
Camila Coutinho, 38, já era uma criadora de conteúdo de sucesso quando descobriu que uma marca acreana havia usado o nome de seu blog, Garotas Estúpidas, para vender um creme de cabelo. E mais: a embalagem tinha uma ilustração muito parecida com ela. Esse foi o empurrão que precisava para se aventurar em um novo negócio.
"Minha ideia veio de um mix de oportunidades meio tortas, por conta do plágio. Eu tinha vontade de ter mais estabilidade na vida. Fazia 15 anos que eu mantinha um blog, em um trabalho intenso que depende da minha vida pessoal. Decidi me desafiar criando minha marca, algo natural para quem tem uma veia empreendedora", disse ao UOL.
Foi assim que nasceu a GE Beauty. Com cinco lojas e 14 produtos no portfólio, a marca aumentou suas vendas em 50% em 2025 — 62% das aquisições foram feitas por canais online, enquanto 37% ocorreram nas lojas físicas. Atualmente com cinco pontos de venda fixos, o plano de Camila é chegar a 27.
Um novo modelo de negócio
Coutinho chegou à internet quando "tudo era mato". Começar uma marca do zero significava se jogar em um modelo de negócio e tributário completamente diferente. Não à toa, a influenciadora não pulou de cabeça. O medo do que encontraria fez com que adiasse a ideia por um tempo.
Varejo e comunicação são universos muito diferentes. Como criadora de conteúdo, minha margem é maravilhosa, com baixíssimo risco. É um produto fácil de fazer e cuidar. Uma marca envolve diversos outros pontos: logística, tributos, time, produção, distribuição? Comecei sem dominar o assunto, mas fui aprendendo Camila Coutinho
Coutinho não teve investidores; o dinheiro inicial da marca foi todo dela. "Fiquei assustada com os números. Mesmo assim, optei por usar apenas o meu dinheiro. Queria ter o tempo que fosse necessário para construir a marca da maneira que eu acreditava ser a correta", explica.
Foi um incentivo de seu pai que fez com que Camila respirasse fundo e começasse a desenvolver a GE Beauty de vez, mesmo com medo. "Meu pai é meu guru. Ele disse que o que eu estava sentindo era normal para qualquer empreendedor. Então fui mesmo assim", conta.
Camila CEO

Nessa história de 'eu vou com medo mesmo', Camila foi dominando e aprendendo novas habilidades com o tempo e a vivência à frente da marca. Sua primeira dificuldade foi administrar um negócio grande e complexo sem experiência, além da gestão de pessoas.
"É difícil lidar com pessoas, porque cada uma tem um tipo de emoção, sonhos e frustrações. E você precisa ser o maestro de tudo", diz. No começo, Camila participou do processo seletivo de todos que passariam a integrar seu time. Hoje, consegue delegar mais essa função.
Por dentro dos negócios, a influenciadora sabe que apenas um bom produto não sustenta uma marca. É preciso olhar para os bastidores e manter todos os pratos equilibrados —com bons profissionais que saibam como agir em cada uma dessas lacunas.
Se você não olha para a necessidade tributária e de logística, o seu negócio não para em pé. Eu capinei muito para entender as estruturas de que precisava Camila Coutinho
Ela também aprendeu a ler o mercado. Tem um nome forte na internet, sim, mas não acredita que apenas o universo online seja capaz de manter a saúde das vendas. Para isso, era preciso chegar às lojas físicas.

"Um negócio que é só digital acaba na mão do algoritmo, dependendo da decisão de terceiros. Se mudar alguma regra dentro das plataformas, tudo é impactado. Por isso abrimos lojas físicas tão cedo", conta.
Muito além de sua dona
Hoje, Camila é a CEO da própria marca, mas não se imagina assim para sempre. O plano, a longo prazo, é que a empresa funcione sem depender de sua imagem, embora ela acredite que ainda estejam em um período de maturação.
"Não me vejo CEO para sempre. Vou servir ao negócio até o momento em que for útil e precisar encontrar alguém que saiba mais para conduzir esse crescimento. Eu me vejo comunicando de forma mais pontual, mais offline. E, em certos momentos da semana, ficando online de maneira intencional", diz ao explicar seus planos para daqui a cinco anos.
Já para a GE Beauty, ela enxerga mais lojas e produtos com ainda mais tecnologia. "Quero um portfólio mais completo, com itens de skincare mais científicos — pelo menos mais do que são agora, porque já são bem tecnológicos. E, claro, quero capilaridade em todo o Brasil", conta.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 semana atrás
1





:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)










Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro