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Demissão de 16 mil pessoas na Amazon também afeta o Brasil: 'Assustador', diz ex-funcionário

Um brasileiro que foi demitido relatou em condição de anonimato como foi comunicado sobre a decisão da companhia. Ele disse conhecer outras pessoas que também tiveram que deixar seus cargos.

"É assustador. A gente nunca espera que vá acontecer com a gente, ainda mais por estar sendo bem avaliado. Quando acontece, não tem para onde correr", contou ao g1.

Esta foi a segunda rodada de demissões na Amazon desde outubro, quando dispensou outros 14 mil empregados. Ao todo, 10% dos funcionários do setor corporativo da empresa foram atingidos, segundo a Reuters.

Considerando todas as áreas, como centros de distribuição, a companhia soma cerca de 1,5 milhão de usuários em todo o mundo, de acordo com a agência.

Rumores sobre a nova rodada de desligamentos começaram na sexta-feira (23), o que fez funcionários ficaram em estado de espera.

"Estava um silêncio muito suspeito desde segunda-feira. A empresa inteira estava naquela tensão, desconfiando de que alguma onda fosse passar", afirmou o profissional.

Na terça-feira (27), a empresa enviou por engano um comunicado que se referia às demissões como "Project Dawn" e afirmava incorretamente que funcionários nos Estados Unidos, no Canadá e na Costa Rica já tinham sido informados sobre seus desligamentos.

No dia dos desligamentos, a empresa lhe enviou um convite para uma reunião por vídeo com o setor de Recursos Humanos. Segundo ele, a conversa foi respeitosa, mas direto ao ponto.

Ele disse ter sido informado de que seu desempenho na empresa não afetou a decisão e que a medida foi adotada porque seu cargo não era mais necessário. A empresa ofereceu 40 minutos para ele remover arquivos pessoais do notebook corporativo.

"A justificativa que nos foi passada é que se trata de uma tentativa de eliminar níveis, eliminar burocracia, deixar a organização mais enxuta", disse.

Esta foi também foi a explicação oficial da Amazon, em comunicado assinado por Beth Galetti, vice-presidente de experiência de pessoas e tecnologia da companhia.

"Como compartilhei em outubro, temos trabalhado para fortalecer nossa organização reduzindo camadas, aumentando a propriedade e eliminando a burocracia", disse a executiva.

O profissional disse ter presenciado demissões em larga escala em outras empresas e lamentou que esta seja uma medida normalizada no setor de tecnologia.

"Não acho normal impactar a vida de uma quantidade gigante de funcionários por uma otimização quando os resultados da empresa no último trimestre foram bons", disse. "Empresas desse porte tratam o funcionário como número, e isso é sempre cruel".

"Nos próximos anos, esperamos que isso reduza o número total de funcionários da empresa, à medida que obtivermos ganhos de eficiência com o uso extensivo de IA em toda a organização", afirmou.

O ex-funcionário disse que a empresa estimula suas equipes a adotarem IA em suas tarefas, mas que não vê esta como a causa para as demissões.

"A gente obviamente estava usando IA, mas eu não acho que é isso. Acho que é mais uma relação de enxugar custos e entregar valor ao acionista", avaliou.

A Amazon vai divulgar seu balanço para o quarto trimestre de 2025 na próxima quinta-feira (5). No terceiro trimestre, o faturamento da empresa cresceu 13%, enquanto o lucro permaneceu estável.

Na terça, a empresa também cortou vagas em suas divisões Fresh (supermercados) e Go (lojas de conveniência), enquanto planeja fechar lojas físicas existentes dessas redes e converter algumas delas em unidades da Whole Foods, voltada para alimentos saudáveis.

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