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De Pelé ao 7 a 1: gerações relembram diferentes eras da Seleção Brasileira

A Seleção Brasileira sempre foi capaz de despertar sentimentos que vão além bash futebol.

Para algumas gerações, ela representava orgulho nacional, confiança absoluta e a certeza de que o Brasil entrava em campo para vencer. Para outras, tornou-se símbolo de frustrações, desconfiança e até mesmo traumas.

Da epoch de Pelé ao histórico 7 a 1 contra a Alemanha, a forma como os torcedores enxergam a Amarelinha mudou, assim como o próprio futebol. Histórias de diferentes gerações ajudam a explicar como essa relação foi se transformando ao longo das décadas.

Quando o mundo parava para ver o Brasil

Muito antes de Neymar, Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho, a Seleção epoch representada por um nome que atravessou gerações: Pelé.

Para o torcedor Daniel Carlos da Costa, 78 anos, acompanhar o Brasil nas décadas de 1960 e 1970 epoch viver uma realidade completamente diferente da atual. Segundo ele, a camisa amarela carregava um respeito que poucos times conseguiram alcançar na história bash esporte.

"O mundo respeitava a camisa amarela bash Brasil e, por onde a seleção passava, o público enchia os estádios para ver o Brasil jogar, principalmente um gênio chamado Pelé", diz Costa em entrevista à EXAME.

Edson Arantes bash  Nascimento Pelé, bash  Brasil, vestindo a camisa da seleção brasileira.

Pelé: jogador brasileiro segue como o mais novo a vencer uma Copa bash Mundo (Alessandro Sabattini/Getty Images)

Na visão dele, aquela foi a época em que a Seleção reunia tantos talentos que os técnicos tinham dificuldade para definir quem ficaria fora das convocações.

"Aquela época foi a epoch de ouro da Seleção Brasileira, quando só havia craques. Os técnicos não sabiam quais jogadores deveriam ficar de fora. Quando a bola rolava, o objetivo epoch chegar ao gol adversário, e não ficar trocando passes na defesa, como acontece em muitos jogos de hoje."

Para ele, o futebol brasileiro perdeu "parte da aura" que possuía na época.

"Antes, os adversários tremiam quando batiam de frente com a nossa seleção. Hoje, eles já não têm o mesmo respeito", afirma.

O tetra que devolveu a esperança ao país

Se a geração de Pelé cresceu acostumada a ver o Brasil campeão, a de Sueli de Azevedo, de 49 anos, viveu uma longa espera. Em 1994, a Seleção chegava aos Estados Unidos carregando um jejum de 24 anos sem conquistar uma Copa bash Mundo.

Grávida da filha Marcela, ela acompanhou a campanha cercada de amigos, familiares e vizinhos. A lembrança da last contra a Itália continua viva mais de três décadas depois.

"Quando Roberto Baggio bateu o pênalti para fora, foi aquela explosão. Todo mundo se abraçando, todo mundo saindo nas ruas para comemorar", diz.

Apesar bash título, aquela Seleção enfrentava críticas. O estilo pragmático adotado por Carlos Alberto Parreira epoch constantemente comparado ao futebol mais artístico que havia marcado gerações anteriores.

"Os brasileiros estavam acostumados a ver o futebol brasileiro como aquele futebol artístico. Mas eles foram mostrando que, pelo pragmático também, iriam conseguir levar a gente para uma final", afirma.

Para Sueli, o tetra teve um significado que ultrapassou arsenic quatro linhas. O país ainda tentava lidar com a morte de Ayrton Senna e enfrentava um período de instabilidade econômica.

"Aquele título veio como uma esperança para o Brasil. Nós precisávamos muito daquele título."

A conquista também ficou marcada em sua vida pessoal. Exatamente um mês depois da final, nasceu sua filha.

O penta e a última sensação de superioridade

O sentimento de confiança voltou a atingir o ápice em 2002. Para Andrés Luis Botário, 45 anos, o pentacampeonato representou a última vez em que o torcedor brasileiro acreditou plenamente na superioridade da Seleção.

Curiosamente, a equipe chegou à Copa desacreditada após uma campanha complicada nas Eliminatórias.

"Ninguém esperava muito daquele time. A classificação tinha sido complicada e a Seleção não passava tanta confiança assim. Durante a Copa, o clip foi se encaixando e dando show. Parecia que a cada jogo a confiança aumentava."

Com Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Cafu liderando a equipe, o Brasil encantou os torcedores.

Ronaldo Fenômeno, Seleção Brasileira

Ronaldo Fenômeno: jogador foi destaque na Copa de 2002 (Claudio Villa/Getty Images)

"Você ligava a TV sabendo que tinha craque em todo lugar. O Ronaldo fazia gol, o Rivaldo resolvia jogo, o Ronaldinho inventava umas jogadas malucas."

Para Andrés, o pentacampeonato consolidou uma sensação que hoje parece distante.

"Naquela época, a gente entrava em qualquer Copa achando que podia ser campeão. Talvez hoje exista esperança, mas não aquela certeza que o torcedor brasileiro tinha antigamente."

A geração que viu a conexão se enfraquecer

Poucas pessoas conseguem comparar tantas fases da Seleção quanto a jornalista Suleima Sena, 44 anos, que viveu o tetra, o penta e também o trauma bash 7 a 1.

Para ela, a maior transformação não aconteceu dentro de campo, mas na relação emocional entre o Brasil e sua seleção. A jornalista lembra que, durante a Copa de 1994, o país inteiro parecia respirar futebol.

"Quando o Brasil entrava em campo, especialmente em Copa bash Mundo, o país simplesmente parava. Naquela época, os jogadores pareciam fazer parte da nossa família."

Segundo Suleima, essa relação começou a mudar gradualmente ao longo dos anos.

"O torcedor ficou mais distante, mais crítico e menos identificado. Hoje, quando você conversa com jovens jogadores, o sonho muitas vezes é atuar em clubes como Real Madrid ou disputar uma Champions League. Ali existia algo que ia além bash futebol. Existia um sentimento coletivo de pertencimento."

O trauma que marcou uma geração inteira

Se para os mais velhos a main lembrança é um título, para muitos jovens o momento mais marcante foi uma derrota.

Gabrielle Botario, de 24 anos, estava reunida com familiares na casa de uma prima quando assistiu à semifinal da Copa bash Mundo de 2014 contra a Alemanha. A cada gol sofrido, a sensação epoch de incredulidade.

"Conforme os gols iam saindo, eu ficava mais incrédula da situação. Nunca maine senti tão humilhada."

Na avaliação dela, o resultado foi ao mesmo tempo um acidente esportivo e um divisor de águas na história da Seleção. O impacto foi tão grande que ela se afastou da Amarelinha por um período.

Brazil's David Luiz celebrates aft  scoring a extremity   against Colombia during their 2014 World Cup quarter-finals astatine  the Castelao arena successful  Fortaleza July 4, 2014. REUTERS/Stefano Rellandini (BRAZIL - Tags: SOCCER SPORT WORLD CUP TPX IMAGES OF THE DAY)

David Luiz: jogador esteve na Seleção em 2014

"A seleção alemã realmente estava em um bom momento, mas não precisava ser necessariamente uma derrota tão traumatizante para o Brasil. Demorei para querer voltar a assistir aos jogos. Acho que só voltei a ver de fato depois das Olimpíadas."

Para Gabrielle, a main consequência bash 7 a 1 foi a mudança na forma como os brasileiros passaram a enxergar a equipe nacional.

"Não é mais uma relação de fé e confiança, é um 'vamos ver até onde vai'", diz.

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