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Conselho de Paz de Gaza: o que se sabe sobre a proposta de Trump

Trump convidou diversos chefes de Estado para serem membros, inclusive o presidente Lula, que ainda não respondeu. Além disso, um rascunho do estatuto do conselho, obtido por agências de notícias, prevê o pagamento de US$ 1 bilhão para permanecer como integrante do órgão.

Nesta reportagem, você vai ver:

  1. O que é o Conselho de Paz de Gaza?
  2. Como a Casa Branca diz que irá funcionar?
  3. E como fica a ONU?
  4. Quem vai presidir o conselho?
  5. Quem fará parte do conselho?
  6. Quem mais foi convidado por Trump?
  7. Por que o convite do Trump é uma saia justa para o Lula?
  8. E os palestinos?

1. O que é o Conselho de Paz de Gaza?

Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard

Como a Casa Branca diz que irá funcionar?

Lula é convidado por Trump para integrar 'conselho de paz' em Gaza

Lula é convidado por Trump para integrar 'conselho de paz' em Gaza

O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos nesta semana, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.

Esta entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca. A proposta, no entando, recebeu críticas de diplomatas e de analistas.

"É uma daquelas iniciativas que a gente fica se perguntando: quem é que planejou isso? E quem é que pensou que isso ia dar certo? Muitos analistas, e eu me incluo entre eles, estão absolutamente céticos sobre o que poderá acontecer com esse conselho”, avaliou o apresentador Marcelo Lins, no programa GloboNews Internacional neste domingo (18).

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.

"É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", disse um deles.

O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que "um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz" é necessário e que é preciso "coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência".

Quem vai presidir o Conselho da Paz?

Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar a serem membros e também pode revogar a participação de quem o desagradar.

De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento.

Quem fará parte do conselho?

Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:

  • o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio
  • o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair
  • o enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza, Steve Witkoff
  • Jared Kushner, genro de Trump
  • o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga
  • Marc Rowan, magnata financista americano
  • Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional

As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.

O presidente americano também designou o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza.

Além desses, Trump também procurou líderes de vários países para integrar o órgão. São eles:

  • Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
  • Vladimir Putin, presidente da Rússia
  • Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia
  • Javier Milei, presidente da Argentina - já aceitou o convite
  • Santiago Peña, presidente do Paraguai
  • Abdel Fattah al-Sisi, presidente do Egito
  • Rei Abdullah II da Jordânia
  • Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá
  • Georgia Meloni, primeira-ministra da Itália
  • Edi Rama, primeiro-ministro da Albânia
  • Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria
  • Nicusor Dan, presidente de Romênia
  • Nikos Christodoulides, presidente do Chipre

Por que o convite do Trump é uma saia justa para o Lula?

O presidente brasileiro defende a criação de um Estado palestino, essa posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump.

Caso aceite integrar o conselho de paz, Lula poderá ser cobrado por coerência. Por outro lado, uma eventual recusa pode desagradar o presidente norte-americano e prejudicar a aproximação que ocorreu entre eles desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.

Ate o momento, não está claro se os palestinos terão uma participação no conselho, o que levanta questões sobre a efetividade do novo órgão.

“Um conselho que não tem em sua composição nenhum palestino para falar sobre Gaza [...] Deixa de muitas dúvidas no ar, e mais do que dúvidas: desconfianças sobre qual o interesse e qual é o papel dos maiores interessados nisso, os palestinos", avalia Marcelo Lins.
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