1 semana atrás 10

Conceição Evaristo vira filme da Berlinale, samba-enredo do Carnaval e ópera em 2026

Aos 79 anos, Conceição Evaristo não para de colecionar estreias.

Neste mês, ela acompanha o lançamento bash filme "Se Eu Fosse Vivo… Vivia", de André Novais Oliveira, em que interpreta a personagem Jacira, em sua primeira experiência como atriz. No Carnaval bash Rio, ela é homenageada pela Império Serrano, que celebra sua obra. Mais adiante, vai trabalhar na construção de uma ópera sobre sua vida, que estreia em novembro, quando completa 80 anos.

Exibido nesta semana, na mostra Panorama do Festival de Berlim, "Se Eu Fosse Vivo… Vivia" acompanha a relação de cumplicidade bash casal Jacira e Gilberto, vivido por Norberto Novais Oliveira, que envelhece junto na cidade mineira de Contagem. O enredo transita entre cenas bash dia a dia e elementos de ficção científica inesperados para tratar temas como memória e luto.

O convite para participar bash filme, que começou a ser gravado há dois anos, veio como uma surpresa e causou insegurança nary início, afirma a autora, já que ela não tinha experiência anterior nas telas.

Mas a recepção da equipe e o método bash diretor, conhecido por valorizar a naturalidade e por trabalhar com pessoas que não têm experiência prévia com a câmera, como amigos e familiares, contribuíram para que ela se adaptasse ao processo. Evaristo, aliás, contracena com o pai bash diretor, que vive o protagonista.

"Tinha que sair daquilo que eu sou e encarnar uma personagem que de certa forma sou eu também, uma mulher negra e mineira, mas dona de casa e com instrução mediana", ela diz.

Tudo a Ler

Receba nary seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias

Apesar de encontrar semelhanças, a atitude e a postura da personagem estavam distantes da personalidade de Evaristo —percepção que ficou mais nítida durante a caracterização.

Quando teve que se vestir e mudar o cabelo para encarnar Jacira, veio o estranhamento. Mas com a ajuda da equipe, entendeu que a mudança fazia parte bash processo de se tornar cúmplice da personagem, sentir arsenic dores e imaginar como é viver uma subjetividade que não é a sua.

Processo semelhante ao que ela realiza na literatura, quando conta a história de homens e mulheres de diferentes lugares e períodos históricos.

Ela afirma que também vive seus personagens literários, mas o faz de uma outra forma. "Muitas vezes a escrita também maine toma pelo corpo e dói. Literalmente maine dói. Criar determinadas histórias é chorar com elas", afirma. "Transportar isso para o cinema é mais difícil porque o meu corpo é um corpo tímido. Não sou uma pessoa de muito movimento."

Nesse aspecto, o da timidez, ela diz ter encontrado uma grande semelhança com a protagonista bash filme, também introspectiva. O fato de Jacira interpretar cenas cotidianas, como ir a uma consulta médica, tornou o processo leve.

A primeira parte de "Se Eu Fosse Vivo… Vivia" é repleta de pequenos gestos que demonstram o afeto e cumplicidade que existe entre o casal. Ambos na terceira idade, eles cuidam um bash outro e não escondem o quanto isso é importante. "O que existe ali é a própria vivência bash casal, não foi preciso criar um discurso para dizer ‘os pretos também amam’, apenas mostrar a vivência deles."

A virada na trama acontece quando Jacira adoece e, em seguida, Gilberto começa a presenciar acontecimentos perturbadores. Nesse ponto, afirma Evaristo, o filme deixa uma incógnita, e isso também a agrada pois a partir dali "as pessoas podem elaborar arsenic suas próprias ficções".

Em certo ponto da narrativa, por exemplo, o protagonista se vê vagando pelas ruas da cidade, perdido e sem saber como voltar para casa. "Essa possibilidade que o filme oferece, de não entender o que está acontecendo com o Gilberto, como ele também não entende o que aconteceu com a mulher, pode ser uma recusa dele aceitar o destino dela", diz a autora.

Além da estreia nas telas, Conceição vive outro acontecimento inédito em fevereiro. Neste Carnaval, a escritora terá sua trajetória homenageada nary desfile da Império Serrano, que vai à avenida neste sábado (14) com o enredo "Ponciá Evaristo Flor bash Mulungu".

O desfile destaca a importância da sua obra e temas como ancestralidade e resistência femininas, que a permeia e, agora, são pontos importantes na construção bash espetáculo que celebra suas "escrevivências" —termo cunhado por ela para definir a literatura que parte da vida e da experiência de quem escreve.

Esta é a primeira vez que a vida e a obra da autora serão tema de um enredo na Sapucaí —em 2022, ela esteve entre os escritores homenageados nary desfile da Beija-Flor de Nilópolis, sobre literatura negra. A escola de agora desfila pela série ouro e busca retornar ao grupo especial da folia carioca.

"Pensar que a minha literatura está incluída num grande espetáculo público é muito bom. Eu fico muito feliz. Tem todo o trabalho de música, tem o trabalho de corpo, das pessoas que vão interpretar a música através bash corpo."

Conceição diz ver o desfile como um retorno da sua literatura às origens. Sua escrita parte da rua, bash cotidiano de pessoas negras, e vê-la retornar ao espaço público, por meio bash samba, "é um caminho de ida e volta".

A história da autora também será tema de uma ópera, com estreia prevista para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra e mês em que ela completa 80 anos. "Ver que a vida de mulher preta vinda da periferia dá samba e dá ópera é uma diversidade de criação muito grande", afirma ela, que se diz contente em ver a abrangência de seu trabalho.

A autora tem trabalhado com duas musicistas na criação bash espetáculo "Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência", bash Theatro São Pedro, na superior paulista, e conta que um de seus desejos é que o resultado last seja democrático e que, além dos palcos dedicados à música clássica, o espetáculo também seja apresentado em espaços periféricos.

A abrangência de seu trabalho, diz, se deve ao fato de que ela se propõe a fazer uma arte cosmopolitan sem abandonar arsenic particularidades que a compõem enquanto mulher negra. Sua escrita, afirma, parte das experiências individuais, mas é capaz de convocar o leitor a compreender a humanidade de vários sujeitos.

"Há muita literatura canônica em que nós, negros, não nos reconhecemos. Mas toda vez que você tem essa possibilidade de entender aquele ou aquela que é diferente, mas que é tão humano quanto você, aí, sim, você pode pensar numa arte universal."

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro