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Cúpula do Congresso e centrão atuam para blindar Toffoli e conter discussão sobre impeachment

As cúpulas do Congresso e do centrão atuam para blindar o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e conter a discussão sobre o impeachment por envolvimento no caso do Banco Master –o ministro admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá para um fundo ligado a Daniel Vorcaro.

A revelação de um relatório de mais de 200 páginas da PF (Polícia Federal) entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (9) com mensagens de Vorcaro que citam Toffoli e um pagamento a empresa do ministro elevaram a tensão nos bastidores nesta quinta (12), com troca de ligações e mensagens entre Toffoli e dirigentes partidários.

Nesses telefonemas, segundo relatos feitos à Folha, os políticos procuraram tranquilizar o ministro e afirmaram que o Congresso não tomará iniciativas de investigá-lo ou pressioná-lo para que deixe o cargo. Toffoli é um dos ministros com maior interlocução política e frequentemente participa de jantares, festas e encontros com parlamentares, não apenas em Brasília.

Presidentes de partidos do centrão criticam o que chamam de uma "Lava Jato 2", o "vazamento seletivo" de informações contra políticos e os ministros do STF e o "pré-julgamento" de Toffoli pela opinião pública, com pressão para que ele deixe a relatoria do processo contra o Banco Master no STF e até se afaste do cargo.

Nesta quinta, o partido Novo protocolou pedido de impeachment do ministro. A decisão de autorizar o início do processo de julgamento pelo Senado, no entanto, é do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que é aliado de Toffoli e descartou completamente adotar essa iniciativa, em conversa com aliados.

O ministro tem rejeitado as pressões para que deixe a relatoria do processo de investigação contra o Master e, em nota, afirmou que nunca soube quem era o gestor do fundo que comprou a participação da empresa de sua família no resort e que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro".

De acordo com relatos de políticos, há uma preocupação da cúpula do Congresso e de partidos do centrão com o que consideram "sensacionalismo" em cima do relatório da PF. Eles passaram a manhã discutindo um posicionamento para defender que não haja pré-julgamento contra o ministro e que as denúncias sigam o devido processo legal.

Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), estão em contato com presidentes de partidos para entender a extensão da crise. Parte dos políticos que conversaram com eles sugeriu até mesmo direcionar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a PF, para investigar os vazamentos.

Nas conversas, de acordo com relatos feitos à Folha, os dirigentes partidários afirmam que a PF tem feito investigações seletivas e divulgado informações sigilosas para a imprensa com o objetivo de prejudicar políticos adversários do governo Lula (PT).

A ramificação de investigações envolvendo o Master, com a abertura de inquéritos em diversos estados para apurar fraudes em fundos de previdência de servidores públicos e a investigação sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília), no entanto, é encarada por eles como um obstáculo a um freio à crise política.

Entre políticos bolsonaristas, o episódio reforçou críticas e ataques voltados ao STF, além de ensejar diversas manifestações nas redes a favor do impeachment de Toffoli.

A avaliação de membros da direita ideológica é de que a investigação da PF tem como objetivo derrubar Toffoli, o que abriria espaço para que o presidente Lula (PT) indicasse um novo ministro do STF neste ano. Outras alas de oposição ao petista, porém, veem essa hipótese com mais desconfiança.

Diante da resistência da cúpula do Congresso em encampar projetos e pedidos de impeachment que mirem o Supremo, a estratégia de parlamentares é fomentar a pressão social.

O líder do Novo na Câmara, deputado Marcel Van Hattem (RS), afirmou que se as autoridades não agirem por determinação da lei, deveriam agir a partir da pressão social.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que há uma crise moral sem precedentes no país e lembrou que Toffoli instaurou o inquérito das fake news, em 2019, sem ter sido provocado.

"O Senado da República não tem mais como ficar calado diante do que está acontecendo, o Senado precisa agir porque é corresponsável", disse.

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