edifício fica na cidade de Qom, no centro do Irã, a cerca de 100 quilômetros da capital, Teerã. O prédio tem sete andares e sediava o encontro da Assembleia dos Peritos, formada por clérigos islâmicos e especialistas no direito islâmico, conhecido como "sharia".

Mais de um milhão de habitantes vivem na região, que abriga locais sagrados do islamismo xiita e é considerada o principal centro de ensino da religião.

Uma foto de 2016, via Google Maps, mostra como era a fachada do lugar (veja abaixo).

Fachada do prédio bombardeado por Israel, em imagem de 2016 — Foto: Google maps

🗺️ Por ser um regime fechado, o Irã tem atualização limitada de imagens e informações públicas sobre prédios oficiais e ruas, diferentemente do que ocorre em países de regimes democráticos, como o Brasil.

Informações de agências de notícias internacionais e de jornais israelenses apontam que os 88 integrantes da Assembleia dos Peritos estariam reunidos no local no momento do ataque.

Homem segura cartaz com imagem do aiatolá Ali Khamenei após morte do líder em ataques de EUA e Israel — Foto: Atta Kenare/AFP

Até as 14h30 desta terça (3), não havia posicionamento oficial do governo iraniano sobre vítimas. Agências estatais do país informaram que o prédio foi "arrasado".

O novo líder supremo iraniano será escolhido em reunião feita pela Assembleia dos Peritos, grupo formado por 88 aiatolás e especialistas na sharia.

Com a morte de Ali Khamenei, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que um novo líder supremo será escolhido em "um ou dois dias".

Alireza Arafi, clérigo xiita iraniano e líder supremo interino do Irã — Foto: Mostafa Meraji via Wikimedia Commons

A escolha é tomada por meio de votação interna. O escolhido deve ter a maioria simples dos membros para se tornar o novo líder supremo.

Os membros da Assembleia dos Peritos são escolhidos por voto popular, mas os candidatos a uma vaga devem ser aprovados em uma rigorosa avaliação do Conselho dos Guardiães.

O Conselho dos Guardiães, por sua vez, é composto de 12 membros: seis religiosos apontados diretamente pelo líder supremo e outros seis especialistas em direito islâmico indicados pelo Chefe do Judiciário.

Por conta dessa pré-aprovação, pouquíssimos candidatos costumam concorrer a uma vaga na Assembleia dos Peritos. A forma como os processos de eleição são estruturados no Irã fazem com que o poder se mantenha sempre concentrado na figura do líder supremo e entre os aiatolás.

Israel ataca prédio onde Assembleia dos Peritos do Irã se reúne — Foto: Editoria de Arte/g1

Como funciona o poder no Irã

Desde 1979, o Irã tem um regime de poder teocrático — onde o poder político é exercido por líderes religiosos ou baseado em dogmas de alguma religião.

O cargo mais alto do país se tornou o do líder supremo, que concentra os poderes políticos e religiosos. Apenas 2 pessoas ocuparam a função: o aiatolá Ruhollah Khomeini, até 1989, e Ali Khamenei, de 1989 até o último sábado.

Apesar de o país ter um presidente, o aiatolá é a maior liderança do país.

É função do Líder Supremo:

  • definir a política externa;
  • supervisionar o Parlamento;
  • nomear o comandante da Guarda Revolucionária; e
  • indica os principais representantes do Judiciário.

O presidente do Irã responde basicamente pelas políticas econômicas e outras questões internas.

Ele é escolhido em eleições diretas, mas todos os candidatos precisam ser aprovados pelo líder supremo.

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