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Como explicar a derrocada de marcas como Tok&Stok, Cultura e Pão de Açúcar

É evidente que o prolongado ciclo de alta de juros, que se soma a problemas provocados ou originados na pandemia, atrapalhou as contas dessas e de tantas outras empresas, tornando suas dívidas impagáveis. Mas o nível de alavancagem a que se submeteram obedece a uma lógica perversa do mercado, de crescimento acelerado visando o lucro de curto prazo para poucos.

Pão de Açúcar, Tok&Stok, Livraria Cultura, Saraiva, Americanas foram todas fundadas por imigrantes que se instalaram no país, a maioria na primeira metade do século passado. A mais nova do grupo, a Tok&Stok, foi fundada por um casal de franceses que veio em busca de oportunidades na época da crise do petróleo, no final dos anos 70.

Todas essas empresas que durante décadas fizeram a fortuna de gerações em suas respectivas famílias, a despeito de cenários de hiperinflação e de inúmeros planos econômicos, têm algo a mas em comum: foram vendidas para fundos de private equity.

Os fundos de private equity operam adquirindo empresas de capital fechado. Consolidam um setor, adquirindo concorrentes para criar uma empresa grande o suficiente para abrir capital na Bolsa de Valores. Eles investem milhões na compra e na integração dessas empresas e deixam a sociedade quando da estreia na Bolsa — lucrando com a operação e, muitas vezes, empurrando o risco para o pequeno investidor. Apesar do hype com os IPOs, comprar ações na estreia não costuma ser um bom investimento.

Isso porque, não raro, o gigantismo desses negócios não se sustenta — e a empresa entra em crise ou passa por um ciclo de desinvestimento, tendo que se desfazer de negócios que antes "faziam todo sentido" para a estratégia da companhia.

Nem toda aquisição é nefasta, obviamente. Em muitos setores, a escala é questão de sobrevivência. Ganhos de eficiência barateiam os preços para o consumidor final. No entanto, em um mundo em que as externalidades ambientais e sociais nem sempre são colocadas na planilha, a lógica de crescer por crescer pode ser um mau negócio, embora quem esteja no comando se esforce para dizer que é. Foi assim com a Natura, que se perdeu em meio a uma onda de grandes aquisições que depois acabaram sendo desfeitas. Em um intervalo de aproximadamente seis anos, a empresa comprou e vendeu as marcas Avon e The Body Shop.

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