O Congresso Nacional promulgou nesta quinta-feira (22) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Anistia, que reduz a cota para candidatos negros nas eleições e perdoa irregularidades cometidas por partidos políticos em eleições anteriores.
A cerimônia ocorreu em momento em que congressistas atuam para aprovar um projeto de lei que afrouxa a Lei da Ficha Limpa, muda regras de inelegibilidade para políticos condenados e pode favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
A promulgação foi marcada pelo esvaziamento do plenário. Nem sequer os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), participaram da solenidade.
Congressistas disseram à reportagem que há certo constrangimento com a aprovação da PEC da Anistia, por ser uma pauta negativa para o Legislativo. O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), primeiro vice-presidente da Câmara, assinou a nova Emenda Constitucional.
A PEC uniu a maioria dos partidos políticos - desde aliados do presidente Lula (PT) a correligionários de Jair Bolsonaro, passando por siglas do centrão, como PP e União Brasil.
Só o Novo e o PSOL apresentaram alguma resistência à aprovação da anistia - movimento que não foi suficiente para ampliar a discussão sobre a proposta.
Entre os deputados, o projeto sequer chegou a ser votado na comissão especial, o que deveria ocorrer em se tratando de Proposta de Emenda à Constituição. Entre os senadores, o texto foi aprovado a jato, em uma semana, apesar de Rodrigo Pacheco ter afirmado anteriormente que o assunto não seria discutido de forma açodada.
A PEC da Anistia foi apresentada em março de 2023 com a assinatura de 184 deputados, incluindo os líderes do governo, José Guimarães (PT-CE), e da oposição, Carlos Jordy (PL-RJ).
Além de revogar a determinação de que negros devem receber verba eleitoral de forma proporcional ao número de candidatos e conceder perdão a irregularidades, a PEC abre ainda um generoso programa de refinanciamento de débitos aos partidos políticos.
Um dos objetivos da emenda é derrubar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), válida desde 2020, que obriga os partidos a distribuir a bilionária verba de campanha de forma proporcional ao número de candidatos brancos e negros (pretos e pardos).
Na disputa de 2022, por exemplo, pretos e pardos deveriam ter recebido 50% da verba eleitoral de R$ 5 bilhões, mas a determinação foi descumprida de forma generalizada pelos partidos.
Com a PEC, as legendas devem aplicar 30% dos recursos nas candidaturas de negros -ou seja, ela reduz o percentual de cerca de 50% para 30%.
Para as demais eleições, o projeto diz que os partidos que descumpriram a cota racial em 2020 e 2022 podem compensar essa distorção nas quatro disputas seguintes, de 2026 em diante, escapando assim de punição.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU) 




:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)










Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro