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Um dos atores mais icônicos da segunda metade do século 20, o norte-americano Robert Duvall morreu aos 95 anos.
Vencedor do Oscar em 1983 como melhor ator pelo filme Tender Mercies (Força do Carinho, em seu lançamento no Brasil), Duvall já havia deixado sua marca no cinema quase 10 anos antes, quando interpretou o consigliere da família Corleone na obra-prima de Francis Ford Coppola, em O Poderoso Chefão.
Segundo comunicado divulgado por sua assessoria, em nome de sua esposa, Luciana, o ator morreu "em paz", no domingo (15/2) em sua casa na cidade de Middleburg, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos.
"Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, diretor e contador de histórias. Para mim, era tudo", afirmou a esposa.
"Seu amor pelo ofício só se comparava à paixão pelos personagens, por uma boa refeição e pela capacidade de conquistar corações."
O ator Al Pacino, famoso por seu papel em O Poderoso Chefão, prestou homenagem a Duvall, dizendo que foi uma "honra" trabalhar com ele.
"Ele era um ator nato, como se costuma dizer, sua conexão com a arte, sua compreensão e seu talento fenomenal serão sempre lembrados. Sentirei saudades dele", afirmou.
A trajetória de Duvall e seus papéis lendários
Ao longo de impressionantes seis décadas de carreira, Robert Duvall ficou conhecido por interpretar personagens durões, especialmente por seus papéis em O Poderoso Chefão e como o oficial do exército em Apocalypse Now, clássico de 1979.
Indicado a sete Oscars, o ator ganhou a estatueta de melhor ator em 1983 ao interpretar um cantor de country alcoólatra em A Força do Carinho.
Mais conhecido pela profundidade dos seus personagens do que pelo status de astro ou galã, Duvall se destacou por imprimir energia, virilidade e um temperamento teimoso até mesmo em produções hollywoodianas mais convencionais.
Nascido Robert Selden Duvall, em janeiro de 1931, na cidade de San Diego, na Califórnia, ele costumava se definir como um "filho da Marinha", em referência à longa carreira do pai na United States Navy.
O pai esperava que seguisse seus passos e também ingressasse na Marinha, mas o ator optou por um caminho diferente: após se formar na universidade, em 1953, serviu por dois anos no Exército dos Estados Unidos.
Depois disso, Duvall mudou-se para Nova York para estudar atuação e trabalhou como carteiro para se sustentar. Entre seus colegas estavam Dustin Hoffman e Gene Hackman, que se tornariam amigos por toda a vida.
"Um amigo é alguém que, anos atrás, lhe ofereceu seus últimos 300 dólares quando você quebrou a pelve", recordaria mais tarde. "Um amigo é Gene Hackman."

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Duvall iniciou a carreira profissional no Gateway Playhouse, teatro de verão em Long Island, onde atuou em peças de autores como Arthur Miller e Tennessee Williams.
Sua atuação na peça curta The Midnight Caller, de Horton Foote, levou o dramaturgo a indicá-lo para viver Boo Radley na adaptação cinematográfica de O Sol é para Todos, baseada no romance de Harper Lee.
Esse foi seu primeiro papel no cinema e abriu caminho para participações em filmes como The Chase (Caçada humana, em português), Bullitt e True Grit (Bravura indômita).
Antes disso, ele já havia aparecido em séries de TV como Naked City (Cidade Nua) e Alfred Hitchcock Presents (Suspense).
O drama The Rain People (1969), lançado em português como Caminhos mal traçados, marcou sua primeira colaboração com o diretor Francis Ford Coppola, parceria que continuaria nos dois primeiros filmes de O Poderoso Chefão.
Outros trabalhos importantes no período incluem o major Burns em M.A.S.H, de Robert Altman, e o protagonista do sci-fi distópico THX 1138, estreia de George Lucas.
Sua interpretação de Tom Hagen em O Poderoso Chefão, conselheiro do Don Vito Corleone vivido por Marlon Brando, lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar, em 1973. O ator repetiu o papel em O Poderoso Chefão II.
Em 1979, Duvall entregou talvez sua atuação mais lembrada como o tenente-coronel Kilgore em Apocalypse Now.
Apesar de ter aparecido por poucos minutos em cena, ele protagonizou uma das falas mais lembradas da história do cinema: "adoro o cheiro de napalm pela manhã".
O personagem, inicialmente criado para ser mais caricato, acabou suavizado por Duvall, e o nome foi alterado de capitão Carnage para tenente-coronel William Kilgore.
"Eu fiz meu dever de casa", disse o ator ao apresentador Larry King em entrevista de 2015. "Pesquisei bastante"

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Na mesma fase, mostrou intensidade semelhante em o Grande Santini, como um piloto da Marinha frustrado que pressiona os filhos. A cena em que atormenta o filho quicando uma bola de basquete contra sua cabeça acabou parodiada por Mike Myers no segundo filme da série Austin Powers.
Os trabalhos em Apocalypse Now e O Grande Santini lhe renderam indicações ao Oscar em anos consecutivos, além de um Bafta — premiação britânica equivalente ao Oscar nos EUA — e o primeiro de quatro Globos de Ouro.
A consagração viria com Força do Carinho, quando finalmente venceu o Oscar, superando concorrentes britânicos como Albert Finney.
Outras indicações vieram por O Apóstolo — que também escreveu e dirigiu —, pelo drama jurídico A Qualquer Custo e por O juiz.
Em O Apóstolo, Duvall viveu um pregador evangélico que tenta recomeçar a vida após cometer um crime.
Na vida real, frequentou a igreja na infância, mas evitava falar sobre religião, dizendo apenas ter sido "sempre um crente".
Republicano convicto, também não escondia suas posições políticas e chegou a participar da posse do presidente George W. Bush, em 2001.
Entre seus muitos outros papéis estão um policial de Los Angeles em As cores da Violência, um astronauta em Impacto Profundo e um chefe de equipe da Nascar em Dias de Tempestade ao lado de Tom Cruise. Os dois voltariam a atuar juntos em Jack Reacher.
Duvall parecia especialmente à vontade em histórias de faroeste.
"O faroeste nos define", afirmou em 2016.
"Os ingleses têm William Shakespeare; os franceses, Molière; os russos têm Anton Chekhov. O faroeste é nosso."
Duvall costumava afirmar que seu papel favorito foi o de Augustus McCrae, o texano que se torna vaqueiro na minissérie Lonesome Dove (Os pistoleiros do Oeste, no português), baseada no romance de Larry McMurtry.
Homenagens

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Após a divulgação de seu falecimento, vários artistas prestaram homenagem a Duvall.
O comediante e ator Adam Sandler publicou fotos dos dois juntos durante as gravações do filme Hustle (Arremessando Alto), lançado em 2022.
"Divertido como poucos. Forte como poucos. Um dos melhores atores que já tivemos. Era alguém com quem eu tinha prazer em conversar e dar risada… Enviamos nossas condolências à esposa, Luciana, e a todos os familiares e amigos", escreveu Sandler.
A atriz vencedora do Oscar Jamie Lee Curtis também prestou homenagem nas redes sociais, ao publicar no Instagram uma imagem de Duvall como Tom Hagen em O Poderoso Chefão.
"O melhor consigliere que o cinema já viu. Bravo, Robert Duvall."
O ator Robert Patrick, que contracenou com Duvall em O carro de Jayne Mansfield, de 2013 — no qual interpretou o filho de seu personagem — afirmou estar "arrasado".
"Ao longo dos anos, eu ligava para o Bobby e conversávamos sobre filmes e churrasco. Ele adorava churrasco e sempre me avisava quando estava comendo em Lockhart, no Texas. Vou sentir falta do Bobby. Sempre terei orgulho de ter interpretado seu filho. Descanse em paz, amigo."

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