Miguel Dïaz-Canel.

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Legenda da foto, O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou que começaram as negociações com os EUA para pôr fim ao bloqueio ao fornecimento de combustível para a ilha
    • Author, Alejandro Millán Valencia
    • Role, BBC News Mundo
    • Author, Ángel Bermúdez
    • Role, BBC News Mundo
  • Há 14 minutos

  • Tempo de leitura: 4 min

Díaz-Canel afirmou que essas conversas, conduzidas por autoridades de ambos os países, "visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre nossas duas nações".

Ele disse que fatores internacionais "facilitaram essas trocas".

O presidente cubano declarou que liderou as conversas pelo lado cubano, juntamente com o ex-presidente cubano Raúl Castro e outras autoridades de alto escalão do Partido Comunista e do governo. Ele não especificou quem fazia parte da delegação americana.

Os EUA já haviam indicado nas semanas anteriores que haviam iniciado conversas com o governo cubano, mas Cuba havia negado categoricamente. Na noite de quarta-feira (11/3), o governo cubano anunciou a libertação de 51 presos políticos, embora nenhum detalhe adicional tenha sido fornecido.

Apagão em Havana.

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Legenda da foto, Nos últimos anos, Cuba sofreu graves apagões que afetaram toda a ilha

Em 5 de fevereiro, o próprio Díaz-Canel alertou que Cuba estava perto de necessitar de "medidas extremas" devido à crise econômica, aos apagões cada vez mais frequentes e à escassez de combustível causada pelo embargo imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Alguns analistas dizem que Cuba atravessa a crise mais grave de sua história desde o triunfo da Revolução Cubana em 1959.

Crise se intensifica

Desde a incursão dos EUA na Venezuela em janeiro passado, na operação que terminou com a captura de Nicolás Maduro, o fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba diminuiu drasticamente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo à ilha.

Essa escassez, aliada a uma rede elétrica obsoleta, causou graves apagões nas últimas semanas, afetando milhares de famílias cubanas e impactando o setor turístico cubano.

Além disso, a falta de combustível levou muitas companhias aéreas a cancelarem seus voos para Havana. O turismo é a principal fonte de divisas do governo cubano, bem como um importante motor da economia local.

Especialistas consultados pela BBC indicam que um dos objetivos de Trump é acabar com o regime que governa a ilha desde 1959.

"As antigas estratégias de Washington em relação a Cuba não se aplicam mais, e quem ainda não entendeu isso terá uma surpresa", afirma o economista cubano Ricardo Torres.

O presidente americano declarou que "Cuba está prestes a cair", intensificando a pressão sobre a ilha em seu momento de maior vulnerabilidade desde a Guerra Fria.

Alguns analistas acreditam que um dos objetivos por trás da destituição de Maduro por Washington é justamente agravar indiretamente a crise econômica cubana.

Homem de bicicleta perto de um posto de gasolina.

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Legenda da foto, Díaz-Canel explicou que a prioridade do governo é restabelecer o funcionamento da rede elétrica do país

Em seu discurso, Díaz-Canel afirmou que a prioridade é resolver o problema energético do país.

O presidente reconheceu que, devido ao que chamou de bloqueio energético dos EUA, nenhum carregamento de petróleo chegou a Cuba nos últimos três meses.

Ele destacou que Cuba, que produz 40% do seu próprio petróleo, tem gerado sua energia, mas isso não é suficiente para atender à demanda do país.

Díaz-Canel explicou que a falta de eletricidade afetou as comunicações, a educação e o transporte e que, como resultado, o governo teve que adiar cirurgias para dezenas de milhares de pessoas.

"O impacto foi muito significativo", disse o presidente cubano.

Nos últimos dias, o governo Trump havia autorizado a entrada de uma quantidade limitada de petróleo por "razões humanitárias".